quarta-feira, 21 de maio de 2014

ROCK IN HILL BÃO, SÓ EM BUENO BRANDÃO!



ROCK IN HILL – Sexta Edição
(10/05/2014 – Bueno Brandão/MG)

Estância Serra do Pidico antes do evento
  No sábado gelado de 10 de Maio de 2014 a cidade interiorana de Minas Gerais, Bueno Brandão, o ‘Campo Místico das Gerais’, a ‘Cidade das Cachoeiras’ recebeu uma galera sedenta por Heavy Metal vindo de várias partes do interior e capital de São Paulo e do sul de Minas. Era a sexta edição do festival ROCK IN HILL tomando forma.
  Produzido pela Fatmen Produções (nas pessoas de José Carlos Junior e Eric Salles), há anos rola o que há de mais legal nesse festival, tipicamente mineiro e que espalha aquele clima família pelo ambiente todo cercado de natureza no topo d’uma bela montanha cercada por tantas outras... daí vem o divertido trocadilho que deu nome ao evento.

Fatmen Produções
  Nessa sexta edição tivemos a presença das bandas METALMAD da região da Baixa-Mogiana paulista, com membros de Mogi Mirim e Mogi Guaçu, BARBARIA também da mesma região com membros de várias cidades paulistas, HELLARISE de São Paulo, o cover de AC/DC DIRTY JACK de São Paulo, WOSLOM também da capital paulista e fechando o CHAOS SYNOPSIS de São José dos Campos/SP.
Cozinha tipicamente Metal/mineira

Palco antes da porteira se abrir
  Com uma decoração toda inspirada nos grandes nomes do Metal mundial a Estância Pé da Serra do Pidico foi palco duma bela festa que também teve o espírito de comunhão com os mais necessitados, visto a arrecadação de mantimentos que foram doadas à Casa da Criança Bueno Brandense.
METALMAD
  20hs em ponto a banda METALMAD sobe ao palco e desce a lenha com uma dobradinha poderosa de TWISTED SISTER ‘What You don’t Know Sure...’ e W.A.S.P. ‘I Wanna Be Somebody’ para aquecer os já presentes. Depois disso seguiram vários sons próprios da banda que canta em português um misto de Heavy Metal tradicional e Punk Rock com pitadas de Hard Rock que irão compor o primeiro EP da banda prestes à sair, entremeadas com alguns lados-B do cancioneiro Heavy oitentista e muita humildade, a banda seguiu por uma hora no palco e continuou a comunhão com os presentes depois evento afora.

METALMAD no palco!
  Uma hora depois o BARABARIA sobe ao palco com seu som Heavy inspirado em temas piratas, incluindo as vestimentas dos músicos, várias músicas próprias do primeiro full-lenght “Watery Graves” permearam a noite com fortes influências de RUNNING WILD e GRAVE DIGGER, a banda manteve o público festejando noite adentro.

BARBARIA

  A primeira surpresa da noite (para quem ainda não conhecia, como eu) subiu ao palco duas garotas e dois garotos para destilar um misto entre o Thrash e o Melodic Death Metal, era a vez do HELLARISE nos surpreender com temas do seu primeiro play “Functional Disorder”, entremeados por umas versões de ARCH ENEMY e KREATOR. Destaque para a vocalista Flávia Morniëtári que mantém sua voz poderosamente agressiva o show inteiro sem titubear e nem fazer feio. Isso tudo embalado numa humildade de fazer muita gente feliz!
HELLARISE
(Kito Vallim e Flávia Morniëtári)

Flávia Morniëtári - HELLARISE

  Uma pausa pros bangers antenados tomarem umas e botarem os papos em dia e veio o cover de AC/DC DIRTY JACK que tocou fogo com um repertório que ninguém pode botar defeito. Destaque por guitarrista que saiu correndo chácara afora solando sua guitarra sem fio e arrancando boas gargalhadas dos presentes.

DIRTY JACK, insanos!
  Com a madrugada gelada (cerca de 10 graus)avançando lentamente os paulistanos do WOSLOM subiram ao palco pra tocarem o terror com canções de seus discos “Time to Rise” e “Evolustruction”, a banda fez enormes rodas de pogo e mosh’s animalescos, além de conquistar vários novos fãs.

Público participativo e enlouquecido!


WOSLOM in the house!

