segunda-feira, 19 de agosto de 2019

GANGRENA GASOSA - Politicamente (in)correta e sem papas na língua!


   

    
    Trombei o GANGRENA GASOSA no festival “Armageddon Metal Fest” em Joinville/SC em Junho deste ano e bati altos papos informais com alguns integrantes da banda na barraca de merchandising, mas após o show avassalador que eles fizeram naquele dia (http://tocadoshark.blogspot.com/2019/06/armageddon-metal-fest-2-edicao-01062019.html ) fui entrevistá-los oficialmente na sala de imprensa, quando me deparei com o amigo Clinger Carlos do site ‘Heavy Metal Online’ ( http://heavymetalonline.com.br/ )preparando seu equipamento para entrevistá-los, então me sentei ali e liguei meu gravador para ir gravando enquanto esperava minha vez, mas quando tudo terminou vi que o Clinger tinha perguntado tudo que eu ia perguntar e até mais. Só falei que não tinha mais nada a acrescentar e pedi autorização do mesmo para usar a sua entrevista no meu blog, o que foi prontamente autorizado, então está aí, esperei ele publicar as partes que ele ia usar em suas matérias de cobertura do evento para agora liberar a entrevista na íntegra aqui pela TOCA DO SHARK.
    Agradeço a Clinger Carlos pela liberação do conteúdo e à toda banda GANGRENA GASOSA pela simpatia com que tratam todos, fãs, imprensa, equipe do festival, desde a turma da limpeza até os idealizadores.

CLINGER CARLOS: Falem sobre as impressões de vocês a respeito do festival “Armageddon Metal Fest”, desde a chegada de vocês aqui em Joinville até a estrutura de palco?
ÂNGELO AREDE: Rapaz, desde lá do começo das negociações, que foram feitas com muita antecedência, foi tudo feito de forma muito organizada, vou passar pra Gê que cuidou das negociações, fala aí Gê.
GÊ GAIZEU: Foi tudo maneirão, trataram a gente igual gente (risos gerais).


C.C.: Inclusive, numa conversa com os organizadores, eles revelaram que as prioridades deste festival eram vocês e o RATOS DE PORÃO...
A.A.: Faço muito gosto! Porra, sensacional, esta tudo ótimo, estrutura perfeita, entramos no palco no horário combinado, saímos do palco no horário combinado, translado, tudo jóia, nota 1000!
MINORU MURAKAMI: Acho que de estrutura até agora, dos festivais que andamos fazendo esse foi o melhor.

CC.: Falando da volta pro sul...
AA: Iiiisso, da volta pro sul, fizemos também o “Metal Maniacs” também do caralho...
EDER SANTANA: Sim, “Metal Maniacs”, inclusive tem uma galera que está aqui hoje, falaram que já tinham visto nosso show lá no “Metal Maniacs” que foi outro festival do caralho, só tenho a agradecer a consideração com a gente.

C.C.: Vocês acham que estas bandas que estão voltando, como o SHAMAN, THE MIST, o show de comemoração de 30 anos do “Brasil” que o RATOS DE PORÃO estão fazendo, são boas estratégias pro Metal, para que as pessoas tenham mais interesse em ir aos festivais e rever as bandas, conhecer outras bandas novas?
GÊ: Pô, o disco “Brasil” é super atual, não fica velho nunca!
E.S.: É, “Brasil” mais atual impossível!
A.A.: Eu acho legal sim, essas bandas são importantíssimas no cenário brasileiro, que tem essa história e obras importantes e que estão voltando aí, o caso do THE MIST, o RATOS não pára nunca... então é tão importante quanto ter bandas novas, mas a gente ter essa galera que tem essa relevância trazendo os clássicos pra garotada que não viu, também é ótimo!
E.S.: É maneiro também pra gente que curtiu o THE MIST há muito tempo e ver os caras ao vivo agora, é um presente pros fãs.

Com Eder Santana "Omulu" após o show

C.C.: Ângelo, numa entrevista lá no “Metal Maniacs” você falou sobre Exus e ‘Povo de Rua’, como você classificaria essa definição? Eu andei procurando algo sobre isso e não achei nada.
A.A.: Cara, ‘Povo de Rua’ são os Exus, que fazem parte da Calunga, fazem parte das encruzilhadas, é o povo que está ali segurando a nossa onda, é o povo da contenção...

