domingo, 8 de junho de 2014

HELLARISE - "Functional Disorder"


HELLARISE
Disco: “Functional Disorder” (2013)
Selo: Independente
FAIXAS:
1.       More Mindless Violence
2.       I Don’t Believe
3.       More Than Alive
4.       Functional Disorder
5.       Rest in Pieces (Good Old Felling)

VIDEO BONUS

  Na mais recente edição do festival mineiro ROCK IN HILL  onde toquei com minha banda METALMAD, me deparei com uma força metálica paulistana chamada HELLARISE, boquiaberto eu fiquei logo na primeira canção do show, eu e meus companheiros de banda que acompanhamos um quarteto composto de dois caras e duas garotas que encabeçavam o show, a virtuosa guitarrista Mirella Max e a vocalista Flávia Morniëtári que, ao lado de Felippe Max (bateria) e Kito Vallim (baixo) apresentam neste lançamento “Functional Disorder” um misto de Death Metal com melodias na medida certa sem soar artificial ou modista. Existirão sim comparações mil pelo fato de ser uma mulher que canta gutural, então falarão de ARCH ENEMY entre outras menos conhecidas, mas eu não me arrisco a comparar o HELLARISE com nenhuma banda gringa ou brasileira que seja, desde o primeiro minuto no palco vi o HELLARISE sendo uma banda sem comparações. Essa é a vantagem de você conhecer uma banda ao vivo e depois buscar seu material de estúdio.
Felippe Max (bt)
  Ainda para ajudar conheci pessoalmente a banda, fazendo o caminho inverso desta vez, ou seja, a vocalista que veio até mim primeiramente pelo fato de nossas bandas terem dividido o palco na mesma noite onde conversamos bastante e depois eu fui comprar o meu CD (sim, eu ainda compro CD’s, ao contrário do que rola por ai, não resenho somente os que ganho, esse tipo de costume comumente usado na mídia virtual de hoje em dia é uma coisa bem torpe, mas...).
  Vale destacar que não é um CD e sim um DVD a preço de CD, pois contém 5 faixas de áudio como um EP, mais o clipe excelente da faixa título ‘More Mindless Violence’, o making-of do disco, mais um sobre o clipe que rendeu inúmeras histórias e tantos outros vídeos interessantíssimos para quem realmente se interessou pelo trabalho do HELLARISE.


 
Kito Vallim (b) e Flávia Morniëtári (v)

Flávia Morniëtári (v)

Mirella Max (g)

domingo, 1 de junho de 2014

VIRADA CULTURAL 2014 – URIAH HEEP e MARK FARNER



URIAH HEEP
  Após o fim do show do GOLPE DE ESTADO e convidados tivemos que amargar quase uma hora de espera pelo show do URIAH HEEP, muitíssimo aguardado, afinal, não é sempre que a gente pode conferir um show d’um nome tão importante no meio da rua no Brasil. Seria um acontecimento mágico, mas não foi tanto...
URIAH HEEP
  A prefeitura de SP tem o péssimo hábito de contratar sempre as piores empresas de som para a Virada Cultural, afinal de contas, praticamente todo ano temos problemas de som com grandes shows e justamente o URIAH HEEP, uma banda que ficou eternizada na história pelos seus sons de teclados ímpares e harmonias vocais belíssimas, sofreu com esse problema com os técnicos de som que mandavam o som pro P.A., pois quando Mick Box entrou sorridente no palco já deu pra perceber que o som da guitarra estava ruim, estralando, ardido e sem brilho, a bateria de Russel Gilbrook altíssima, quase que irritante, o bumbo ensurdecedor, o baixo de Dave Rimmer um absurdo de alto, e os microfones e teclados de Phil Lanzon não se ouvia, como assim, justo os teclados e microfones?
  Pois bem, a banda entrou com uma vontade louca de brilhar naquela noite, sorrisos estampados nos rostos e muita energia com ‘Against the Odds’ e ‘Overload’, mas só conseguiram aquela resposta do público numeroso com a vinda da belíssima ‘Sunrise’ e aí sim, a voz aumentou um tequinho a mais, mas o público brasileiro, aquela avenida São João inteirinha cantando em uníssono deixou Bernie Shaw inaudível, ele ainda canta como se fosse um garoto, mas os microfones não o ajudaram em nada, tanto q toda hora q rolava um solo ele ia pra lateral do palco tentar resolver o problema de som sem sucesso.
Mick Box (URIAH HEEP)
  Quando ele se lembrou de 2006, a última passagem da banda por aqui, ele disse, “...vocês ainda estão ai e nós aqui...” e emendou com o masterpiece ‘Stealin’ que fez muito marmanjo chorar, lágrimas essas que só voltaram a rolar lá pelo meio do set com a inegável peça rara ‘July Morning’, afinal de contas, TODO MUNDO cantou sílaba por sílaba enquanto Bernie sentou-se no retorno para vislumbrar o que acontecia, segundo ele, “...uma festa na rua...”
Mick Box, Russell Gilbrook e Bernie Shaw