  Pra fechar essa edição o CHAOS SYNOPSIS fez um arregaço de show, esse que foi o último antes de partirem para uma tour internacional onde passarão pela Espanha, Polônia, Holanda, República Tcheca entre outras paradas europeias, a banda mandou vários sons de seus álbuns “Art of Killing” e “Kvlt ov Dementia” entre outros...
Friggi Mad Beats (CHAOS SYNOPSIS)
CHAOS SYNOPSIS
  O saldo desse belíssimo evento foi mais do que positivo, sem nenhum incidente, sem violência, sem problemas de som, as bandas saíram felizes, o público saiu feliz e sedento por mais uma bela edição repleta de amizades novas, antigas, ou seja, uma enorme celebração ao espírito underground e simplão de toda essa coisa chamada ROCK PESADO, HEAVY METAL, THRASH METAL ou o Caralhoaquatro METAL!

Ya Exodus (Metal on Metal) e Rogerio Seiji (Kubometal Fotografia Underground)
  Agradecimentos às bandas e seus membros humildes, à Ya Exodus do blog Metal On Metal, aos organizadores Eric Salles, José Carlos Júnior e todos os colaboradores da Fatmen Produções e por último e não menos importante, Rogério Seiji da Kubometal Fotografia Underground pela amizade, parceria e essas belíssimas fotos que compõe e ilustram mais uma resenha inédita e exclusiva da TOCA DO SHARK.
METALMAD e galera da Baixa Mogiana (foto by Moyses Tomazoli)

LINKS RELACIONADOS:
BARBARIA



CHAOS SYNOPSIS


Mirella Max (HELLARISE)


METALMAD

Silvano Aguilera (WOSLOM)
WOSLOM



                                                           

sábado, 26 de abril de 2014

TRIBUTO AO STRESS “Amazônia Inferno Metal”



 Devo admitir que quando foi anunciado aos 4 ventos que o selo português Metal Soldiers Records (www.metalsoldiersrecords.com) iria lançar um CD-tributo aos veteranos da banda paraense STRESS eu senti um misto de alegria e tristeza, já explico. Alegria, pois afinal eles merecem e em 2013 se comemoraria os 30 anos do primeiro play da banda e consequentemente os 30 anos do Heavy Metal no mercado fonográfico brasileiro. Tristeza pois achei, por um momento, que isso tudo não sairia da conversa, afinal, desde sempre convivemos com esse tipo de frustração no mercado do som pesado no Brasil, um dos exemplos que tenho é o tal tributo aos pioneiros do MADE IN BRAZIL que foi prometido para 11 anos atrás e até hoje NADA, outra frustração  também nessa área de tributos foi o tributo ao VIPER anunciado em 2002 e que nunca veio à tona, o mais recente é o tal filme “Brasil Heavy Metal”, onde o próprio STRESS fez a trilha/tema que era pra ter sido lançado 3 anos atrás e ainda esperamos por qualquer coisa relacionada ao tal projeto. De concreto ultimamente só presenciamos mesmo o mega festival “Super Peso Brasil”, esse sim saiu da pauta e subiu ao palco!
  Mas, para nosso alívio a coisa toda andou e viu a luz do dia (será que é porque foi feito na Europa? Quero acreditar que não, mas... sobre fatos não há argumentos).
  Pois bem, felizão da vida recebi das mãos de Roosevelt Bala o CD número 591 (de 1000 cópias) lançado lá na ‘gringa’ sob o título de “Amazônia Inferno Metal” e que contando com 16 faixas, excluindo assim as vinhetas de abertura ‘Alvorada’ e a de encerramento ‘Recolher’, ambas gravadas pela banda ANDRAGONIA de Prog-Metal, temos aqui um mega-time de 14 excelentes bandas de relativa representatividade dentro da cena desde sempre, incluindo aí novos nomes como o próprio ANDRAGONIA que abriu o disco com a emblemática ‘Heavy Metal’ que ficou trampadíssima, mas, a meu ver, meio magrinha na produção, talvez pelo fato d’eu estar acostumado a ouvi-la desde sempre em vinil e sabemos que isso faz muuuuuita diferença.
  Sem descanso veio o NECROSKINNER dando uma roupagem bem mais agressiva nos vocais de ‘Stressencefalodrama’, pérola do primeiro disco do STRESS com letra contundente, o que é um forte dos discos do STRESS.
  A banda INQUISIÇÃO me apresentou uma belíssima canção do STRESS que eu não conhecia (mea culpa mea culpa), ‘Folha no Vento’, pra mim uma das melhores do disco todo!
STRESS - Paulo Gui (g), André Chamon (bt), Bala (v/bx)