C.C.: E o contexto de vocês para o próximo álbum vai continuar o mesmo?
A.A.: Vai, vai continuar o mesmo e vai ter muito mais, se segurem aí, que vocês vão ficar ‘boladão’ com os singles que nós vamos soltar em breve.

C.C.: Temos visto o cenário do Metal ultimamente rachado por causa de política, um fala uma coisa daqui e outro fala dali, como vocês encaram isso como banda? Digo isso porque vocês entram no palco e não tem manifesto político da parte de vocês lá em cima, mas pessoalmente vemos que vocês tem um posicionamento.
A.A.: Sim, é “Bolsonaro, vá tomar no cú” ele e os filhos dele. Essa corja toda aí, esses filhos da puta, FILHO DA PUTA! FILHO DA PUTA! FILHO DA PUTA!
GÊ: Racistas do caralho! Não xinga as putas cara, respeita as putas!
A.A.: Não, não, não xingo, é verdade... (risos e mais risos)
(Nota do Redator: Nesta hora a banda toda em uníssono resolveu ofender os políticos que estão no poder e a entrevista ficou divertidamente um caos. Outra coisa: quando pedi ao Ângelo para gravar uma vinheta para o meu programa ‘Toca do Shark’ ele me perguntou antes se eu tocava banda fascista no programa, caso sim ele não gravaria pois não compactua com gente preconceituosa.)
A.A.: Mas olha, todo mundo tem direito de ter seu posicionamento, de direita, de esquerda, só não tem direito de ser fascista, só não tem direito de ser babaca. Até tem direito de ser babaca, mas longe de mim! Quer ser babaca, vai ser babaca longe de mim, vai ser babaca na puta que te pariu! Bolsonaro vai tomar no cú e é isso aí mesmo! Eu não tenho nada bonito pra falar não.
ALEX PORTO: Tem mais uma coisa. Bolsonaro vai tomar no cú!
(Nota do Redator II: Quer ver como foi essa parte da entrevista? Está lá no documentário que o Heavy Metal Online acaba de lançar no Youtube chamado “Fascismo no Heavy Metal – O Mal que nos faz, Parte II” onde várias bandas dão suas opiniões de ambos os lados da política, inclusive a GANGRENA GASOSA. Clique em https://www.youtube.com/watch?v=ZkJxS49A3sA&feature=share )
Minoru (g), Alex (bt), Eder (v), Ângelo (v), Gê (p) e Diego (bx) 

O GANGRENA GASOSA É FORMADO POR:
Ângelo Arede (Zé Pelintra) – voz
Eder Santana (Omulu) – voz
Minoru Murakami (Exu Caveira) – guitarra
Gê Gaizeu (Pomba Gira Maria Mulambo) – percussão
Diego Padilha (Tranca Rua das Almas) – baixo
Alex Porto (Exu Tiriri) – bateria

https://www.facebook.com/gangrenagasosa/               



segunda-feira, 29 de julho de 2019

DEVACHAN – Heavy Metal hereditário!



BANDA: DEVACHAN
DISCO: “Regeneração”
ANO: 2019
SELO: Independente (http://somdodarma.com.br)

FAIXAS:
1.  Domain Principia Inferiorum/
2.  Regeneração/
3.  Jogo da Vida/
4.  Um Sonho?/
5.  Loucuras, Guerras e Poesias/
6.  Devachan/
7.  Olho por Olho.../
8.  Caminho do Medo/
9.  Eis a Questão/
10.      Punctus Contra Punctum/

    Era uma vez dois irmãos que resolveram montar uma banda de Heavy Metal no interior de São Paulo. Os irmãos eram Gabriel Dias (v) e Leandro Dias (g), a cidade era Boituva/SP e a banda se chamaria DEVACHAN, mas aí tem um ponto de ignição com 30 anos de antecedência, o pai dos garotos, o baixista Daniel Dias que viu o Heavy Metal nascer no Brasil nos anos 80 e por lá começou a escrever suas próprias letras em bom português, como se fazia na época. Pois bem, essas letras ficaram engavetadas por três décadas, até que ele se casasse, tivesse filhos e esses resolvessem montar uma banda, resgatando assim aquelas letras que ainda se faziam atuais, com seus temas introspectivos, psicológicos e espirituais. Naturalmente o baixista da banda também seria o pai Daniel, nada mais justo, e assim nasceu a banda DEVACHAN!

