domingo, 11 de dezembro de 2016

VETERANÍSSIMA BANDA ANARCA HOMENAGEIA O MADE IN BRAZIL!




Nos anos 80 um dos nomes mais ativos da cena era o ANARCA (http://tocadoshark.blogspot.com.br/2014/03/wagner-anarca-um-dos-herois-do-som.html) que há mais de 25 anos não dá nenhuma novidade aos fãs, pois seu mentor Wagner mora há esse quarto de século nos Estados Unidos, mas eis que este final de 2016 trouxe à luz do dia uma gravação novíssima sob o nome da banda registrado pelo Wagner e seu amigo e baixista que também passou pela fase clássica da banda, William Kusdra, mas porque somente agora? E o que reuniu esses dois baluartes da cena oitentista de novo depois de tanto tempo? Saiba tudo à seguir nessa entrevista exclusiva da TOCA DO SHARK com os dois.


TOCA DO SHARK: Depois de aproximadamente 30 anos, a dupla Wagner Anarca e William Kusdra resolveu se reunir em uma gravação sob o nome ANARCA. De quem partiu essa ideia?
WILLIAM KUSDRA: O MADE vai completar 50 anos de estrada. Há um projeto programado que não posso adiantar e que não é idealizado por nós, mas conversando com o Wagner decidimos gravar uma homenagem à banda.
WAGNER ANARCA: Primeiramente quero agradecer o seu interesse pela nossa trajetória e trabalho.
  Aconteceu assim, eu moro há muito tempo nos E.U.A. e sempre mantenho contato com todos meu amigos do Brasil, principalmente os músicos que passaram pelo ANARCA. Um dia o William me ligou e falou que tem um projeto que vai rolar de homenagem ao MADE IN BRAZIL e que nós fomos convidados pela Gigi Jardim para participar.

T.S.: A gravação em questão é uma homenagem ao MADE IN BRAZIL, gostaria de saber o quão importante o MADE foi na formação musical de cada um de vocês?
W.K.: A importância do MADE IN BRAZIL é total. Tocamos em vários shows com eles em 1982 quando estavam completando 15 anos de estrada. Banda mais importante pra nós aqui no Brasil desde sempre.
W.A.: Eu fiquei super honrado, pois foi a primeira banda de Rock que eu ouvi ao vivo, junto com o Lúcio Zaparolli (SANTA GANG), meu amigo de infância, lá eu resolvi tocar guitarra, imagina o tamanho da honra em poder homenagear meus heróis?

T.S.: Como funcionou essa junção para gravação, haja vista que há um bom tempo Wagner mora dos Estados Unidos e William no Brasil?
W.K.: Hoje em dia a tecnologia e a internet nos proporciona essa facilidade. Gravei o baixo no estúdio do meu irmão que é de primeira linha e o Wagner fez o mesmo lá nos Estados Unidos.
W.A.: Então, o William me falou desse projeto, que partiu da Gigi Jardim que é uma grande amiga minha e eu fiquei surpreso dela ter colocado o ANARCA no projeto pra tocar ‘Uma Banda Made in Brazil’. Era pra eu gravar a guitarra e a voz aqui, o Willian Kusdra e o Régis Tadeu iriam colocar seus devidos instrumentos gravados aí no Brasil. Mas eu não queria simplesmente fazer um cover dessa canção, eu queria algo mais elaborado, que fosse mesmo uma grande homenagem aos caras, eles que são grandes Heróis do Rock Brasileiro, assim como o Júnior da PATRULHA DO ESPAÇO, o Luiz Carlini do TUTTI FRUTTI, Paulão Batera, Faísca, Sérgio Hinds (O TERÇO), meus heróis, que fazem Rock 24 hs por dia!
  Eu fiquei semanas e semanas refletindo o que eu iria fazer e ouvindo ‘Heartbreak Hotel’ do ELVIS PRESLEY eu tive a ideia de fazer uma versão em inglês para a música e transformá-la num blues e comecei a traduzi-la fazendo umas concessões e licenças poéticas, daí fui pro estúdio de Dan O’Brien que é um amigo de 25 anos que estou aqui e um músico de mão cheia que me ajudou com umas guitarras e algumas palavras na tradução. Devo muito à ele.
Willian Kusdra (bx), Wagner Anarca (g/v) e Régis Tadeu (bt)
ANARCA nos anos 80
TS.: Além de Wagner Anarca na guitarra e voz e William Kusdra no baixo, quem mais participou com os outros instrumentos (bateria, gaita, etc...)?
W.K.: O Wagner fez tudo. Eu só toquei o baixo.
W.A.: Como eu disse, o Dan O’Brien me ajudou muito nas guitarras e na demo ele fez uma bateria eletronicamente, daí o Régis achou melhor manter essa bateria pois ele estava sem tempo pra gravar agora, ele disse que a bateria ficou ótima. Daí ficou a bateria do Dan e um fato interessante também foi a gaita imaginária que eu queria colocar, pois eu não tinha gaita nenhuma, fui pro microfone e fiz uma gaita com a mão e a boca, ele deixou gravando e fez a coisa toda virar uma gaita de verdade...hahahahaha...


Willian Kusdra (baixo) em 2016

T.S.: Pra finalizar, podemos esperar mais alguma surpresa sob o nome ANARCA?
W.K.: Com certeza meu amigo. Temos a ideia de gravarmos mais algumas músicas do nosso antigo repertório. Acho que vai rolar algo pra 2017, 2018.
W.A.: Só quero deixar bem claro que esse lance todo não tem nada à ver com o ANARCA, isso é sobre o MADE IN BRAZIL.
  Mas, paralelamente a isso eu estava conversando com a Gigi sobre filosofia e chuva, daí ela me mandou uma gravação de um tape com som de uma chuva que ela gravou e tem até um gemido dela no final. E com esta gravação eu queria fazer uma música, mas passou o tempo e veio essa gravação do som do MADE que me colocou no embalo de novo pra gravar. Então eu criei uma música chamada ‘Tears of Rain’ que é uma homenagem à Gigi Jardim, onde eu usei seu tape com som de chuva mais o gemido dela no final. Também rendeu uma versão mais atual para ‘Mercedez Benz’, aquela da JANIS JOPLIN com uma mensagem mais atual. Eu tenho um projeto de gravar um CD em breve, além dessas três citadas.
Wagner Anarca (guitarra e voz)

FOTOS dos arquivos de William Kusdra e Wagner Anarca

Um comentário:

  1. Grande amigo Alexandre,
    Muito obrigado pela citação e foi um prazer participar dessa sua entrevista.
    Um grande abraço e longa vida ao rock de verdade.
    William

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