  O já conhecido COMANDO ETÍLICO, também da nova safra veio com uma versão tradicionalíssima de ‘Inferno Nuclear’, pena ter apenas uma guitarra, mas isso é um apenas um detalhe no todo da obra.
  Agora o primeiro nome veterano do disco, quase que um contemporâneo do STRESS, os paulistanos do SALÁRIO MÍNIMO que há um bom tempo vem com uma formação sólida já tinha disponibilizado no final do ano passado essa versão que fizeram de ‘Vale o que Tem’, e serviu como uma espécie de single do disco. China Lee, vocalista de mão cheia, fez questão de depositar aqui nesta canção aquele feeling que lhe é peculiar, a bateria com pedais duplos de Marcelo Ladwig é um extra incrível, nota-se isso também na faixa seguinte gravada pela banda número 1 de Ladwig, o KING BIRD que aqui gravando ‘Estrela Azul’ nos brindou com João Luiz (que recentemente saiu da banda) cantando em bom português, afinal, pra quem não sabe o trabalho autoral do KING BIRD é todo em inglês e quem nunca viu um show do CASA DAS MÁQUINAS atual com João Luiz nos vocais pode se surpreender com tamanha desenvoltura e, bem, eu já tinha visto ele com o CASA e queria muito que ele gravasse algo em bom e velho português, fiquei muito feliz com essa faixa.
  A santista REPULSÃO EXPLÍCITA traz com seu Cross-over uma versão virulenta de ‘Sodoma e Gomorra’, a mais desgracenta das faixas já gravadas pelo STRESS. Digna de nota a velocidade aplicada aqui!
  O PRELLUDE que já está na cena há certo tempo veio dar sua contribuição ao tributo com o mega hino ‘Flor Atômica’, com uma gravação excelente e Ricardo Ravache (baixista veteraníssimo que já brilhou ao lado da formação original do HARPPIA e ainda brilha com o também clássico CENTÚRIAS) se fazendo notar incrivelmente ao lado de seus parceiros de banda Christian Lima (no vocal tradicionalmente puro e guitarra) e Vinícios Kavrucov (bateria).
  Outro grande nome da cena oitentista que ressurge de tempos em tempos para alguns bons pares de shows é o carioca AZUL LIMÃO que aqui defende com garra e suor um dos mais recentes hinos forjados pelo STRESS, a já mítica ‘Coração de Metal’, o AZUL a desconstruiu e construiu de novo fazendo-a subir outro degrau na escalada que um verdadeiro hino do Metal precisa fazer. Ponto pra eles!
  Dos lados mais extremos da cena atual temos os mineiros do UGANGA que já é amplamente conhecido da cena e, sob os vocais do também veterano Manu Joker, nos trouxe uma versão matadora de ‘Não Desista’, verdadeira injeção de ânimo em quem ouve!
  Na sequência viajamos nas cordas do guitarrista baiano ANDRÉ POVEDA que gravou guitarra, baixo e bateria da faixa ‘O Lixo’ contando com os vocais de David Vieira, uma verdadeira ode ao clima introspectivo que esse tema pede, aja visto a letra pesada e contundente que ela contém. Parabéns ao peso do baixo!

  Os meninos do COMANDO NUCLEAR não poderiam faltar nessa festa e chegando mais pro final do disco nos deparamos com eles debulhando seus instrumentos em ‘Forças do Mal’ bem ao estilo que lhes é esperado.
  Pra fechar o disco temos duas bandas veteranas da cena carioca, o TAURUS que nunca decepciona com sua pegada característica misturando o tradicional e o moderno apresentou sua leitura de ‘O Viciado’ e pra selar esse grande lançamento METALMORPHOSE literalmente matando a pau com ‘Mate o Réu’, mais tradicional impossível! Sem desmerecer ninguém essa foi ‘A’ faixa perfeita pra encerrar o disco, com a bateria incrível de André Delacroix!
  A mixagem final veio a cargo de Leon Manssur (APOKALYPTIC RAIDS) e a arte visual incrível é por conta de Fernando Lima (DROWNED), mas, como nada é perfeito eu senti falta d’um encarte mais ‘gordinho’ e detalhado, marca registrada dos lançamentos da Metal Soldiers.
  Bem, com ou sem o tal encarte que o fã aqui gostaria de ver, fiquei feliz e aliviado em ver que esse projeto de homenagear a pioneira do Heavy Metal brasileiro saiu em grande estilo. Espero que saiam outras tiragens e que sejam lançados no mercado nacional assim como foi no europeu, pois 1000 cópias é muito pouco e terá muito mais gente que adoraria comprar esse CD, sim, na nossa esfera metálica ainda há quem compre CD’s.
Nossos parabéns aos pioneiros metálicos Roosevelt Bala, André Chamon, Paulo Guilherme, Leonardo Renda, Bosco, Alex Magnun, Sérgio Barbosa e todos os outros tripulantes da banda STRESS ao longo dos anos, vocês merecem cada nota gravada em homenagem ao trabalho de vocês!
FAIXAS:
1.       ANDRAGONIA – ‘Alvorada’
2.       ANDRAGONIA – ‘Heavy Metal’
3.       NECROSKINNER – ‘Stressencefalodrama’
4.       INQUISIÇÃO – ‘Folha no Vento’
5.       COMANDO ETÍLICO – ‘Inferno Nuclear’
6.       SALÁRIO MÍNIMO – ‘Vale o que Tem’
7.       KING BIRD – ‘Estrela Azul’
8.       REPULSÃO EXPLÍCITA – ‘Sodoma e Gomorra’
9.       PRELLUDE – ‘Flor Atômica’
10.   AZUL LIMÃO – ‘Coração de Metal’
11.   UGANGA – ‘Não Desista’
12.   ANDRÉ POVEDA – ‘O Lixo’
13.   COMANDO NUCLEAR – ‘Forças do Mal’
14.   TAURUS – ‘O Viciado’
15.   METALMORPHOSE – ‘Mate o Réu’
16.   ANDRAGONIA - 'Recolher' 