  Como o set era curto, pouco mais de uma hora e dez minutos, eles despejaram mais 3 clássicos emendados um no outro praticamente, com um Mick Box super feliz de ali estar, um baterista descontrolado, Phil Lanzon também expelindo alegria e o caçula da banda Dave Rimmer bem contido no seu baixo para canhotos, Bernie anunciou a maravilhosa ‘Gypsy’, infelizmente sem aquele brilho de Ken Hensley e sem solo de teclados...uma pena, mas o astral continuou alto com ‘Look at Yourself’ e a que eu mais queria ouvir ‘Lady in Black’ também cantada por todos os presentes.

  O bis não poderia deixar de ser outro senão ‘Easy living’, sim, faltou muita coisa, mas ainda teríamos a presença do ilustre ex-frontman do GRAND FUNK RAILROAD...

URIAH HEEP

URIAH HEEP SET LIST
  1. Against the Odds 
  2. Overload 
  3. Sunrise 
  4. Stealin' 
  5. I'm Ready 
  6. Between Two Worlds 
  7. July Morning 
  8. Gypsy 
  9. Look at Yourself 
  10. Lady in Black
  11. Bis - Easy Livin'
Bernie Shaw

Phil Lanzon e Dave Rimmer - URIAH HEEP
 Fotos URIAH HEEP (Tatianny Ruiz)


MARK FARNER

  Esse senhor que também nos fez esperar uns 40 minutos entrou no palco da maneira mais simples possível, plugando sua guitarra sem alardes e quando nos demos conta ele já estava em cima do palco com seu trio, de tênis, jeans, camiseta discreta, cabelo amarrado gritando ‘Are You Ready’ e daí em diante era só clássicos e pérolas do GRAND FUNK RAILROAD expelidas dos falantes, poros e almas presentes.
  Com excessão de uma microfonia ou outra, o som ficou muito bom com eles e sim, Mark está em plena forma física e vocal, ainda toca feito um moleque e dança como uma criança feliz!
(FOTO: LEANDRO CHAPELLE/DIVULGAÇÃO/VIRADA CULTURAL)
  Ele ainda tem aquele gogó dos anos 70 e dança como naquela época, do seu estilo esquisitão e desengonçado fez todo mundo dançar freneticamente e se emocionarem com aqueles hinos setentistas, na minha opinião ele roubou a cena daquela noite pra ele, literalmente engoliu o show do HEEP, mas infelizmente muita gente só foi lá para ver o UH e quando o show deles acabou saíram da frente, alguns foram mais pra trás e outros simplesmente foram embora perdendo esse espetáculo que desfilou hinos como ‘Rock & Roll Soul’, ‘Footstompin´ Music’ e ‘We´re na American Band’ com o baterista Hubert Crawford nos vocais, que estavam baixos também, como os do show anterior.
  O baixista Lawrence Buckner (ex-RINGO STARR) é um mestre no que faz e quando Farner se empolgava e dava uma escorregadela nas cordas de sua guitarra ele o olhava com ar de repreensão, putz! O empregado dando dura no chefe, isso sim que é um time!

