sexta-feira, 7 de agosto de 2015

ZENITH volta à ativa com o show ‘Brazilis Circus’ (01/08/15 – O Profeta Pub, Mogi Guaçú/SP)


  Pois é, como o tempo passa e a gente nem percebe!
  27 anos atrás eu tinha 8 anos e via meu primeiro show de ROCK, era uma banda da minha cidade, a maior que tivemos por aqui até hoje e ela estava prestes a lançar seu primeiro LP, a banda em questão se chamava ZENITH e eu nunca mais esqueci aquele show. Vocês estão me perguntando o que eu estava fazendo lá com 8 aninhos, pois bem, eram outros tempos e o ZENITH estava fazendo um de seus vários shows à céu aberto em minha cidade, acho que era inauguração de uma escola municipal e eles montaram um baita palco na quadra externa, coisa grande mesmo, meu irmão me levou e o segurança me deixou na área entre a grade e o palco pra não ser esmagado tamanho era o público daquela noite. Ali da beira do palco eu estava com meus olhos na reta das pedaleiras do guitarrista virtuoso Dé Vasconcellos e acompanhava tudo com curiosidade, notei que toda vez que ia fazer um solo ele pisava ‘numa daquelas coisinhas’ que anos depois fui entender que eram pedais de efeitos e distorções. Dali eu via o tecladista cabeludo parecendo um maestro, era o Zuza que ficava ao lado da bateria do Hamilton Nunes, um monstro e na frente tinham os carismáticos Marcus Nunes Lima no baixo e o vocalista Rogério Nogueira. 
Contracapa do LP devidamente autografado.
  Dessa formação vi mais alguns shows na época assim que saiu o famoso LP autointitulado (ouça ele aqui https://www.youtube.com/watch?v=xFqolBWYD28 ). Em 2002 80% dessa line-up se reuniu (menos Zuza) e eu estava lá para entrevistar o Rogério pra um programa de rádio com transmissão ao vivo ( entrevista esta feita por um celular e assim não tenho essa gravação...) e cantei todas, agora com 22 anos, 14 anos depois do primeiro baque. E desde então a banda tentou voltar várias vezes sem engrenar, algumas até com Marinho Testoni (CASA DAS MÁQUINAS) nos teclados, foram várias idas e vindas, com vários bateristas e tecladistas, até agora.

  Com somente Rogério nos vocais e Dé na guitarra da formação original, a banda garante que essa volta é pra valer e até abriu um show do CAPITAL INICIAL um dia antes desse show, que agora traz Sandro Marcocinni (ex-D.O.R.) na bateria, Paulo Renato no Baixo e Carlos ‘Padre’ Coppi nos teclados e finalmente fizeram sua estreia em casa com o show ‘Brazilis Circus’ apresentando uma cacetada de músicas novas e algumas antigas, mas inéditas que entrarão no segundo disco, prometido pra este ano ainda, garantiu Dé, ainda dizendo que estão prontas 10 novas canções, enfim, vamos ao show.
  Com um som ainda por ser acertado, a banda começa com a clássica ‘Dia a Dia’ e logo apresenta a nova composição ‘Brazilis Circus’ com críticas vorazes a situação política, um lado que as letras da banda sempre carregaram. Mais uma nova pra não baixar o gás ‘Só uma Luz’ e como o público prestou atenção às duas inéditas a banda deu de presente a eles uma versão que fizeram para ‘Separate Ways’ do JOURNEY, uma das grandes influências do ZENITH.
Rogério (v), com Carlos (t) e Dé (g)