domingo, 23 de março de 2014

MUQUETA NA OREIA - Som pesado, letras inteligentes e alto teor de humor descarado!



  Recentemente postei aqui a resenha do mais recente CD da banda de Hard Core MUQUETA NA OREIA "Blatta" que lançaram no final do ano passado, o que me deu uma imensa vontade de entrevistar essa banda paulista e saber mais sobre sua história e detalhes do disco.
  Acompanhem à seguir os detalhes desse papo informal com a banda.

  TOCA DO SHARK: Vamos começar com uma pequena biografia da banda. Como ela surgiu, quando e onde? Quem são os membros?
  Henry: Primeiramente queremos agradecer pelo espaço e apoio dado pela Toca do Shark !
  Somos de Embu das Artes (SP) e estamos na ativa desde 2007. A ideia era de tocarmos cover de bandas pesadas como uma brincadeira entre amigos, mas logo que fizemos a primeira música própria sentimos que tínhamos um enorme potencial a ser explorado. Aí a coisa foi evoluindo e hoje já temos dois álbuns lançados. A formação é Ramires no vocal, Cris no baixo, Bruno Zito na guitarra e eu - Henry - na bateria.


  T.S.: Os vocais são divididos entre 2 membros ou o Ramires se vira sozinho?
  Cris: Apesar da voz principal ser do Ramires, a minha participação é constante em todas as músicas e isso varia muito de música pra música, porque algumas eu faço backing vocal e outras eu completo as melodias.

  T.S.: Sobre o novo disco, é o primeiro e porque o nome de “Blatta”?
  Bruno: Este já é o segundo. O conceito do disco é basicamente de que não são os mais fortes que sobrevivem, e sim aqueles que melhor se adaptam ao novo ambiente. "Blatta" vem do latim que significa barata, e o que fizemos foi um paralelo das bandas independentes e estes insetos, no sentido de que as poderosas gravadoras estão se enfraquecendo e os artistas independentes estão conseguindo se destacar e se multiplicar sem precisar de um centavo dessas corporações. As pessoas se assustam quando aparecem, por mais que você mate uma existem outras milhões, mas uma só já incomoda. Suportamos todas as situações adversas, entre muitas outras semelhanças, as baratas adoram cerveja!

  T.S.: As letras são o maior atrativo da banda, todas muito bem escritas e interpretadas para deixar o público bem a par da mensagem que a banda quer transmitir, quais são as fontes de inspiração tanto liricamente quanto instrumental da banda?
  Ramires: Todos temos influências muito diversas e acredito que a sonoridade do MUQUETA NA OREIA se deva muito a isso. Mas o ponto em comum entre todos sempre foi SEPULTURA, PANTERA e METALLICA.

  T.S.: ‘Nova Era’ foi baseada em ‘The Walking Dead’ ou não?
  Cris: Não. Foi coincidência. Inclusive a arte do álbum, que mostra Brasília (DF) toda destruída, foi elaborada  antes das manifestações e bem antes da morte do Niemeyer, outras coincidências...