  Vale destacar também o tecladista eventual Rick Backer que só se apresenta no palco quando necessário.
  Voltando ao set elétrico ainda vimos ali ‘Shinin´On’, ‘Paranoid’, ‘Into the Sun’, ‘Sin´s a Good Man´s Brother’ e o final apoteótico com a impecável  ‘The Loco-Motion’ e a não menos brilhante ‘Some Kind of Wonderful’...eram só lágrimas de felicidade que rolavam nos rostos brilhantes de pessoas dançando euforicamente, gente que veio de longe só pra viver isso tudo, ouvi gente ali dizendo ter vindo de Fortaleza/CE, ou seja atravessou o país somente para ver MARK FARNER em ação e não se arrependeram.
  O bis ficou com a não menos mítica ‘I´m Your Captain (Closer to Home)’ que certamente foi o maior coro bradado naquela noite depois de ‘The Loco-Motion’.
   Em 20 anos que frequento shows, pouquíssimas vezes vi tamanha euforia num show de um artista não tão popular assim. Afinal de contas, GRAND FUNK RAILROAD não é um nome gigantesco no Brasil e a vinda do guitarrista e vocalista original da banda, há muito convertido ao cristianismo atraiu tanta gente, apenas 2 anos depois de seu primeiro role pra essas bandas, que eu realmente fiquei de cara. E como diz aquele velho ditado, Música Boa nunca sai de moda!

MARK FARNER SET LIST
  1. Are You Ready 
  2. Rock & Roll Soul 
  3. Footstompin' Music 
  4. We're an American Band 
  5. Aimless Lady 
  6. Shinin' On 
  7. Paranoid 
  8. Into the Sun
  9. Creepin' 
  10. Sin's a Good Man's Brother 
  11. Bad Time 
  12. The Loco-Motion (Little Eva cover)
  13. Some Kind of Wonderful (Soul Brothers Six cover)
  14. Bis - Drum Solo 
  15. I'm Your Captain (Closer to Home) 





URIAH HEEP no palco da Avenida São João

Super Peso Brasil: campanha no Catarse para lançamento de DVD do evento

  

  Como há muito se sabe, a Toca do Shark apóia irrestritamente esse mega-acontecimento para o Metal Nacional desde seu primeiro indício de que iria acontecer, haja visto as entrevistas com Ricardo Batalha (http://www.tocadoshark.blogspot.com.br/2013/07/super-peso-brasil-vem-ai-o-maior.html ) , André Bighinzoli (http://www.tocadoshark.blogspot.com.br/2013/07/entrevista-com-andre-bighinzoli.html ), Roosevelt Bala (http://www.tocadoshark.blogspot.com.br/2013/03/entrevista-com-o-coracao-de-metal.html ), Jack Santiago (http://www.tocadoshark.blogspot.com.br/2013/12/jack-santiago-o-voo-solo-da-harppia.html ), CENTÚRIAS (http://www.tocadoshark.blogspot.com.br/2013/11/centurias-maquina-nao-vai-parar.html ), SALÁRIO MÍNIMO (http://www.tocadoshark.blogspot.com.br/2013/08/salario-minimo-convoca-fas-para-o-super.html ) , além da cobertura completíssima do evento em novembro último (http://www.tocadoshark.blogspot.com.br/2013/11/super-peso-brasil-instituindo-o-dia-do.html ).
Sendo assim, sem nenhum tipo de interesse financeiro ou pessoal, volto a reforçar nosso apoio ao "SUPER PESO BRASIL" até o fim.
AVANTE GUERREIROS!




O festival "Super Peso Brasil", realizado a 9 de novembro de 2013 no Carioca Club (SP) e reuniu pioneiros do Heavy Metal brasileiro - TAURUS (RJ), CENTÚRIAS (SP), METALMORPHOSE (RJ), SALÁRIO MÍNIMO (SP) e STRESS (PA) -, foi devidamente filmado em alta definição e o áudio gravado em multipistas. Agora, para viabilizar o lançamento do digipack com CD/DVD do evento, iniciou-se uma campanha através do financiamento coletivo no Catarse (http://www.catarse.me/pt/superpesobrasil)