    Completaram a banda o tecladista Michael Santos e Thiago Zico Teixeira que gravou as baterias (o atual baterista é Alexandre Galvão).

    “Regeneração” é o primeiro full-lenght da banda que em 2013 soltou um EP-demo chamado “Andarilho” com as letras do pai. Já neste disco temos composições antigas e novas como a faixa título, ‘Jogo da Vida’ e a própria ‘Devachan’, escrita em parceria de pai e filhos.

    O som é bem esmerado, tem peso, melodia, virtuosismo sem exageros, tem um clima de SYMPHONY-X e DREAM THEATER por causa dos teclados, mas também tem muito do tradicional Heavy brasileiro nos maneirismos vocais mas sem soar datado.
    Pra ser direto no ponto, o estilo da banda é Heavy Metal feito em família, afinal, aquela máxima que nós ouvíamos dos nossos ídolos nos anos 80 e 90 de que ‘se seu pai gosta da música que você ouve, isso está errado’ já não cabe mais há uns 20 anos, pelo menos.

    ROCK AND ROLL pode sim ser hereditário!

    Contatos:
http://twixar.me/1vnK       

   

domingo, 21 de julho de 2019

NECROFOBIA – OS ANOS 90 VIVOS NO THRASH METAL



BANDA: NECROFOBIA
DISCO: “Membership”
ANO: 2019
SELO: Independente (www.necrofobia.com.br)
FAIXAS:
1.  Silent Protest
2.  Membership
3.  Perpétua 136
4.  Blindness
5.  Rotten Brain
6.  Real Fiction
7.  Apatia Social
8.  Cemetery of Oblivion
9.  Circle of Trust
10.      Devil’s Lap
11.      Unused Rights
12.      Worthless Lives
13.      Guzzardi (bônus track)

    Quando você pega esse novo álbum do NECROFOBIA, o segundo full oficial (o primeiro “Dead Soul” é de 2004), você logo fica impressionado com a obra de arte que é a capa, e depois descobre que o encarte se desdobra num pôster grande da capa,
muitíssimo bem desenhado pelo artista Roger Gaulês, mas também, pra embalar obra de tamanha qualidade a embalagem teria mesmo de ser bem pensada.
    O NECROFOBIA foi formado em 1994 na cidade de Ribeirão Preto/SP e lá na região são lendas vivas, afinal de contas, a banda passou os anos 90 lançando várias demos K7 e tocando em grandes festivais nesses últimos 25 anos, como Skol Rock,
Roça’n’Roll, Virada Cultural Paulista e por aí vai.   
    Eles defendem aquela escola do Thrash Metal puro e
afiadíssimo que ficou imortalizado nas obras de grandes nomes como SEPULTURA, PANTERA, TESTAMENT entre outros. Chega
a ser absurdo você pensar que esses caras eram pra estar no nível de reconhecimento de um KRISIUN no mínimo se não fossem todos aqueles malditos percalços e tropeços que as bandas daqui sofrem através dos anos.


    Mas o que importa é o presente e esse disco veio pra vingar mesmo. Dá pra sentir o ódio expelido pelos alto-falantes, como nas ‘panterescas’ ‘Cemetery of Oblivion’ e ‘Circle of Trust’, ou em ‘Apatia Social’ que, com sua letra em bom português versa sobre a idiotice de um suburbano médio, egoísta e racista que povoa a nossa grande e maltratada nação.
    A banda atualmente é formada por Rômulo Felício (vocais/
guitarra), André Faggion (bateria), João Manechini (baixo) e Rodrigo Tarelho (guitarra solo), mas as guitarras base foram praticamente todas gravadas por Rômulo em conjunto com Raphael Guzzardi falecido em 2013 mas jamais esquecido, pois em 2014 a banda
lançou um single em sua honra ‘Guzzardi’ que aparece como bônus neste CD e com sua letra em português a banda homenageia o eterno riff master do grupo e assim fecham esse puta play fudido que corre o risco de encabeçar as listas de melhores de 2019 na categoria Thrash Metal nacional.
    Confiram em todas as plataformas digitais ou em:













terça-feira, 16 de julho de 2019

BRUNO MAIA, DA FANTASIA À REALIDADE NUA E CRUA!



