sexta-feira, 14 de setembro de 2012

SALÁRIO MÍNIMO. Entrevista com China Lee e Daniel Beretta, sem papas na língua!

Marcos César, China Lee, Daniel Beretta e Alexandre Wildshark


SALÁRIO MÍNIMO (11 de agosto de 2012)
TOCA DO SHARK: Vocês irão participar do tributo ao STRESS com qual música?
  CHINA LEE: ‘Vale o que Tem’, que inclusive já está gravada e a gente está tentando liberá-la em breve pra galera como uma prévia do disco. Ficou uma paulada e em Portugal será lançado o disco em Novembro que é quando o primeiro disco do STRESS faz 30 anos e esse é o gancho da coisa toda.
TDS: Então o disco sairá primeiro em Portugal e depois no Brasil?
  CL: Portugal, resto da Europa e depois América Latina.
  DANIEL BERETTA: Nós estamos tentando lançar a nossa faixa aqui no Brasil antes de tudo como um single na web. Vamos colocá-la para download no nosso site e tudo mais, mas ainda estamos em negociação com a gravadora para que isso aconteça.
TDS: O disco “Beijo Fatal” está comemorando 25 anos este ano e acaba de ser lançado na Europa pelo selo Metal Soldiers trazendo de bônus o mais recente “Simplesmente Rock” é isso mesmo?
  CL: Na verdade foi o contrário, lá a negociação foi pelo disco “Simplesmente Rock” que aqui saiu em 2010 e eles adoraram o disco e o “Beijo Fatal” é o bônus da história e inclusive está vendendo bem mais do que aqui no Brasil.
TDS: Mas saiu com alguma faixa bônus inédita ou foi só os dois discos na íntegra?
  CL: Não, na verdade tem faixa a menos lá porque a gente não pôde colocar a faixa ‘Rosa de Hiroshima’ no CD (Nota do Editor: versão para o hino dos SECOS & MOLHADOS escrita originalmente por Vinícius de Morais e musicada por Gerson Conrad) porquê é muito complicado mexer com a burocracia de direitos autorais em se tratando de Vinícius de Morais. E Raul Seixas também, foram dois nomes com quem a gente sofreu muito em relação a isso.
TDS: Falando em lançamentos, já tem algum álbum de inéditas ‘no pente’ pra sair em breve?
  CL: Ontem mesmo a gente estava no estúdio da casa do Beretta (guitarrista da banda), pouco antes de sairmos pra mais um show escolhendo 10 músicas para a gente começar a gravar, mas esse disco só deverá sair depois de um evento bem grande que está confirmado pra ser lançado esse ano que é o “Brasil Heavy Metal”...
TDS: Essa seria a minha próxima pergunta, sobre o “Brasil Heavy Metal”...ele vai sair ainda esse ano?
  CL: Sim, está confirmado para ser lançado dia 15 de Novembro também em virtude dos 30 anos do primeiro disco de Heavy Metal Brasileiro que foi o autointitulado do STRESS e também há a possibilidade de acontecer um evento bem grande em Belém do Pará (terra do STRESS), tudo simultâneo, então CONFIRMADO o lançamento do “Brasil Heavy Metal” para 15 de Novembro e os shows comemorativos a partir de Dezembro com algumas bandas que estão sendo negociadas que seriam OVERDOSE, KORZUS, VIPER, SALÁRIO MÍNIMO, STRESS e tem mais uma, há o DORSAL  ATLÂNTICA. Essas seriam as 6 bandas principais que iriam viajar pelo Brasil e em cada estado que a turnê passar serão somadas mais duas representantes regionais, por exemplo, no RJ TAURUS e AZUL LIMÃO (só um exemplo), em SP HARPPIA e CENTÚRIAS, mas são apenas exemplos, nada de concreto em relação à esses outros nomes...
TDS: Eu estou gostando de fazer essa entrevista com vocês porque, toda resposta que vocês me dão traz um ‘gancho’ pra eu fazer uma nova pergunta que na realidade já estava programada para eu fazer, independente das respostas que fossem dadas... Agora eu ia falar justamente sobre isso... Nos últimos anos a gente viu ai o ressurgimento de grandes nomes da cena do METAL oitentista cantado em Português, como DORSAL ATLÂNTICA, o nome mais recente junto com o CENTÚRIAS, o próprio SALÁRIO MÍNIMO, o STRESS, METALMORPHOSE... Como vocês estão vendo tudo isso? Vocês acham que é uma necessidade geral na cena, ou é um ciclo natural do reconhecimento? Tem alguma resposta pra tudo isso que está acontecendo ou é só o Tesão de se fazer Heavy Metal mesmo?
  CL: Primeiro quero dizer que, eu fui dependente químico por anos a fio e eu sei que você consegue deixar a cocaína, o álcool, o tabaco, seja o que for, mas deixar o Heavy Metal é muito mais complicado, por mais que você tente, você não consegue. Então, vendo que o SALÁRIO está fazendo um trabalho de retorno já há 10 anos e o KORZUS que está aí desde sempre, começaram a voltar várias bandas. Eu acredito que algumas terão um retorno temporário como é o caso anunciado do VIPER e também do DORSAL e também estamos tentando a volta do OVERDOSE. Então nós também estamos trabalhando em cima disso, não é um lance ao acaso. O METALMORPHOSE sim voltou pra ficar, mas em alguns casos nós (as bandas em geral) estamos cutucando os caras para voltarem. O CENTÚRIAS foi um caso, que inclusive dividiu um show com a gente recentemente em Embú-Guaçú/SP.TDS: Em Embú-Guaçú foi um festival ‘mosntruoso’ né?