Com o TAURUS naquela tarde histórica em SP
Em números: 
São cinco bandas, 16 músicas, totalizando mais de 1 hora de puro Heavy Metal, sendo 3 músicas de cada banda, incluindo todas as participações especiais da noite: Jack Santiago (ex-HARPPIA) & SALÁRIO MÍNIMO; André Góis (FACE OF DESASTER, ex-VODU) & CENTÚRIAS; Vitor Rodrigues (VOODOOPRIEST, ex-TORTURE SQUAD) & STRESS; Luiz Carlos Louzada (VULCANO) & TAURUS; Lucky Luciano (X-RATED, ex-METALMANIA/Robertinho de Recife) & METALMORPHOSE, além de 1 faixa bônus com integrantes de todas as bandas no palco.
Mais informações em http://www.catarse.me/pt/superpesobrasil
Veja o vídeo da campanha em http://vimeo.com/96539765

Nota original no site da ASE:
http://www.asepress.com.br/music/index.php/component/content/article/119-news/noticias-metalmorphose/208-super-peso-brasil-campanha-no-catarse-para-lancamento-de-dvd-do-evento



sábado, 24 de maio de 2014

VIRADA CULTURAL 2014 - Tributo à Hélcio Aguirra (GOLPE DE ESTADO + convidados)


VIRADA CULTURAL 2014 – 10 ANOS
  No ano em que a Virada Cultural (baseada nas Noites Brancas da França) completa 10 edições, o que deveria ser uma grande celebração cultural se transformou em parque de diversões para criminosos, como já foi amplamente divulgado pela mídia sensacionalista brasileira, por isso vou me ater ao lado cultural e Rocker da coisa toda, pois aqui é um Blog feito por um Rockeiro para os Rockeiros.
  Em 2007 tomei conhecimento deste evento através d’um show do MADE IN BRAZIL na minha cidade uma semana antes da Virada Cultural daquele ano em que eles tocariam, não pude comparecer por motivos familiares, mas em 2008 debutei neste magnífico evento onde pude acompanhar shows que jamais imaginaria ver em minha vida, como O TERÇO, TERRENO BALDIO, CASA DAS MÁQUINAS,HARPPIA, PAUL DI’ANNO, VODU, PEPEU GOMES, OS MUTANTES e O BANDO DO VELHO JACK entre outros.
  No ano de 2009 lá estávamos eu e minha esposa de novo para acompanhar um momento mágico e no mínimo emocionante, JON LORD tocando o disco “Concert for Group & Orchestra” do DEEP PURPLE inteirinho com a Orquestra Sinfônica Municipal, além de TUTTI FRUTTI, O SOM NOSSO DE CADA DIA, JOELHO DE PORCO, CAMISA DE VÊNUS, VELHAS VIRGENS, NOVOS BAIANOS, ZECA BALEIRO entre outras grandes atrações. Já em 2010 tivemos PATRULHA DO ESPAÇO, BIG BROTHER & THE HOLDING COMPANY (primeira banda de JANIS JOPLIN) e os MOTHERS OF INVENTION, antiga banda de FRANK ZAPPA aqui rebatizada de GRAND MOTHERS – Re:INVENTED, além do L.A. GUNS, LIVING COLOUR, KRISIUN e mais um sem número de atrações.