    Recentemente o TUATHA DE DANANN se apresentou em Joinville/SC num festival que teria cobertura da TOCA DO SHARK (“Armageddon Metal Fest”, leia como foi em: http://tocadoshark.blogspot.com/2019/06/armageddon-metal-fest-2-edicao-01062019.html) e eu, como bom fã das antigas, não deixaria passar a oportunidade, não só de rever essa grande banda em ação, como também de trocar uma palavrinha com a banda. Infelizmente ficou inviável reunir a banda toda para um bate papo, o evento era tão grande e com tanta gente que os músicos estavam espalhados curtindo cada momento, mas consegui trombar com Bruno Maia, fundador, vocalista, guitarrista, flautista e letrista da banda na sala de imprensa durante uma outra entrevista. Fomos ali pra um canto da sala para uma entrevista exclusiva dele para a TOCA falando sobre tudo, desde a realidade triste vivida na política mundial vigente, até seus trabalhos solos, passando pelas agruras sociais brasileiras e um futuro disco do TUATHA que ainda está promovendo seu mais recente álbum “The Tribes of Witching Souls”.

TOCA DO SHARK: Eu já vou começar a entrevista indo direto ao assunto, ‘Your Wall Shall Fall’, uma canção com letra polêmica, anti essas políticas separatistas que o mundo atual enfrenta em vários países, vocês convocaram os fãs através das redes sociais a fazerem parte do clipe desta canção protestando cada um em sua cidade, mundo afora...
BRUNO MAIA: É ‘Your Wall Shall Fall’ não era pra ser tão polêmica. Eu até acho que nem é tanto. Na verdade a letra toca sim um pouco na ferida, pois, querendo ou não, o país está dividido só que eu acho que tem muita gente que nem entende.
    A situação é tão louca que, quando nós convocamos as pessoas para participar, teve uma menina que mandou uma foto usando uma camisa do Bolsonaro (risos). Acho que ela não entendeu nada, claro que a gente não colocou a foto no clipe. A letra não era anti-Bolsonaro, mas ele está no meio disso tudo, e exalta esse tipo de discurso de exclusão, divisão, perseguição, enfim, essas coisas da ‘direita paranóica’... Mas eu acho que ela não foi tão polêmica, as pessoas que não entenderam e muitas não ligaram uma coisa com a outra. Elas acham que o Brasil não tem esse tipo de problema, que tá longe daqui... É um conceito universal, está acontecendo em várias partes do mundo e as pessoas não percebem ainda o quanto isso está forte aqui.

T.S.: Agora sobre o novo álbum “The Tribes of Witching Souls”, fale mais sobre ele e sobre a aceitação dele.
B.M.: O “Tribes...” é o novo disco e estamos muito felizes com ele e é um disco que representa muito o quê o TUATHA DE DANANN é hoje (N.R.: Atualmente a banda é formada apenas pelos fundadores Bruno Maia nos vocais, flautas e guitarras e Giovani Gomes no baixo/vozes além do tecladista Edgar Britto com mais alguns músicos contratados). A aceitação aqui no Brasil está muito boa, fãs, crítica, a galera ta se inteirando bem com as músicas, cantando elas nos shows, ótimas críticas na mídia. Lá fora o disco ainda não foi lançado oficialmente, apenas distribuições via streaming, não física ainda, estamos cuidando disso para breve, vamos ver no que vai dar.
TUATHA DE DANANN (Edgar Britto - t, Bruno Maia - g/v/f, Giovani Gomes  - bx)

T.S.: Vocês estão rodando o Brasil atualmente, depois vão pra fora...
B.M.: É, na verdade não negociamos nenhuma turnê pro exterior ainda, somente o lançamento do disco físico. Existiram umas propostas pra irmos pra fora agora, mas do jeito que foram postas nós não queremos. Se não compensar pra nós não vamos. Agora aqui estamos tocando demais, ta incrível!