  T.S.: Uma das que eu mais gosto do disco é ‘Hardware, Software e Tupperware’ graças à letra instigante. Vendo o nome da canção ninguém imagina o que vem a seguir. O personagem da letra é algum conhecido de vocês?
  Henry: Sim, somos todos nós, "inclusive você, você e todos você" (risos) ... pensem nisso!

  T.S.: E ‘Exú Caveira’, foi baseada em alguma experiência pessoal?
  Ramires: Essa é uma questão delicada, apesar do tom sarcástico, que sempre permeia nossas letras. Existem pessoas que usam forças da Natureza para o mal, mas como diz a letra, "quer um conselho: um espelho, o que vai, volta!"


  T.S.: Afinal quem escreve as letras?
  Ramires: A maioria sou eu. A parte instrumental sempre vem primeiro, depois crio a melodia, com palavras que nem existem, no "embromation" (risos), apenas deve soar bem. Depois em cima disso faço as letras de acordo com o que sinto que a música pede, sua intenção, o clima, entre outros aspectos mais subjetivos. E a inspiração vem do que a gente vive, lê, assiste, que nos atinge tanto externamente quanto em nosso interior.


  T.S.: Pra fechar, quem canta o ‘Melô do Repôlho’?
  Bruno: Minha avó! (risos) ... que também é avó do Ramires. Um dia ouvimos ela cantarolando essa música, que é dela, e tivemos a ideia de fazer uma brincadeira, uma espécie de marchinha de carnaval do Metal (risos). Lançamos no carnaval e acabamos colocando no CD como bônus.

  T.S.: Espaço reservado para mensagem da banda ao público.
  Cris: Obrigado a todos que dão apoio ao MUQUETA NA OREIA e ao Metal do Brasil. Valorizem o Metal em português, reconheçam a importância das bandas da nossa terra. Juntos somos mais fortes. Esse é nosso ideal!

 
"Blatta"

"Lobisomem em Lua Cheia"



CONTATOS: https://www.facebook.com/MuquetaNaOreia?fref=ts
http://www.reverbnation.com/muquetanaoreia

sábado, 15 de março de 2014

X-RATED - Um dos maiores nomes do Hard Rock Nacional!


  No final dos anos 80, com a efervescência do Heavy Metal no Brasil todo, o RJ foi o cenário para o primeiro supergrupo (junção de vários músicos conhecidos numa banda só) do Metal nacional. Pelo nome de X-RATED esse time atendia, time esse que era composto por Andre Chamon (baterista ex-STRESS), Mark DB (Marcos Dantas, guitarra ex-AZUL LIMÃO), Lucky Lizard (ex-vocal da METALMANIA) e Bruno Schubnel (baixo).
Lançaram 2 excelentes discos, o primeiro inclusive esta sendo relançado agora pelo selo carioca Urubuz Records e impulsionando a banda com essa line-up pelos palcos afora.
Conversei com Andre e Marcos sobre toda a trajetória da banda desde 1989 até o dia presente e você confere tudo agora aqui na Toca do Shark.
1990 - Mark (g), Lucky (v), Andre (bt) e Bruno (bx)
TOCA DO SHARK: Como a banda foi montada no final dos anos 80? 