  No ano de 2011 não podemos marcar presença e perdemos o MISFITS entre outros, mas foi um ano com relatos de violência extrema, com esfaqueamentos durante o show dos MISFITS e gente que foi jogada de cima de viadutos, lamentável.
  Pra 2012 voltamos à capital cultural do país para uma maratona que durou 20 horas exatas de total esgotamento físico, que você pode conferir aqui na Toca do Shark (http://www.tocadoshark.blogspot.com.br/2012/06/8-virada-cultural-sao-paulo-05-e-06-de.html), onde tivemos vários palcos interessantes, entre eles o principal da Avenida São João onde tocaram IRON BUTTERFLY, OS MUTANTES, SUICIDAL TENDENCIES, BLACK OAK ARKANSAS, TITÃS (tocando o “Cabeça Dinossauro”) e o Palco da Baratos Afins onde tivemos BARANGA, CRACKER BLUES, SALÁRIO MÍNIMO, TOMADA, GOLPE DE ESTADO, AS MERCENÁRIAS, etc e um palco PUNK, um de JAZZ, um de REGGAE, e tantos outros com mais artistas de ROCK como SERGUEI, AUTORAMAS, entre outros...
  Em 2013 a coisa esfriou com apenas o NEKTAR como destaque e não compareci.
  Já em 2014 o primeiro nome anunciado foi URIAH HEEP, isso já chamou um sem número de interessados em voltar às ruas do centro de SP de madrugada, ainda foi anunciado MARK FARNER (ex-GRAND FUNK RAILROAD) e um devido tributo ao Herói da Guitarra pesada nacional, HÉLCIO AGUIRRA (falecido no dia 21 de janeiro deste ano) do GOLPE DE ESTADO, com a banda contando com vários convidados especiais nas guitarras, o que animou ainda mais.
  Apesar da Virada ainda contar com nomes interessantes para mim, como o retorno (?) de 50% do IRA! aos palcos, PEPEU GOMES, ANDRE CHRISTOVAM, STANLEY JORDAN, LAFAYETTE+AUTORAMAS+B NEGÃO, PLEBE RUDE em outros palcos e no palco principal ainda termos no domingo a presença de bandas notáveis como ANJOS DOS BECOS, AGENTE ORANGE, DOMINATRIX e MERCENÁRIAS, resolvi me ater às 3 atrações que me levaram à Virada, pela primeira vez sozinho e para um bate-e-volta, no palco principal da Avenida São João:

 21hs – Tributo a HÉLCIO AGUIRRA (GOLPE DE ESTADO + Convidados);

23hs – URIAH HEEP

01hr – MARK FARNER (ex-GRAND FUNK RAILROAD)

  Afinal de contas, o ano foi fraco e a Virada foi totalmente banalizada por parte de seus curadores, botando DJs para todo lado, como se fossem artistas e ainda dando ênfase a esse lixo cultural chamado de Funk (sacrilégio) carioca, o que atraiu um sem número de vagabundos e ‘rolezeiros’ que promoveram homéricos arrastões e assaltos à revelia no público presente. Um lamento e uma indignação sem tamanho da minha parte, já veterano das Viradas Culturais paulistanas.
  Pois bem, vamos lá aos shows.
  Chegando lá por volta das 20:30 já cheguei encontrando alguns velhos e bons amigos e no palco estava a primeira atração da noite, um duo instrumental da Austrália chamado JACKSON FIREBIRD do qual não posso falar, pois não vi o show, mas quem viu me assegurou ser muito bom.
Dino Linardi e Luiz Calanca honrando a Flying V do Hélcio
  Me aproximando do palco o máximo possível, consegui praticamente colar na grade de fronte ao palco e ali vi toda movimentação acerca dos preparativos para o primeiro show que eu iria ver, o tão justo e merecido show-tributo que o GOLPE DE ESTADO (na pessoa do único membro original remanescente, o baixista Nelson Brito, acompanhado dos mais novos vocalista Dino Linardi e do baterista Roby Pontes que gravaram o mais recente disco da banda “Direto do Fronte”) iria realizar ao seu mentor e guitarrista, Hélcio Aguirra, falecido em janeiro último e que fez história gravando o primeiro disco clássico do Metal paulistano, o EP “A Ferro e Fogo” da banda HARPPIA, saindo depois para formar o GOLPE DE ESTADO tendo gravado todos os discos da banda além de mais 2 com seu projeto instrumental MOBILIS STABILIS nos anos 2000.
  Pois bem, com muita confusão por parte dos técnicos de som (péssimos, por sinal) que a prefeitura sempre contrata para esses eventos e atrasos devido a isso, o show enfim começou com uns 15 minutos de atraso logo de cara com a banda executando ‘Nem Polícia, Nem Bandido’ com o auxilio do guitarrista Tadeu Dias, mas não sem antes Nelson Brito e Luiz Calanca (dono do lendário selo/loja Baratos Afins e responsável por ter lançado inúmeros e clássicos nomes da cena do Rock Pesado dos anos 80) colocarem a lendária guitarra Flying V preta e branca que acompanhou Hélcio a vida toda num pedestal na frente do palco e da banda, de cara com a imensa avenida forrada de Rockers sedentos pelo som pesado, que Hélcio defendeu a vida toda. Ainda tocaram ‘Underground’ que conta uma história que se passava ali naquela mesma localidade nos anos 80, mítico!
Com João Luiz na Strato vermelha e Tadeu Dias na Flying V