  CL: Foi ducaralho! Estrutura monstruosa e vai ter muito isso daqui pra frente porque as Prefeituras estão voltando a acreditar que existe gente que gosta disso.
  DB: Eu acho que o que explica essa vontade de todo mundo voltar também é o retorno do BLACK SABBATH! (risos) Tá todo mundo voltando!
TDS: Vocês tocaram com uma dessas grandes bandas que voltaram que foi o TWISTED SISTER e com uma outra que está querendo ‘pendurar as guitarras’ mas que a gente sabe que não vai fazer isso que é o SCORPIONS. Eu queria saber essa particularidade, coisa de fã pra fã mesmo, como foi o convívio entre vocês, como é o tratamento mútuo, se os caras são profissionais com vocês, essas coisas?
  CL: Olha, esse cara aqui é mais do que o guitarrista da banda, é um irmão (referindo-se ao Daniel Beretta) e a gente estava debatendo aqui o que está acontecendo esta noite (falando da treta que rolou nesta noite no Festival Pinhal Music Rock Festival envolvendo o SHADOWSIDE e as outras bandas da noite, veja no link à seguir: http://tocadoshark.blogspot.com.br/2012/08/pinhal-music-rock-festival-tretas-heavy.html  ).   Eu já vi tanta coisa errada na minha vida que eu não deixo mais passar em branco. Eu tenho o poder do microfone e do microfone eu não perdoo, que é o que está acontecendo hoje com as bandas aqui. Nós já tocamos 4 vezes com os ‘gringos’:
 - URIAH HEEP: fomos maltratados por eles ‘em cima da marca do cal’. Ficamos 2 dias com os caras do URIAH HEEP, como amigos, usamos drogas juntos, fomos pra churrascaria juntos e no dia final, 13hs o SALÁRIO MÍNIMO tinha que passar o som quando toca-se um celular onde alguém fala assim “...é pro SALÁRIO esperar que o URIAH HEEP vai passar o som antes...”, eles chegaram às 20hs e deixaram 5 minutos pra gente passar o som, nem preciso falar mais sobre o tratamento.
- SCORPIONS: é um caso diferente. É uma banda monstruosa que tinha mais de 300 pessoas no backstage querendo pegar os caras. Então existe uma segurança diferenciada porquê os caras são muito grande mesmo! Os caras até são simpáticos, mas existe uma barreira de seguranças porque ali é uma coisa de louco!
TWISTED SISTER: foi logo depois do SCORPIONS. Eu fico arrepiado só de lembrar! Os caras do TWISTED SISTER pediram pros roadies deles ajudarem a gente e todos os integrantes da banda ficaram na lateral do palco assistindo nosso show. O Dee Snider ficava fazendo joia pra mim, fantástico! Ducaralho! Ducaralho!
 - U.D.O.: Quem foi no show do U.D.O. viu que eu ‘sentei o arreio’ no tratamento dos caras para com a gente. Eu sou fã pra caralho deles, mas convenhamos que é uma banda que ‘não é tudo isso’ e eles pensam que são o SCORPIONS e eles não são o SCORPIONS.
TDS: Sobre a cena atual, como vocês veem esse lance de todo mundo voltar a cantar em português, como nos anos 80, pois, nos 90, todo mundo queria cantar em inglês e ir pra Europa, agora ninguém mais fala sobre isso, tem uma avalanche de bandas novas boas que cantam em português, temos CARRO BOMBA, BARANGA, TOMADA, COMANDO NUCLEAR, SELVAGERIA entre tantas outras...
CL: Eu sempre falei isso, vejam os antigos festivais Hollywood Rock pra dar um exemplo, SKID ROW e EXTREME com abertura do BARÃO VERMELHO, o estádio inteiro cantou BARÃO VERMELHO na época, o EXTREME o pessoal conhecia uma música e o SKID ROW foi um puta show estranho, inaudível. Conclusão, se saiu bem a banda que canta na língua-mãe, por isso que a gente sempre lutou pela nossa língua. O motivo das bandas voltarem a cantar em português é porque realmente a cena está ficando forte e eu mando um abraço forte pra todas essas novas bandas que são fãs mesmo do trabalho desenvolvido nos anos 80, respeitam muito a gente. E a gente respeita eles também, pois precisa haver um respeito mútuo entre os músicos senão a gente não vai pra lugar nenhum. Agora o pênalti final vai ser o “Brasil Heavy Metal” ai vai explodir de vez. Pois o produtor, o Michaelis que é um produtor renomado, até samba ele já produziu, gastou mais de R$300.000,00 pra fazer acontecer esse documentário, pelo Metal Nacional e pela memória do irmão dele Julio que era vocalista do SANTUÁRIO onde o Micka era o guitarrista, ele só quer honrar o lado Banger dele entende? Até uma pesquisa já foi feita no nosso país, onde chegaram a constatar que adeptos do HEAVY METAL no Brasil somos apenas meio milhão (500.000), mas esse meio milhão está dentro dos 8 milhões de roqueiros que ouvem de tudo um pouco, mas que abraça a causa mesmo é apenas meio milhão e eu digo, você quer ouvir funk, pagode, vai, mas me deixa ouvir meu HEAVY METAL em paz! A gente não tem o respeito de terceiros. A gente não pode ir trabalhar cabeludo, não pode ir pra lugar nenhum que a gente é o ‘bixo-de-outro-mundo’ enquanto tem um monte de funkeiro e pagodeiro que é traficante, sequestrador, até deputado e a gente ainda se passa por bandido nesse país. Há, tenha dó!