MARCOS DANTAS:  Toquei com André na última formação do AZUL LIMÃO e com o fim do AZUL LIMÃO decidimos montar uma nova banda com repertório em inglês.
ANDRE CHAMON: Em 1987, depois que o Bala (vocal do STRESS) voltou para Belém e o Rodrigo (vocal do AZUL LIMÃO) viajou para a Espanha, eu e o Marcos Dantas ficamos sem bandas. Em 1988, formamos a banda FLÓRIDA com o baixista Alex Bressan (que tocou com o STRESS, antes de suspender suas atividades) e o vocal Décio (ex-EROS), mas, não foi adiante.
  No início de 1989, eu e o Alex nos unimos ao Luciano (ex-METALMANIA) e ao saudoso guitarrista Clóvis Mourad e formamos uma banda batizada de MAMUTTI por ninguém menos que Arnaldo Baptista (ex-MUTANTES). Também não vingou.
  No mesmo ano, eu e o Marcos resolvemos apostar em uma nova formação do AZUL LIMÃO, que, além de nós, contava com o Tavinho Godoy (vocal do METALMORPHOSE, que também estava parado) e o Augusto Schur no baixo. Chegamos a fazer shows no Rio de Janeiro e em São Paulo com esta formação. Mas, sentimos que o público estava acostumado demais com o Rodrigo no vocal e desistimos da ideia.
AZUL LIMÃO (1989): Augusto Schur (baixo), Tavinho Godoy (voz), Andre (bt) e Marcos (gt)
  Passamos, então a procurar músicos para formar uma nova banda, com um estilo diferente. O Hard estava em alta com o GUNS’N’ROSES no topo das paradas. Naquela época, as bandas nacionais começavam a compor em inglês, visando o mercado internacional.
  Neste cenário, o vocal rasgado e o inglês fluente do Luciano tornava-o a pessoa ideal para o nosso projeto. Além disso, o fato de ter tocado com o Robertinho do Recife no METALMANIA, fazia da banda uma união de músicos já conhecidos do Metal Nacional.
  Para completar o time, o Luciano nos apresentou o baixista Bruno Shubnel, que tinha o talento e o visual que estávamos procurando. Todos de cabelos compridos, usando jeans, jaquetas e bandanas, além da maquiagem bem no estilo Hard do final dos anos 80.
  Só faltava escolher um nome pra banda. Lendo uma reportagem na revista Playboy, encontrei o termo “X-Rated”, que era usado como advertência de conteúdo pornográfico, e achei um nome interessante para uma banda de Hard Rock, estilo frequentemente associado à sexualidade. Os outros membros acharam o nome legal e concordaram em batizar a banda com ele.
  Como almejávamos o mercado internacional, mudamos os nomes artísticos do Marcos e do Luciano para Mark DB e Lucky Lizard. Cheguei a pensar em mudar o meu para Andy Chamon, mas, mudei de ideia e achei melhor continuar como Andre mesmo, só tirando o acento.
FLÓRIDA - 1988

MAMUTTI - 1989
  Já no primeiro ensaio, rolou uma química perfeita entre nós. O entrosamento foi imediato e as composições fluíram com facilidade. Foi tudo muito rápido. Em novembro de 1989 fizemos nosso primeiro show e no ano seguinte, 1990, já estávamos lançando o nosso primeiro disco, “Shaking Like a Bad Machine”.

T.S.: No idos de 1991 vocês quase conseguiram tocar no segundo Rock in Rio através daquele concurso chamado ‘Escalada do Rock’, mas parece que não conseguiram por coisa de meio ponto, dando assim o lugar para a cantora gaúcha LAURA FINOCCHIARO, conte-nos mais sobre o ocorrido na época? 

MD:  Muito estranho. Achávamos que estávamos prontos para o Rock in Rio.

AC: Este é um assunto delicado. Correu um boato que o concurso serviria para legitimar a participação do VID & SANGUE AZUL e da LAURA FINOCCHIARO no Rock in Rio II. 
  A produção estava certa de que eles receberiam a maioria dos votos. Acontece que o X-RATED acabou surpreendendo e sendo classificado. A solução foi nos tirar meio ponto. A imprensa ficou a nosso favor e nos comparou com a Martha Rocha, que perdeu o título de miss universo por duas polegadas a mais nos quadris.

T.S.: Mesmo assim, na mesma época vocês conseguiram um contrato com a Phillips/Polygram para lançarem o segundo disco “Animal House”, o que foi um grande feito, mas, como era de praxe na época, as vendas foram baixas devido aos erros de distribuição da própria gravadora, que não sabia trabalhar uma banda de Hard Rock, disponibilizando horrores de cópias para grandes magazines e deixando as lojas especializadas no ramo sem o disco de vocês. Há quem diga que era impossível achar discos da banda, por exemplo, na Galeria do Rock em SP, o maior centro especializado em som pesado da América Latina. Era isso mesmo? 

MD:  Não soubemos como se dava o processo de distribuição. O legal é que foi fabricado em LP (vinil), Fita K7 e CD. De fato a propaganda da gravadora (na época Polygram) era orientada para o grande publico e deixava de lado as lojas especializadas e isto nos incomodava. Mas não tínhamos controle sobre isto. Como não fomos sucesso na rádio FM, a  gravadora não investiu mais na banda.

AC: Apesar de o X-RATED haver sido limado do Rock in Rio II, o Mayrton Bahia, que era o diretor artístico da Polygram e foi um dos jurados a votar em nós, resolveu contratar a banda para lançar um disco por esta multinacional.
 