Fausto Celestino e Nelson Brito
  E enfim começaram a chamar ao palco os amigos de longa data de Hélcio que iriam homenageá-lo e o primeiro foi João Luiz Braghetta que mantinha com ele o MOBILIS STABILIS desde 2000, João Luiz tocou ‘Não é Hora’ e ‘Caso Sério’. Na sequencia veio Fausto Celestino (guitarrista original do CENTÚRIAS, que gravou o mítico “SP Metal I”) tocando ‘Rockstar’, single e clipe do último disco que o Hélcio gravou com o GOLPE.
  Com o tempo passando rápido chamam ao palco Xande, guitarrista e vocalista do BARANGA para tocar ‘Forçando a Barra’ e logo Nelson passa o baixo para Ricardo Schevanno, vulgo Soneca também do BARANGA (e agora no CARRO BOMBA) para tocarem ‘Onde há Fumaça Há Fogo’ com todo mundo cantando e dançando no asfalto.

A Imponente Flying V perante todos
  Eis que Nelson Brito introduz ao palco o amigo de infância dele e de Hélcio, o renomado guitarrista de Blues nacional André Christóvam que se declarou amigo de mais de 50 anos deles, pois, contam os livros de história do Rock Nacional que antes ainda do GOLPE existir, André montou com Nelson e Paulo Zinner (ex-baterista do GOLPE, do qual sentimos falta nesta noite) o FICKLE PICKLE. Enfim, André, claro, interpretaria o maior Blues da história do GOLPE, ‘Moondog’ e em seguida ‘Olhos de Guerra’, com um feeling indescritível.
  Nesse momento, nós que estávamos ali na frente de tudo, começamos a ver na lateral direita do palco uns funcionários da Virada apressando a banda para encerrar o show por causa pressão do cast de roadies do URIAH HEEP, pois o tempo estava estourando, pois bem, Rogério Fernandes, segundo vocalista da história do GOLPE que gravou as 2 faixas bônus (de estúdio) do disco “10 Anos Ao Vivo” de 1997 (à saber ‘Todo Mundo tem um Lado Bicho’ e ‘Cada Dia Bate de um Jeito’), começou a negociar mais alguns minutos para eles cumprirem o set list programado, mas nada resolvido e só lhes deram tempo para mais 1 canção, o que fez a banda chamar ao palco às pressas os 2 músicos que faltavam, Xando Zupo (guitarrista que substituiu Hélcio no HARPPIA e também tocou no BIG BALLS, PATRULHA DO ESPAÇO, Z-SIDES e atualmente esta no PEDRA) e o próprio Rogério que cantaria seu clássico com a banda ‘Todo Mundo tem um Lado Bicho’, mas não sem antes despejar nos microfones sua indignação com o descaso e desrespeito que a banda sofreu para dar vantagens à banda inglesa, enfim, é como sempre, a história do Rock brasileiro sendo ignorada para dar mais espaço aos estrangeiros. 
Nelson, Rogério (atrás André e Roby), Dino, Tadeu e Xando em ação!