  Com o público na febre a banda, que enfrentava problemas com o som dos teclados sumindo dos P.A.’s e Rogério recém saído de uma pneumonia também se esforçava pra cantar dignamente, mas sem esmorecer mandam mais um clássico do primeiro álbum ‘Dama da Escuridão’ que foi ovacionada e seguiram com mais duas novas, ‘Confissão’ e ‘Ídolos para Amar’, gostei de ver, vieram com ‘sede ao pote’ mesmo!
  Mais um regalo para o público mais velho que acompanhava a banda décadas atrás foi a presença de ‘Perfect Strangers’ do DEEP PURPLE no set, não achei que fosse necessária a inserção de covers no set dessa banda que tem mais de 3 décadas e um belo repertório próprio, mas enfim... vamos para a impecável ‘Muros’ que antecedeu outra nova chamada ‘O Flautista’ que tem um clima à lá ‘Mitzi Duprée’ do DEEP PURPLE, com toques renascentistas aqui e ali, um bom trabalho do tecladista Carlos ‘Padre’ ao lado de Dé!
  Todos eles estavam se sentindo bem á vontade no palco do pub, afinal estavam em casa, com um público repleto de caras conhecidas, antigos fãs e novos também, todos cantando as clássicas faixas do primeiro disco e uma das que mais levantou o povo foi ‘Estrelas Foscas’ dada a conotação política de sua letra e seu refrão claramente revoltado e atual, “...mudaram as moscas, o resto ainda continua... estrelas foscas, escondem-se atrás da lua (ou Lula)...”
Paulo (bx), Carlos (t), Dé (g) e Rogério (v) 

  Outra nova canção, que homenageia os jornalistas, uma bela balada com passagens clássicas ao teclado veio à tona, ‘Manchete’ (aqui você confere uma versão limpa e acústica dela https://www.youtube.com/watch?v=t9TDGtiJCLc ) que foi seguida pelo maior clássico da banda, ‘Doce Mãe’, onde eles cantam sobre aborto de uma prostituta, mas quem seria essa prostituta? Segundo Rogério contou recentemente essa ‘Doce Mãe Prostituta’ é o nosso país e a letra foi baseada no Hino Nacional com licenças poéticas que remetem ao fato de sempre o Brasil baixar a cabeça perante o mundo.
  A reta final do show trouxe quatro clássicos sem dar trégua. Três deles gravados no LP e um que ficou de fora, ‘Curvas de um Rio’ lindamente cantada por todos antecedeu ‘O Palhaço’, clássico da época que ficou sem gravação e, infelizmente, sem voz nessa noite, aja visto que o microfone sem fio de Rogério resolveu dar pau literalmente, ouvindo-se muito pouco da belíssima letra que ela trás mas só conhecem os fãs die-hard do ZENITH, uma pena.
Dé Vasconcellos (guitarra)
  Pra compensar, depois de sanado os problemas do microfone veio Aquela que mais adoro do disco, ‘Spotlights’, onde “...o palco e a plateia são um só, enfim...” e foi mesmo, com Rogério e Paulo descendo do palco para agitarem lá em baixo um pouco no solo de Dé e sobrou até um agradecimento á minha humilde pessoa ali no começo dela, nada mais oportuno para mim, que, como falei, acho ela a melhor de todas, mas não fazendo injustiça à pesada e vanhaleniana ‘Asas’ que finalizou o show expelindo toda virtuose e feeling dessa nova line-up do ZENITH.
  Final apoteótico (guardadas as devidas proporções da casa) de um show que vai ficar na memória de quem marcou presença. Após o show eles foram conversar e atender os presentes, fãs, amigos de longa data, novos amigos e novos fãs, enfim, depois de 27 anos pude contar pessoalmente ao Dé Vasconcellos aquela história que escrevi lá no começo da resenha, ele se mostrou emocionado e agradecido por eu ter compartilhado isso com ele, dizendo que isso renova as forças pra enfrentarem de novo a cena nacional com um disco 100% inédito, reiterando a alegria dele e do Rogério em finalmente darem sequência à saga do ZENITH.


Fotos gentilmente cedidas por Marlene Callegari.

Rogério (v) e Carlos (t)

Carlos 'Padre' Coppi

Rogério Nogueira (v) e Sandro Marccocini (bt)

Rogério Nogueira (v)

Paulo Renato (bx) e Sandro (bt) ao fundo.

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