TDS: Me lembro de você ter dito isso na Virada Cultural e é verdade. A gente só toma porrada da sociedade dita civilizada. Pra eles nós ouvimos o tipo de música errada, a gente se veste errado, tem o corte de cabelo errado, segundo os padrões deles lá, do que é aceitável e permitido, mas isso é provinciano demais. Pois o HEAVY METAL é uma cultura mundial, você vai na Indonésia, no Chile, na Tailândia, em todo canto do mundo há Headbangers da mesma forma que há no Canadá, Inglaterra, EUA e tirando as ditaduras, em todos esses lugares os Headbangers são respeitados, menos aqui que tem essa birra contra nosso cabelo, nossas roupas.
  CL: É ai que entra o Metal cantado em Português, que se faz ser entendido melhor por todos, para as pessoas verem que nós não somos bixos-do-mato e sim até muito bem educados e alguns estudados. Você não vê um Headbanger analfabeto, pode procurar.
  M: Vai ter gravação de algum DVD de comemoração dos 25 anos de “Beijo Fatal” esse ano?
  CL: Teria uma gravação, que contaria a história da banda, com convidados, mas o “Brasil Heavy Metal” não quer nada que ofusque o seu lançamento então decidimos fazer isso no ano que vem, então será uma comemoração de 26 anos! (risos)
MARCOS CESAR (colaborador do Rock On Stage): Cara eu vi o show do U.D.O. e o de vocês na abertura, naquele dia parece que vocês engoliram o show do U.D.O., a plateia cantou tudo, foi incrível!
  CL: Sim, de todos os shows que fizemos de abertura pra bandas gringas o de abertura pro U.D.O. foi o melhor, o do TWISTED SISTER também foi bom pra caralho, mas é engraçado o que acontece com a gente, tem muita gente que não admite que gosta do SALÁRIO MÍNIMO, mas quando as luzes se apagam canta todas as músicas, é impressionante. Recentemente nós tocamos com o VULCANO e o pessoal da banda, todos compraram nosso novo disco “Simplesmente Rock” especificamente por causa de uma música, ‘Sofrer’ e eles tocam um som podreira pra caralho, é muito legal isso!
MC: Tem algo mais que vocês gostaria de falar pro seu público?
CL: Eu quero agradecer muito a força dos fãs e de vocês da imprensa especializada, vocês são a soma disso tudo, são muito importantes pra gente, pra cena como um todo. O que vocês precisarem da gente estamos ai, porque o Brasil passou por uma grande baixa nos anos 90 onde só existia uma única revista e até os dias de hoje, sobraram poucas revistas que trabalham na cena, sobrou uma única rádio que só toca música em inglês dos anos 70, não toca nada de novo, não ajuda em nada na cena. Nos já gastamos dinheiro 4 vezes lá nos shows  com as bandas gringas que fizemos que eu já citei e os caras não tocavam nossas músicas, quando tocavam eram os nossos amigos que trabalham lá que tocavam de madrugada porque se tocar de dia perigas perder o emprego. Existiu um momento em que umas 2 revistas manipulavam todo mundo, uma rádio manipulava todo mundo e isso foi quebrado com a internet e foi onde vocês entraram pra ganhar seu espaço, sua grana, as bandas começaram a ganhar seu ganha-pão. Esses caras de algumas casas, rádios e revistas não querem que isso se expanda para eles não perderem seu ganha pão.