O recadinho de Rogério pros gringos folgados
  Com sangue nos olhos ele dividiu os vocais com Dino Linardi e Xando simplesmente ‘judiou’ sua Les Paul, quando eles sem deixar a bola cair nas mãos dos gringos emendaram ‘Libertação Feminina’ trazendo ao palco Jane Lopes, esposa de Hélcio e o próprio Calanca, onde Nelson larga seu baixo nas mãos de Daniel Kid Ribeiro (conhecido e competente roadie da Paulicéia e baixista de alto nível) e vai pra frente abraçar Jane que é cercada por Nelson, Calanca, Dino e Rogério enquanto todos os convidados formam um paredão de guitarras e baixos lá atrás, com destaque pra Xando Zupo que segura a guitarra principal ali na frente solando como se não houvesse amanhã, um momento tão mágico e arrepiante que a fumaça de gelo seco toma todo o palco num determinado momento ofuscando de nossas vistas todos os presentes no palco, deixando visível apenas a guitarra mítica de Hélcio que ainda ali estava de fronte ao público, algo que me lembrou o livro ‘As Brumas de Avalon’, quem leu sabe do que estou falando. Era como se o próprio Hélcio solasse naquele minuto e ali agradecesse toda aquela comunhão de fãs e músicos em sua memória!
  Após tudo isso Jane Lopes pega o microfone e ao agradecer todos em lágrimas pede ao público: “Gente, não vamos deixar o Hélcio morrer de novo né?” ARREPIANTE até agora!
  Pra fechar a festa, com todos os envolvidos abraçados na frente do palco Dino anuncia que, mesmo com esse enorme baque da perda do guitarrista fundador da banda, eles resolveram dar sequência à memória da banda e quem irá segurar a guitarra da banda é o mesmo Tadeu Dias que ali tocou o show todo, guitarrista renomado do underground paulista que, desde menino permeia o universo do GOLPE DE ESTADO e que ainda toca na banda de Hardcore OITÃO, ou seja, sem preconceitos musicais, e lá naquela noite ele provou que é competente o suficiente para tocar guitarra na banda, nunca ser o substituto de Hélcio, afinal, isso não será possível.
Tadeu Dias, novo guitarrista do GOLPE DE ESTADO

  Completando o pedido de apoio do público à banda, feita por Dino e Nelson eu reforço o coro adiantando aos detratores que irão dizer que a banda está descaracterizada e somente com um membro original que, na sequência deste show veio uma outra força veterana do Rock (inglês) chamada URIAH HEEP que também há muitos anos segue a carreira mundo afora com somente um único membro original na linha de frente, o guitarrista Mick Box e nem por isso deixou a peteca cair e perdeu o apoio de seus fãs. Em resumo brasileirada, vamos deixar de lado a ignorância vigente e enraizada na nossa cena, vamos extinguir esse ‘complexo de vira-latas’ e dar o Real Valor sim a quem merece na nossa cena, e o GOLPE DE ESTADO merece sim.
João Luiz Braghetta e Xande

Andre Christóvam ao fundo e os vocalistas com Jane Lopes à frente

SET LIST:
1. ‘Nem Polícia, Nem Bandido’ (participação: Tadeu Dias)
 2. ‘Underground’ (participação: Tadeu Dias)
3. ‘Não É Hora’ (participação: Tadeu Dias e João Luiz Braghetta)
4. ‘Caso Sério’ (participação: Tadeu Dias e João Luiz Braghetta)
 5. ‘Rockstar’ (participação: Tadeu Dias e Fausto Celestino)
 6. ‘Forçando a Barra’ (participação: Tadeu Dias e Xande)
 7. ‘Onde Há Fumaça Há Fogo’ (participação: Tadeu Dias, Xande e Soneca)
8. ‘Moondog’ (participação: Tadeu Dias e André Christóvam)
9. ‘Olhos de Guerra’ (participação: Tadeu Dias e André Christóvam)
10.’Todo Mundo Tem Um Lado Bicho’ (participação: Tadeu Dias, André Christóvam, Rogério Fernandes, Xando Zupo)
11.’Libertação Feminina’ (participação: Tadeu Dias, André Christóvam, Rogério Fernandes, Xando Zupo, Xande, Fausto Celestino, João Luiz Braghetta, Daniel Kid e Soneca)
GOLPE DE ESTADO
No próximo post irei contar como foram os shows do URIAH HEEP  e de MARK FARNER, aguardem...
Fotos de Tatianny Ruiz e Bel Godoi (somente a da guitarra nas brumas).

João Luiz, Xande e Fausto (com Calanca ao fundo)



João Luiz, Xande, Fausto, Soneca, Kid, André, Roby, Dino, Rogério abraçado com Jane

Tadeu Dias e Xando Zupo

Rogério indignado com o descaso da organização