1990
  Gravamos no estúdio da própria Polygram e os técnicos de som ficavam surpresos quando viam o Mayrton nos visitar no estúdio, o que não era um fato comum. Numa dessas visitas ele nos apresentou a Cássia Eller, uma artista ainda desconhecida que ele tinha acabado de contratar.
  Tivemos os melhores equipamentos à nossa disposição, mas, também enfrentamos alguns problemas. No meio da gravação, faleceu um familiar do produtor artístico, o português Paulo Junqueiro. Ele teve que viajar para Portugal e tivemos que continuar a gravação sozinhos.
  Uma curiosidade: minha filha nasceu durante as gravações. Ela tem a mesma idade do álbum “Animal House”.
 Tentamos convencer o Mayrton a fazer um trabalho de divulgação na mídia especializada, mas era difícil falar com ele. Às vezes tínhamos que ficar de tocaia, para conseguir uma reunião.
  Quanto à distribuição, acredito que o CD era oferecido para as mesmas lojas que compravam os outros lançamentos da gravadora. Com a falta de direcionamento na divulgação e distribuição, o álbum “Animal House” não foi devidamente trabalhado nas publicações e lojas do ramo.
Foto para divulgação do "Animal House"
T.S.: André, certa vez você me contou que a banda se apresentava com certa periodicidade nos programas da TV aberta brasileira, entre eles um programa de auditório da Angélica, ainda na TV Manchete (o qual se encontram algumas partes no Youtube) e devido a isso, tem várias histórias insólitas, conte algumas aqui pros fãs mais novos?

AC: O X-Rated se apresentou em alguns programas de TV para lançar o LP e o CD “Animal House”. O setor de divulgação da Polygram agendava as gravações e nos levava até as emissoras. Não tínhamos trabalho nenhum, era só chegar e tocar. Bons tempos aqueles!
  O programa em que mais tocamos foi o Milk Shake da TV Manchete, apresentado pela Angélica. Apresentamos duas músicas: ‘Realize It’ e ‘Across de Rush’. Era incrível como a banda animava a plateia, mesmo cantando em inglês e fazia todo mundo dançar Hard Rock, inclusive a Angélica.
  Antes da nossa apresentação, eram sempre exibidas esquetes protagonizadas pela Angélica, encenando pequenas estórias que tinham a ver com o nome da banda.
  Uma curiosidade: nas primeiras apresentações, a Angélica não conseguia pronunciar a palavra X-Rated (que é complicada mesmo) e pedia para o Luciano (Lucky) ensiná-la.
  Em um dos programas, ela fez aquela brincadeira do "telefone sem fio", falando "X-Rated" no ouvido da primeira criança da fila, para que ela repetisse no ouvido da seguinte até chegar à última. Quando a última criança da fila teve que falar o nome da banda em voz alta, foi muito engraçado: ninguém entendeu nada.
 
"Escalada do Rock" - 1991

Circo Voador - RJ 1991

  (Algumas destas apresentações podem ser vistas no YouTube, clicando nos links a seguir:

T.S.: A banda teve outras formações após 1994, certo?

MD:  Sim. Na verdade a banda nunca acabou. Quando Lucky e Bruno saíram colocamos Guto Dufrayer (vocal) e Arthur Caria (baixo) para substituí-los e depois Rod Eymael no lugar de Guto no vocal. Depois entrou Marcio Chicralla no lugar de Arthur no baixo. Marcio Chicralla tinha sido o primeiro baixista do X-RATED antes do Bruno.
"Daresafesexdisorder" 1994

"Untold Story (1993-1994)" - 2000
T.S.: O que fez a banda parar nos idos dos anos 90? 

MD:  A banda não parou. Ficou fazendo shows tocando cover misturado com poucas músicas da banda no set list durante muito tempo com Rodrigo Cotia (vocal) e Marcio Luiz (baixo)

T.S.: Vocês tem conhecimento duma banda de Pop japonesa que se chama X-RATED?

 MD:  Sim. Nosso nome é registrado e somos anteriores, então não há problema com isto. Há outras bandas no mundo que utilizam este nome.

T.S.: Recentemente o primeiro play voltou às vendas com o relançamento de luxo feito pela Urubuz Records e a banda está de volta à estrada, a formação é a mesma? Há a possibilidade de sair em CD também o “Animal House”? 

MD:  Sim. A formação é a clássica, original. Faremos shows de lançamento inicialmente no Rio de Janeiro e em São Paulo. Posteriormente pretendemos relançar o “Animal House” dependendo da repercussão do “Shaking...”.

T.S.: Como surgiu a oportunidade de vocês regravarem ‘Back in the U.S.S.R.’ dos BEATLES no primeiro disco? 

MD:  De fato não foi uma gravação para o primeiro disco. Foi uma gravação que utilizamos para concorrer ao Rock n Rio II. Ficou inédita este tempo todo. Resolvemos colocá-la de bônus no CD.
Lucky Lizard (voz)

Mark DB (guitarra)

Bruno Schubnel (baixo)

Andre Chamon (bateria)

T.S.: O que impulsionou o retorno da banda aos palcos? 

MD:  Vontade de tocar.

T.S.: Como vocês estão vendo a cena atual, principalmente com a valorização e reconhecimento dos pioneiros e o retorno de vários deles à ativa, exemplo amplamente visto no evento Super Peso Brasil em novembro passado em SP? 

MD:  É um sentimento muito bom... de que tudo aquilo que vivemos no passado valeu a pena!!!

T.S.: Agora, sem mais delongas, o espaço é todo reservado ao que vocês queiram falar:

 MD:  A vida é curta! Aproveitem!! 

AC: Gostaria de lembrar um evento importante na carreira do X-RATED: a abertura do show do FAITH NO MORE no Maracanãzinho, em 1991.
  Tocamos para mais de dez mil pessoas e fizemos um clipe com cenas ao vivo da música ‘Across the Rush’, que entrou na programação da MTV e outro da música ‘Kill Big Brother’.
  Para assistir a estes clipes é só clicar nos seguintes links do YouTube:
  Além de nós, este show teve a abertura de uma banda do Robby Rosa (ex-Menudo), que foi muito hostilizado durante a sua apresentação.
Show de abertura pro FAITH NO MORE (1991)
  Ocorreu um fato lamentável, que não foi divulgado na época. Na nossa passagem de som, quando ligamos a iluminação que havia sido alugada para o X-RATED, os roadies do FAITH NO MORE entraram chutando os spots e disseram que não poderíamos usá-los. Foi preciso a nossa empresária (que estava produzindo o evento) interceder e ameaçar cancelar o evento, caso não utilizássemos o equipamento de luz. A produção da banda headliner então teve que voltar atrás e dividir os holofotes conosco.

BANDA: X-RATED
DISCO: “Shaking Like a Bad Machine”
ANO: 1990
SELO: Urubuz Records
FAIXAS:
1.       Striptease Boogie
2.       Blue Heart
3.       Evil Generation
4.       Down in My Shelter
5.       I Wanna Beer
6.       King of the Hill
7.       Have You Heard the News?
8.       Face the Dog
9.       Cocktail Whale Crime
10.   In a Bad Mood
11.   Back in the USSR*
12.   Striptease Boogie (demo)
13.   Blue Heart (demo)
14.   Realize It (demo)

  E a banda carioca de Hard Rock pesado e sujo dos anos 90 X-RATED está de volta em evidência!
  No começo dos anos 90 ela fez um enorme barulho na cena apresentando um som ‘tipo exportação’ de primeira, com músicos tarimbados de extremo talento e currículos invejáveis que passavam por bandas como STRESS, AZUL LIMÃO e METALMANIA.
  Em 1990 lançaram este, que foi o primeiro disco pelo selo Heavy trazendo um Hardão foda à lá MÖTLEY CRUE, GUNS’N’ROSES (dos primeiros discos), RATT entre outros, com a inigualável voz de banshee de Lucky Lizard (ex- METALMANIA de Robertinho do Recife) e o instrumental digno de qualquer festa de Rock Pesado a banda por muito pouco não pisou no palco do Rock in Rio II no ano seguinte.
  Sonoridade rápida e cortante a banda apresenta na faixa de abertura ‘Striptease Boogie’, ‘I Wanna Beer’, ‘In a Bad Moon’ entre outras. A cadência na dose certa surge em músicas como ‘Blue Heart’ e ‘Evil Generation’ que ainda explicita todo o talento da dupla de cordas Bruno Schubnel (baixo) e Mark D.B. (Marcos Dantas ex-guitarrista do AZUL LIMÃO e atual METALMORPHOSE). O Metal aparece em ‘Down in my Shelter’ e Lucky judia da garganta em ‘I Wanna Beer’, mas, aposto que a cerva dava um jeito nela depois desse som rolar.
  Não há como destacar faixas e esconder outras, o disco é bem coeso, balanceado e recheado com o talento dos 4, incluindo aí o baterista Andre Chamon, um dos pioneiros do Metal brasileiro, sendo fundador da lendária STRESS de Belém do Pará.

  Para nossa alegria a gravadora carioca Urubuz Records nos presenteou com o relançamento deste primeiro registro da banda acrescido de um belo encarte e mais 3 faixas demo como bônus, incluindo aí ‘Realize It’ que viria no ano seguinte no segundo disco “Animal House”, outro disco obrigatório aos fãs de Hard Brasuca.