 TDS: Isso era um ponto onde eu queria chegar, o tratamento que as bandas recebem nesse país. Todas as bandas que fazem um trabalho descente, material autoral, bem feito são prejudicadas por esses ditos contratantes que insistem em pagar as bandas com cerveja ou fazer a banda tocar por bilheteria, isso é algo que me incomoda pra caramba. Cadê o respeito com os artistas?
  CL: Isso começou com o cover que antes tocava por uma caixa de cerveja, hoje tem banda cover que ganha bem mais grana que a gente e também é uma cultura das bandas de pagode que tocam por cerveja e goró. É cara que nunca vai ser nada. A gente não toca por cerveja. Teve uma banda em Guarulhos que tocou com a gente que me perguntou: ‘Como que a gente faz pra negociar cachê? Os caras não querem pagar nada!’ Eu disse a eles, se for interessante pra vocês, vocês vão, se não for, fica na tua casa, não vai ter nada a perder.
TDS: Esse lance é uma coisa que a gente vê muito aqui e sei que já se expandiu pra Capital também, o tal Cover. O Cover tá sendo tratado como artista principal. Essa tal Rádio que nós citamos mesmo fez isso recentemente: “Aniversário da Rádio Tal apresenta: 5 bandas covers de tudo quanto é parte do mundo!” Eu não vou pagar pra ver uma banda cover do QUEEN da Argentina ou uma que faz cover do PINK FLOYD que veio lá da Austrália se tem tanta banda magnífica aqui no nosso país que faz trabalho autoral.
  CL: Quer saber de uma fofoca? Esse evento ai que você está citando seria na sexta, véspera do Festival de Embu-Guaçú onde nós tocamos. Uma semana antes começariam as chamadas no ar do Festival, já pagas, os caras reenviaram o dinheiro pra produção só pra não rolar as propagandas do Embu-Guaçú Rock Fest pra não ofuscar a festa de Covers deles.
TDS: É, mas a gente vê aqui gente pagando R$150,00 pra ver banda cover do exterior e não paga R$20,00 pra ver um festival como esse daqui de Pinhal com 12 bandas das quais 11 tem material próprio, é uma vergonha!
  CL: E as bandas internacionais também tomam muito nosso espaço. O cara fica o ano inteiro juntando grana pra ver a banda internacional e não comparece nos eventos do lado da casa dele às vezes.
TDS: Mas isso também não é reflexo dos tempos? Tá tudo muito fácil na internet , que era pra ser uma ferramenta de divulgação onde o cara poderia buscar novidades e não, ele insiste em buscar os clássicos de sempre, serve mais de ferramenta de ‘emburrecimento em massa’.

  DB: A internet é uma puta forma de você chegar ao público, mas se o cara é preguiçoso, ele não sai de casa nem pra ver cover mais, acha mais cômodo, baixar o show e ficar em casa vendo pelo Youtube, ouvindo o som em casa, batendo punheta em casa. Nem pra pegar puta o cara sai mais de casa! (risos) A informação chega até ele, então não emburrece ninguém, o difícil é tirar esse cara de casa. Quer baixar o disco do SALÁRIO tudo bem! Não temos restrições quanto a isso não. Se você põe um evento no Facebook, 300 ou 400 confirmam a presença, mas no dia do show, só aparecem 30 ou 40 daquelas do Facebook, o restante é gente que acompanha a banda, viu a panfletagem, o cartaz, a divulgação na rádio entende? Esses que vivem o mundo real, o cara que fica na internet vai uns 30 ou 40 sei lá. Eles não saem de casa.
TDS: Isso não desanima um pouco?
  CL: A gente se reúne os 5 de vez em quando e bate um papo daí a gente percebe que um ‘balança’, ai a gente fala: “Tú pesca? Não. Tú Joga Bola? Mal pra caralho! Você faz trilha? Não. Pula de Para-Quedas? Não. Então cara, vamos tocar ROCK AND ROLL!”
"Entrevista realizada em parceria com Rock on Stage (www.rockonstage.org). Fotos by Marcos Cesar e Fernando Jr."

quarta-feira, 22 de agosto de 2012

PINHAL MUSIC ROCK FESTIVAL: TRETAS, HEAVY METAL E CAMISAS PRETAS!






 2012 é um ano Cabalístico que vem sendo observado e vigiado a cada detalhe por causa da Profecia do calendário Maia, aos olhos dos cristãos nesse ano o Mundo acaba, rola o Apocalípse, um período que, segundo a Bíblia, irá desencadear muitas coisas estranhas e tragédias.
  No cenário do ROCK AND ROLL uma das grandes tragédias deste ano está no fato dos Festivais do estilo estarem em franca derrocada. O primeiro exemplo disso tudo (e mais lamentável também) foi o triste episódio do Metal Open Air, nada mais a dizer sobre o assunto. A segunda triste notícia foi o fato deste ano não rolar o tão aguardado S.W.U. por motivos ainda mal explicados, logo em seguida ficamos sabendo que no maravilhoso Wacken Open Air desse ano ter ocorrido uma morte por asfixia, triste, muito triste. Mas agora os problemas estão migrando pros Festivais menores, do chamado Underground, como foi o caso do nosso tão aguardado “Pinhal Rock Music Festival”, festival esse que foi muito divulgado na região da ‘baixa-mogiana’ paulista e do sul-mineiro causando grande expectativa nos Headbangers dessa região toda. O festival tinha tudo pra dar certo e se tornar épico, histórico, mas teve vários problemas que aqui serão listados: Com um cast que trazia 12 nomes, faltando uma semana um dos grandes nomes cancelou, no caso o CLAUSTROFOBIA que por motivos ainda não bem esclarecidos não participou do evento decepcionando muitos fãs presentes no evento. Prontamente substituído pela banda LOVE GUN KISS-COVER da região, mas precisamente da cidade de Itapira e com integrantes de São Paulo, o cast seguiu com 12 nomes, as bandas da cidade BANDA FILARMÔNICA CARDEAL LEME, WOLFPACK e HALLOWED, a mogimiriana BARBÁRIA, a guaçuana DESECRATED SPHERE, a itapirense SLASHER, a campineira HELLISH WAR, a lenda paulistana SALÁRIO MÍNIMO, a revelação santista SHADOWSIDE, os mineiros de Poços de Caldas LOTHLÖRYEN, os monstros paulistanos do TORTURE SQUAD e a já citada banda cover do KISS de Itapira LOVE GUN.

DESECRATED SPHERE com amigo Marcos Cesar do Rock On Stage
  Previsto para começar às 14hs do dia 11 de Agosto de 2012, eu não pude chegar lá à tempo de pegar o evento desde o começo, chegando por lá aproximadamente 19hs me deparei com a banda BARBÁRIA no palco, o que me causou certa estranheza pois a tal banda estava prevista para tocar as 17hs. Buscando informações, fiquei sabendo do primeiro e maior problema do evento, o que desencadearia uma tsunami de tretas e disse-me-disses. A empresa de Som contratada pela Secretaria de Cultura da cidade (que apoiou o evento, afinal estamos em ano eleitoral) era para ter chegado por volta das 10hs da manhã e só apareceu ao meio-dia e levou umas 3 horas para montar tudo atrasando o evento e muito. A banda SHADOWSIDE se encontrava no recinto desde cedo para montar seus equipamentos e passarem o som de maneira adequada, o que levou mais aproximadamente uma hora, deixando inclusive sua bateria aposta no fundo do palco de dimensões reduzidas.
  Com todo esse atraso a organização do evento resolveu que todas as bandas deveriam reduzir seu tempo de palco para que todas as bandas pudessem tocar, o que causou mais insatisfação entre todos os envolvidos.