T.S.: Atualmente o Brasil tem muitos festivais e os principais focos aparentam ser Santa Catarina e Minas Gerais. Fale do seu ponto de vista, já que é também um produtor de festival, pois tratamos de um país de proporções continentais, onde existem várias opções geograficamente opostas para o público do Metal.
B.M.: Como você falou somos um país continental e um país pobre pra caralho também! É muito caro viajar pelo Brasil, sempre foi e atualmente está mais, nem bagagem mais você pode levar. O governo fode com a gente como pode e então esse fator econômico pesa muito na hora do cara escolher, pois tem que pegar um avião muitas das vezes. Só que, com certeza, o sul do país ta promovendo muitos festivais legais, Santa Catarina principalmente. Minas já teve mais, mas ainda tem muitos também. E eu acho que um festival é a melhor forma que você tem de apresentar uma banda para um público grande. Não precisa ser um festival grande, mas sim um festival que vá elencar bandas de vários estilos diferentes dentro do Rock, igual este aqui que estamos em Joinville. Esses festivais atraem públicos de várias tendências diferentes que, querendo ou não, estarão conhecendo bandas novas de estilos semelhantes aos que gostam ou nem tanto, mas dentro do mesmo universo, bandas de outros estados. E essa dinâmica que acontece nos festivais é muito positiva tanto pro público quanto pras bandas se apresentarem para várias pessoas que talvez nunca fossem ouvi-las. Fora a interação entre os músicos e fãs que é mais direta.

(Foto: Kaká Gomes)
T.S.: Eu to sabendo que vocês já estão com um disco novo engatilhado pra 2019 com um conceito diferente. Fale sobre isso, já que o mais recente disco de vocês saiu à bem pouco tempo e ainda estão divulgando ele.
B.M.: É verdade, é uma idéia antiga que a gente tinha, só que agora nós achamos ‘o pulo do gato’. Nós vamos lançar um disco somente com música tradicional irlandesa que o povo acostumou chamar de celta, mas é irlandesa, tanto as instrumentais como canções anônimas, aquelas que tem suas autorias perdidas através dos séculos... A gente vai gravar agora, só não sabemos se vamos lançá-lo ainda em outubro deste ano ou no ano que vem.

T.S.: E os seus projetos solos KERNUNNA e BRAIA, tem alguma coisa em vista?
B.M.: O KERNUNNA infelizmente não tem nada em vista ainda, tomara que a gente mude isso em breve. Tem um projeto aí de música instrumental misturando música celta com brasileira que talvez a gente lance com o nome de BRAIA, como se fosse um BRAIA instrumental, não sei, mas tem um ‘trem novo’ pra sair, coisa minha, talvez com participação dos caras da banda (TUATHA) também, tomara que saia no formato instrumental.

CONTATOS:


quarta-feira, 10 de julho de 2019

BARRIL DE PÓLVORA EXPLODINDO AS BARREIRAS DA CENA UNDERGROUND!




BANDA: BARRIL DE PÓLVORA
DISCO: “Barril de Pólvora”
ANO: 2018
SELO: Independente

FAIXAS:
1.  O Som do Trovão
2.  Muito Papel pra Pouca Solução
3.  Inércia
4.  Tocando no Inferno
5.  Loucuras, Sonhos e Delírios
6.  Blues da Saudade
7.  Barril de Pólvora
8.  Tempestade

    Oras bolas, pra quê encheção de linguiça? Tenho cá em minhas mãos um disco direto, reto, cru e sem frescura. É ROQUENROUZÃO (como costumo denominar as bandas de Rock brasuca em bom português) daqueles de sair chutando qualquer balde que se veja pela frente!
    Os caras aí se juntaram em 2005 lá em Belo Horizonte (ó Minas Gerais, quantos orgulhos nos trás!) e desde então vem
esmerando seu som pra soar tradicional sem soar datado ou revival demais, o som aqui está atualizado sem ser modernoso, está pesado sem ser barulhento, está escancarado, sem ser sem propósito, está fudido sem ser apelativo.