WOLFPACK

  Entre os shows do SLASHER (que apresentou o novo vocalista Skeeter) e o DESECRATED SPHERE os ânimos entre as demais bandas começaram a se alterar devido ao atraso e ao posicionamento da bateria do SHADOWSIDE no palco, pois as outras bandas teriam de montar sua bateria e se virar no espaço reduzido de palco, além de um certo problema com retorno de palco que não entendi bem.
  Sei que após o DESECRATED SPHERE seria a vez do HELLISH WAR que precisou de quase uma hora pra montar seu equipamento para enfim tocarem apresentando sua nova vocalista Thalita e quando após a segunda música o guitarrista Vulcano resolveu pedir desculpas no microfone pelo atraso alegando problemas não resolvidos pela (des)organização eis que o som de seu microfone foi sumiu, estranho, muito estranho e feio até. Mas vamos nos ater um pouco ao lado artístico do evento.
  Do que eu vi, a estrutura da casa e do evento estava muito boa sim, com uma área exclusiva para os stands de merchandising das bandas, ao lado do bar, num mezanino à direita do palco, sendo que no outro mezanino à esquerda ficava o Camarote Open Bar (que deveria ter mesa de frios conforme anunciado, mas que ninguém viu).
Marcelo (BARBÁRIA)

BARBÁRIA


  Das bandas que vi, o BARBÁRIA fez um show cativante e muito atrativo com seu ‘Pirate-Metal’, mesclaram seus sons como ‘Under the Black Flag’ com versões fortes de clássicos metálicos como ‘Under Jolly Roger’ do RUNNING WILD. O SLASHER mostrou ao público seu novo vocalista Skeeter que dividiu opiniões no público e vai levar um certo tempo pra cativar os ouvidos acostumados aos urros de Daniel, ex-vocalista da banda.
SLASHER
  Seguidos pelo DESECRATED SPHERE com um Death Metal poderoso que detonou tímpanos com seus sons executados com maestria e conhecimento de causa pelos membros da banda que estão com fogo nas ventar pra conquistar cada vez mais fãs.
  Após o DESECRATED SPHERE chega a vez do HELLISH WAR, os resultados negativos de tantos atrasos começaram a dar as caras, com o problema que a banda teve para montar seus equipamentos perdendo assim, mais ou menos 1 hora, deixando todo mundo insatisfeito e os músicos das bandas que tocariam depois com os nervos à flor da pele. Mas estava bem claro para todos que o HELLISH WAR não tinha culpa nenhuma nisso.
  Resolvido os problemas de som o HELLISH WAR sobe ao palco com a faca nos dentes para apresentar a nova vocalista Thalita para todo seu público. Tocaram por cerca de 1 hora ou um pouco menos onde desfilaram seus clássicos e também despertaram certa estranheza e até ceticismo em parte do público presente que conhecia a banda à anos e estava acostumada aos vocais masculinos e perfeitos de Roger Hammer, mas pelo menos eu vou dar um voto de confiança e esperar o novo CD da banda que está bem adiantado já e em breve estará em nossas mãos e ouvidos. (Nota: A vocalista peca muito por imitar Doro Pesch em seus trejeitos no palco, mas isso pode ser resolvido com a estrada).

HELLISH WAR
  Após o HELLISH WAR com sua Thalita era a vez da banda santista SHADOWSIDE com sua vocalista Dani Nolden continuar o evento no mesmo clima de Metal Classudo feito por marmanjos e com uma dama de voz poderosa à frente, o que eu acho muito legal, pois, nos últimos 10 ou 12 anos acostumou-se a ver uma banda com mulher no vocal como algo chato e maçante graças às milhares de vocalistas líricas que se envolveram com o estilo de som pesado que tantos amamos, mas nos 2 casos aqui citados é bem diferente, pois as damas ai em questão são raçudas e cantam com garra, garganta e feeling sem deixar o poder metálico de lado!

Vulcano (HELLISH WAR)
  Problemas e mais problemas corriam nos bastidores enquanto o SHADOWSIDE tocava seu repertório que à princípio seria de uma hora e meia mas à pedido da organização e devido à todo aquele já citado problema com atrasos, tiveram que cortar músicas de seu set, diminuindo o show para uma hora, enquanto as demais bandas tocaram por cerca de 40 minutos cada uma. Sei que a insatisfação nos bastidores era grande e palpável no ar devido ao tratamento diferenciado oferecido ao grupo santista, o que foi prontamente explicado após o evento em Nota Aberta na internet pela própria banda, concluindo os bate-bocas com a simples explicação que tudo que foi tratado entre o SHADOWSIDE  e a organização do evento estavam enumerados em itens e cláusulas do contrato assinado por ambos os lados, o que não me cabe julgar e sim relatar. Ouve tentativa até de corte do som da banda diretamente na mesa de som durante seu show, ameaças de invasão de palco e tudo o mais, mas, entre ‘atrasados e lesados’, todos saíram vivos.


Dani Nolden (SHADOWSIDE)
  Com o pé na porta, sangue nos olhos, faca nos dentes e guitarras nas mãos a mais Veterana e Headbanger banda da noite, o SALÁRIO MÍNIMO, sobe ao palco com o público na mão, pois, mesmo os que não a conheciam ficaram curiosos e se aproximaram do palco para ver como a banda se saía sendo a única a cantar em português no festival todo e pela fama de Veterana que carrega.

público do SALÁRIO MÍNIMO
  Com um show só de clássicos dos anos 80 eles abriram o show com ‘Beijo Fatal’ do disco de mesmo nome de 1987 e ‘Delírio Estelar’ do mais do que clássico “S.P. Metal 1” de 1984 fazendo muita gente ir às lágrimas e tantos outros a bangear como se não houvesse amanhã!
China Lee e Daniel Beretta (SALÁRIO MÍNIMO)

Júnior Muzilli e fã nas guitarras (SALÁRIO MÍNIMO)
  Como todas as outras bandas, eles também foram prejudicadas pelos infindáveis atrasos e tiveram que limar algumas músicas, optando pelas mais recentes, fazendo assim com que nenhuma música do  disco mais recente “Simplesmente Rock” de 2010 fosse executada, como ‘Sofrer’ , ‘Anjo’ e ‘Eu Não Quero Querer Mais’ que estavam previstas no set-list mas foram limadas para os fãs não ficarem sem hinos como ‘Noite de Rock’ ao qual o carismático vocalista China Lee cedeu seu microfone para a plateia cantar o refrão à plenos pulmões. Vale destacar a fúria com que os guitarristas Daniel Beretta e Júnior Muzilli (também da formação original ao lado de China Lee) destruíam suas guitarras que recebeu um reforço de uma fã (a fã era Ya Exodus, guitarrista da banda feminina de thrash SINAYA) que subiu no palco para tocar uma terceira guitarra com a banda na próxima música ‘Dama da Noite’ onde ao fim China Lee disse: “...com o SALÁRIO MÍNIMO é assim, pediu pra tocar um som e tocou, não temos frescuras não!”
  Com a adrenalina lá em cima e o calor insuportável veio a poderosa ‘Doce Vingança’ cantada em uníssono pelos bangers-fãs dignamente executada pela banda com destaque para o baixista performático Diego Lessa e o baterista monstruoso Marcelo Campos (também da banda TRAYCE).
  Após várias declarações apaixonadas de China Lee, que pontuaram o show espalhadas por entre as músicas como por exemplo suas declarações de ‘detonação’ em direção aos ‘playboys do metal’ que ‘os pais pagam para montarem uma banda, ensaiarem e gravarem’, ou quando ele proclama a ‘Oração’ onde pede a Deus que nos livre do Funk, do Pagode e preserve a mulher brasileira, ou seja um show bem cativante, divertido e muito carismático. Vale destacar que bem no começo do show ele pede ‘desculpas’ pelo fato da banda cantar em português com uma dose cavalar de sarcasmo estampada na face!
  Pra finalizar o show veio a trinca mortal de hinos ‘Anjos da Escuridão’, ‘Jogos de Guerra’ e a mais do que imaculada ‘Cabeça Metal’ que também figurou o mítico “S.P. Metal 1”.
  Saíram de lá com o jogo ganho, apesar dos entraves que tiveram que driblar, mas ai é outra história.
  Após o SALÁRIO MÍNIMO coube aos mineiros do LOTHLÖRYEN segurarem o rojão com a plateia indo lentamente embora e esvaziando gradativamente o recinto. Pois eu digo, o LOTHLÖRYEN conseguiu bravamente segurar o rojão com seu prog-metal  furioso e em um determinado momento tiveram que passar o microfone às mãos do vocalista e líder da banda LOVE GUN KISS COVER , Eduardo Colferai, que teoricamente fecharia o evento, onde ele anuncia que a banda dele não poderia mais tocar devido ao horário avançado e os atrasos.


  O que ninguém ficou sabendo (ou quase ninguém) é que a banda saiu de lá com o coração partido e sem receber o cachê. Há quem diga que saíram de lá chorando e um dos membros foi até expulso de lá por seguranças que, como sempre, estão lá para servir aos bangers e não agredi-los como quase sempre ocorre.
  Vejam o vídeo da banda LOVE GUN no palco do LOTHLÖRYEN: http://www.youtube.com/watch?v=1IESKFnZpsc&feature=youtu.be
  Passado todo esse mal estar, o TORTURE SQUAD começa a montar seu palco lá pelas 03:30 da manhã, levando mais uma hora para finalizarem a passagem de som e honradamente encerrar o evento com o sol nascendo para pouco mais de 60 pessoas.
  O saldo final deste que era pra ser o maior evento de HEAVY METAL da região da baixa mogiana em anos não foi muito positivo. Houve muitos problemas de organização e equipamentos, entre outros quesitos básicos, mas, foi apenas o primeiro, outros virão e esses problemas terão de ser sanados com excelência se quiserem se firmar no cenário.

LOTHLÖRYEN
  Vale agradecer a bravura dos organizadores por comprarem essa briga que foi levar um festival de HEAVY METAL  para uma cidade pequena e com tamanha estrutura, mesmo que essa não tenha funcionado como deveria. Vale também puxar a orelha dos mesmos para que solucionem o problema da empresa de Som contratada que foi o estopim de tudo, respeitar os fãs que comprarem ingressos caros de camarotes nos próximos eventos cumprindo a risca tudo que prometerem em relação à esse item e principalmente pensarem nos artistas como seres humanos e tomarem muito cuidado com os contratos que assinam e as exigências que as bandas envolvidas citam em tais contratos pensando se essas citadas cláusulas não irão prejudicar os demais artistas envolvidos e principalmente se os fãs não irão sair lesados dessa história. Os Headbangers Brasileiros estão cheios de comprarem ‘Lebres’ e saírem com ‘Gatos’!
  Não estou aqui para julgar ninguém e nem apontar culpados, isso não é minha função e sim do público que marcou presença. Estou aqui apenas para relatar o que vi e presenciei e não fiz nem metade disso, mas sai feliz de Espírito Santo do Pinhal, pois como em todo show de Rock and Roll, o público foi super civilizado, ordeiro e apaixonado o que me leva a pensar mais uma vez que esse mesmo público merece mais respeito e consideração e mais oportunidades de se unirem em torno de um bem maior, que seria o ROCK AND ROLL e esse é outro tópico que me deixou feliz e esperançoso pois sabemos agora que nesta cidade existe pessoas com boas ideias para que isso tudo se concretize, mas ideias apenas não bastam, precisa-se de mais empenho, mas o primeiro passo para tudo isso já foi dado.
  Agradecimentos aos fotógrafos Marcos César (Bullino), Rogério Seiji Kubometal e ao Fernando R. R. Junior do Rock On Stage (www.rockonstage.org) parceiro de estradas e shows!

ALEXANDRE-WILDSHARK

Diego Lessa (SALÁRIO MÍNIMO)


SALÁRIO MÍNIMO

Marcos (Rock on Stage), China e Beretta (SALÁRIO) e Eu

Fernando (BARBÁRIA)

Draco (BARBÁRIA)

Banner gigante do lado de fora do clube

Casa Lotada

DESECRATED SPHERE

HALLOWED
Daniel Job (HELLISH WAR)

Fernando (Rock On Stage), Eu e o HELLISH WAR



HALLOWED
HALLOWED
André (WOLFPACK)


Marcos (BARBÁRIA)

José Mantovani (DESECRATED SPHERE)

LOTHLÖRYEN

LOTHLÖRYEN

Thalita e JR (HELLISH WAR)

Thalita e JR (HELLISH WAR)

Daniel Job e JR (HELLISH WAR)

Raphael Mattos (SHADOWSIDE)

Dani Nolden (SHADOWSIDE)

Daniel Beretta (SALÁRIO MÍNIMO)

Thalita (HELLISH WAR)

Thalita (HELLISH WAR)

Vulcano (HELLISH WAR)

Thalita (HELLISH WAR)

China Lee (SALÁRIO MÍNIMO)

Diego Lessa (SALÁRIO MÍNIMO)

Taddei e Wellington (SLASHER)

Taddei e Wellington (SLASHER)

Daniel Beretta (SALÁRIO MÍNIMO)