    Formado atualmente por Alexis Bomfim (bt), Saulo Santos (bx), Flávio Drager (v) e Emerson Martins (g), a banda contou com a produção de Rodrigo Garcia e mixagens e masterizações de André Cabelo (CHAKAL), tem um encarte ótimo e capa excepcional, tudo á cargo
de Vinícius de Souza e Gath Comunicativa.
    Mas e o som? Bem, o som tem uma mistura bem no ponto de Heavy Metal, Hard Rock cru e até Blues, coisa de gente grande, letras furiosas, críticas, ácidas e
loucas, como ‘Muito Papel pra Pouca Solução’ que massacra o sistema burocrático desse país ou ‘Tocando no Inferno’ que me lembrou o MOTOROCKER de Curitiba com suas brincadeiras com o diabo, mas a faixa que abre, mete o pé no peito com um sonzáço calcado no Heavy Rock trampadão, é ‘O Som do Trovão’ mesmo!
    Faça um favor a si mesmo e vá atrás dessa
banda, conheça, compre, compartilhe, espalhe as boas novas!


MAGNÉTICA - "Homo sapiens brasiliensis" (2017)



BANDA: MAGNÉTICA
DISCO: “Homo sapiens brasiliensis”
ANO: 2017
SELO: Independente
FAIXAS:
1.  Inflamáveis
2.  Super Aquecendo
3.  Homo sapiens brasiliensis
4.  Céu de Abril
5.  Descãonhecido
6.  Crianças
7.  Interstellar
8.  Os Magnéticos
9.  Natural
10.      Minha Hora

    Essa banda foi formada no interior paulista, na cidade de Bebedouro em 2013 com alicerces claramente calcados no Rock brasileiro dos anos 90/2000, me lembra bastante bandas como JUNK, CARRÃO D-GÁS, TIJUANA (sem a parte do pula-pula) entre outras daquela mesma geração, mas se dizem influenciados também por THE WHO, BUSH, NEIL YOUNG, STONE TEMPLE PILOTS entre outros.
    O que eu percebi é que as músicas desse disco são bem polidas, trabalhadas, estudadas a ponto de sair um disco redondinho que flerta com o Pop, aquele que deveria, mas não toca mais em lugar nenhum sabe? As FM’s tocariam facilmente esse disco 15 anos atrás, mas hoje, estão relegados ao undeground com muita bala n’agulha, muito talento e letras fortes, a faixa título por exemplo, sampleou até o hino nacional pra destrinchar aquela letra pomposa que nosso hino traz, uma crítica ácida que se espelha já na capa do disco, com um triste palhaço envolto na nossa bandeira nacional e um galão de líquido inflamável, o que remete ao primeiro som ‘Inflamáveis’, foda mesmo!

   Outros sons fodas, mas melancólicos são ‘Crianças’ onde o vocalista Elvio Trevizone deixa bem claro que tem medo da vida adulta e ‘Descãonhecido’ que, para quem já perdeu um animal de estimação que era considerado mais da família do que alguns humanos, dói no fundo da alma, uma narrativa trágica que nos pega pelo pescoço e aperta nossa respiração.
    Mas o astral volta a subir com ‘Os Magnéticos’ com uma letra cantada em cima dos riffs de Rafael Musa e Kelson Palharini (guitarras), é pra cima daquelas que nos conquista e logo estamos cantarolando junto, definitivamente um hino instantâneo.
    O disco fecha com duas faixas pesadas á lá ALICE IN CHAINS onde a bateria de Marcos Ribeiro e o baixo de Anderson Pavan destacam-se por si só. Em ‘Natural’ e ‘Minha Hora’ as letras narram as agonias de uma pessoa chegando ao fim de seus dias e assim também se encerra esse belo exemplo de como se fazer ROQUENROU, ou seja, como chamo o ROCK AND ROLL brasileiro de verdade em bom português.
Contatos: