sábado, 21 de novembro de 2015

MAQUINÁRIOS “Intacto” (2015) - Surge mais um grande nome no sul do país!


BANDA: MAQUINÁRIOS
DISCO: “Intacto”
ANO: 2015
SELO: Independente
FAIXAS:
1 – Um Grito na Noite/
2 – Desgovernado/
3 – Além da Estrada/
4 – Veneno, Sangue e Destroços/
5 – Ignição/
6 – Vulto Negro/
7 – Anjo ou Réu/
8 – Seis Milhas para o Inferno/
9 – Intacto/

  MAQUINÁRIOS é um nome que tem que ser guardado aí nas suas anotações mentais, eu aposto na grandiosidade deles no Underground e rezo para que cresçam além das amarras da nossa cena, que sejam alavancados pro mundo, levando em sua obra a nossa língua, pois sim, o som pesado feito em bom português vem crescendo vertiginosamente nos últimos 15 anos de uma maneira sem igual. As pessoas perderam a vergonha da sua língua-pátria e as letras são muito inteligentes, inteligentes o suficiente para cantar em alto e bom som!
  O vocalista e guitarrista Watson Silva nasceu em Brasília (DF), começou a banda em Palmas (TO) e em 2014 desceu o mapa d’uma vez até chegar em Chapecó (SC) e encontrar lá as outras duas máquinas necessárias para essa engrenagem musical funcionar, Matheus Andrighi (bx/v) e Diego Massola (bt) e desde então trabalham duro para moldar o som do MAQUINÁRIOS que é bem calcado no Stoner Metal com um vocal super particular de timbre agudo e um instrumental rebuscado e áspero.
  Finalmente em outubro de 2014 rumaram para São Paulo, estacionando no renomado estúdio Mr. Som dos KORZUS Pompeu & Heros para darem luz à esse début maravilhoso de nome “Intacto” com uma capa igualmente marcante do artista francês Olivier DZO Ducuing.
Diego Massola (bt), Watson Silva (g/v), Matheus Andrighi (bx/v)

  O som é encharcado de influências refinadas como CORROSION OF CONFORMITY, RED FANG, BLACK SABBATH (claro, né?), CARRO BOMBA, PATRULHA DO ESPAÇO aqui e ali entre tantos outros. Sem dúvidas a ‘hand of doom sabbáthica' nas 6 cordas é claramente identificada em todo canto, destacar sons aqui é um feito hercúleo, mas a faixa de trabalho/clipe ‘Um Grito na Noite’ ao lado de ‘Veneno, Sangue e Destroços’ (que tem aquela pegada à lá CARRO BOMBA), ‘Ignição’ (seria um misto de BLACK LABEL SOCIETY com PANTERA, DOWN e até MEGADETH) e ‘Além da Estrada’ dão um bom exemplo do quê essa banda tem a oferecer.
  Procure sem preguiça, eles merecem e você mais ainda.

  Os canais são esses:
Clipe ("Um Grito na Noite") - https://www.youtube.com/watch?v=9R8n6VwlIbo
 Links:


Fone: (49) 9901-7753 (Chapecó/SC)

Assessoria – ASE Music: www.asepress.com.br

domingo, 15 de novembro de 2015

MAD DRAGZTER – Entrevista com o vocalista e guitarrista TIAGO TORRES


  Em meados dos anos 2000 uma das grandes revelações da cena nacional atendia pelo nome de MAD DRAGZTER e assim seguiu por alguns anos até sumirem de repente com grande futuro pela frente. Durante alguns anos as pessoas me perguntavam por onde andavam os caras da banda e nem eu sabia responder, pois eis que alguns meses atrás recebi uma mensagem do meu camarada Roque (da banda guaçuana D.O.R.) me oferecendo uma cópia do novo disco do MAD DRAZTER. Mas como assim, eles voltaram? Fui buscar meu CD com o Roque e ele me contou que os caras estavam de volta com a faca nos dentes e distribuindo gratuitamente o novo trabalho. Quando eu ouvi, que soco na cara... tratei de entrar em contato com a banda o mais depressa possível para botar tudo em panos limpos e à seguir você descobre tudo que aconteceu com a banda nos últimos 7 anos e ainda por cima, como descolar sua cópia do novo play da banda. Com vocês o MAD DRAZTER! 

TOCA DO SHARK -  A banda MAD DRAGZTER tem uma história no undeground da década passada com dois discos lançados de grande exposição, mas, em determinado momento na metade da década a banda sumiu, conte-nos o que aconteceu na época?

TIAGO TORRES - Sem dúvida. Lançamos nossa demo “New Times” em 2001, o “Strong Mind” em 2003 e o “Killing the Devil Inside” em 2006 e todos tiveram ótima repercussão. Mas eu, Tiago,  não fiquei contente com o direcionamento e resultado final do “Killing...” (hoje, para falar a verdade, gosto dele bem mais do que quando saiu). O disco ficou muito melódico e musical para meu gosto. E isso foi o fator da banda praticamente acabar no começo de 2007. Depois disso comecei a compor material novo, que a princípio seria um disco solo, mas que depois de mostrar para todos se transformou no terceiro play do MADZ. Então em meados de 2008 começamos a gravar as primeiras demos do “Master of Space and Time”, até seu lançamento em Setembro de 2015.

 TOCA – E a banda retornou com a mesmíssima formação da época em que pararam?

TIAGO - Sim. Voltamos com a mesma formação que está junta desde 2004.
 
Tiago Torres (g/v), Gabriel Spazziani (g), Eric Claros (bt) e Armando Benedetti (bt).

TOCA - Agora vamos falar sobre o novo disco. Como foi a concepção dessa obra?

TIAGO - Tive a ideia do nome do disco em meados de 2008 e a primeira letra escrita foi a ‘Master of Space and Time’. A primeira música inteira composta do disco foi a ‘Megiddo’ e à partir desse tema inicial fomos desenrolando e contando faixa a faixa quem é o Mestre do Espaço e do Tempo o que fez, o que faz e o que fará. Aliás, falamos bastante de passado, presente e futuro no disco.

TOCA - Ele veio, a meu ver, trazendo uma sonoridade mais trabalhada e adulta que as anteriores, com mais nuances e influências de fora do Thrash Metal usual de outrora, me corrijam se estiver errado.

TIAGO - Acreditamos e também temos ouvido bastante gente afirmar que é nosso melhor e mais maduro disco. As influências não-Metal sempre estiveram no nosso som, principalmente porque o Gabriel Spazziani (que além de ser o guitarrista solo também produziu o disco) é um cara muito eclético e gosta de misturar elementos nos climas e solos. Então o reggae, baião, melodias, entre outras elementos, já viraram características bem marcantes do som do MADZ. E ao mesmo tempo acho o “Master...” mais agressivo e rápido que os anteriores. No final, nesse play, quando é Thrash é Thrash, quando não é, não é...ahahahahahahahaha

TOCA - A capa é uma obra à parte, qual o conceito por detrás dela e quem fez a arte?

TIAGO - A capa foi criada a partir da passagem bíblica de Apocalipse 19:11. O Artista que criou a capa é o Sérgio Cariello, brasileiro radicado nos EUA há muitos anos que desenha para Marvel, DC Comics, entre outras. Bem conhecido por lá e por aqui também. E sem dúvida a capa ficou Matadora!!!!!

TOCA - Porque escolheram lançar o disco em formato físico e distribuí-lo gratuitamente?

TIAGO - Porque acreditamos ser a melhor maneira de uma banda pequena, parada há quase 10 anos divulgar seu novo trabalho. E um trabalho que depois de pronto nos surpreendeu pelo potencial. Então optamos por fazer 7000 cópias em formato bem simples e distribuir gratuitamente. Os fãs de Metal ainda gostam do CD físico e isso foi decisivo também. Também estamos distribuindo online em várias plataformas com muitos downloads. E pelo que temos ouvido da galera acertamos em cheio no formato. Os CD’s já estão quase esgotados com apenas dois meses de distribuição. 

TOCA - Esse projeto é caro, todos sabem e como foi custeado, teve patrocínios?

TIAGO - Foi custeado apenas pelos membros da banda e teve um grande subsidio por parte do Estúdio Casa da Lua, onde todo o disco foi gravado, que foi um grande parceiro nessa empreitada.

TOCA - Agora a banda voltou pra valer mesmo e recuperar seu espaço de direito na cena nacional?

TIAGO - Com certeza!!!! Voltamos para ficar e não parar mais!!! Ninguém segura o Dragzter Furioso!!!

TOCA - Quais os planos para 2016? Há datas marcadas já? Vão arriscar uma turnê gringa ou algo assim?

TIAGO - Nossa sequência é bem pé no chão! Primeiro vamos lançar o site novo, depois o primeiro clipe, após isso o Vinil Duplo. Quando isso for realizado virá o show de lançamento e uma possível tour. Que pode ser nacional e também gringa. Temos tido vários convites tanto no Brasil como fora. Mas como não vivemos da banda, temos empregos "normais", temos que conciliar a agenda de todos. Esperamos tocar o máximo possível. E sim, agendar um tour gringa!!

TOCA - Pra quem tiver interesse nesse novo trabalho da banda, quais os canais devem usar para conhecer o disco ou até descolar uma cópia física?

TIAGO - O Disco está sendo distribuído gratuitamente. Para quem mora em SP Capital ainda é possível encontrar o play na Die Hard, na Galeria do Rock. Para quem está fora de SP Capital ainda dá para pedir por email, no vendas@maddragzter.com.br . Nos demais pontos de distribuição o CD já está esgotado. Para baixar o CD Online: https://onerpm.com.br/album/935170912 

TOCA - Espaço final, digam o que quiserem.


TIAGO - Alexandre e Toca do Shark MUITO OBRIGADO PELO ESPAÇO E PELA FORÇA!!!! Estamos de volta!!!!! STAY THRASH!! STAY MADZ!!!!
www.maddragzter.com.br  
fotos by Renan Facciolo 

domingo, 18 de outubro de 2015

ROCK SOLIDÁRIO NO WAVE'S BAR (11/10/15) - Guaratuba/PR


  Pela primeira vez fui conferir de perto um evento da R.F. Produções Underground do litoral paranaense e justamente de frente pra praia maravilhosa do Brejatuba, a Praia Brava (nome sugestivo) no paraíso litorâneo de Guaratuba/PR
  Lá no Wave's Bar (uma espécie de contêiner transformado em um baitacão com quintal de fronte ao mar e à uma famosa casa de espetáculos da área) a produção do evento resolveu reunir grandes nomes do Hardcore Underground do Paraná para arrecadar mantimentos para os mais necessitados e mesmo sendo feriado prolongado não deu um público grande afinal, a chuva assolava a cidade à mais de duas semanas sem dar trégua e sendo um domingão preguiçoso, natural que o pessoal estivesse debaixo dos cobertores, mas, mesmo assim o saldo foi positivo, com mais de 130 kg de alimentos arrecadados e uma festa generalizada, conforme eu pude conferir de perto nos shows das 3 bandas (das 8 que iriam se apresentar) que presenciei e é sobre elas que vou falar agora.
E.G.M. (a.k.a. Emílio Garrastazu Médici)

  O E.G.M. foi a segunda banda do evento e a primeira autoral e a primeira que conferi naturalmente, com 3 anos de estrada essa banda de Punk Rock de Curitiba faz aquele punkão cara-de-pau, curto e grosso, sem firulas, é 'pá-cum-pá-pá-cum-pá' com pitadas de surf music nas guitarras e o coro come, grandes letras e muita empolgação em faixas como 'Skatológica', 'Bad Trip' e Pão Quente' entre outras igualmente empolgantes, a galera ia à loucura em cada faixa, mostrando conhecimento de causa e descompromisso com o mundo exterior, ali era PunkRockHardCore e nada mais.
SICK SICK SINNERS

  Em seguida veio a maior banda do cast, a sensação do Psychobilly paranaense SICK SICK SINNERS, um power trio super equipado que veio com 'jogo-ganho', 10 anos de estrada, sendo 8 rodando o mundo, 3 álbuns na praça, sendo 1 EP, 2 CDs full lenght, incluindo uma versão em vinil do mais recente "Unfuckinstoppable" que saiu no final de 2014, a banda arrumou uma brecha na sua agenda internacional para fazer um show caótico e empolgante na praia por uma boa causa e seu séquito estava presente, grandes sons à base de baixolão, guitarra Gretsch e bateria, o psychobilly envenenado deles despejou clássicos do underground como 'Coffee Freak', 'Hospital Hell', 'We Wanna Drink Some More', 'Beer and Flesh Meat' e 'Curitiba Rotterdam Psycho' que virou 'Caiçara Guaratuba Psycho' pra fechar a festa num pandemônio sem precedentes!
MUSTAPHORIUS (numa tentativa de foto)

  Com 5 anos de estrada a banda também curitibana MUSTAPHORIUS trouxe um misto de H.C. com Grind e pitadas de SUICIDAL TENDENCIES mantendo o clima lá em cima com suas canções como, 'Cuzido e Solitário', 'O M do Mundo', 'República Federativa da Ofensa Brasileira', 'Sangue Suga' e 'Virou Canhão' além da versão pro clássico do R.D.P. 'Beber até Morrer' que reuniu a banda com o vocalista do E.G.M., Topeira e alguns fãs alucinados em cima do palco, uma puta festa e mais um show destruidor!
  Eu, precisei sair e perdi os próximos shows que contariam com as bandas GRADE, ALUCINADOS, OS SOBREVIVENTES e BORDINÁRIOS.
MUSTAPHORIUS
  Mais uma vez meus parabéns à todos envolvidos na organização deste evento R.F. Produções Underground, Wave's Bar e as bandas que tocaram, além, claro, do mais importante, o público que se fez presente que, mesmo debaixo de chuva e frio, foram pra beira mar agitar um Punk Rock!
  Fotos Alexandre WildShark.

MUSTAPHORIUS no momento 'juntatribo'

SICK SICK SINNERS

MUSTAPHORIUS

E.G.M.






quarta-feira, 7 de outubro de 2015

Arandu Arakuaa - Padi (Official Lyric Video) HD






"A banda Arandu Arakuaa lançou seu segundo full length “Wdê Nnãkrda” (tronco de árvore na língua indígena Akwẽ Xerente).
O disco conta com cinco músicas no idioma Akwẽ Xerente, três em Tupi, duas em Xavante e uma em Português. A diversidade de idiomas indígenas busca chamar atenção para preservamos as riquezas que ainda temos, dentre elas as línguas indígenas brasileiras que ainda resistem e as que carecem serem preservadas.


Wdê Nnãkrda” foi produzido, mixado e masterizado no Broadband Studio em Brasília por Caio Duarte (Dynahead), e lançado de forma independente no Brasil em 05/10/2015.
Confira vídeos e áudios oficiais

ARANDU ARAKUAA NAS REDES SOCIAIS:

CONTATO PARA SHOWS:

domingo, 27 de setembro de 2015

ENTREVISTA COM LUIZ CARLOS BARATA CICHETTO


  São Paulo é uma selva cultural sem precedentes, sem contra-indicações nem prescrições médicas. Uma megalópole multi-cultural, miscigenada, globalizada, marginalizada, corrompida e sem paradigmas ou dogmas que a cerceie. E lá se encontra as mais variadas espécimes de artistas, dos mais letrados e formados multi-mídias do mundo, aos mais despreparados e infantis. Mas, os que mais se identificam com a cidade são os undergrounds, os marginais, os escrotos pluralistas poluídos e contaminados com as loucuras mil de uma vivência aprofundada no submundo da sociedade que a novela mostra. Dentre esses personagens interessantíssimos da capital paulista, encontrei há mais de uma década o Barata, sim, simples assim, aquele ser que sobrevive à tudo (reza a lenda que até a bomba atômica), aos altos e baixos financeiros e emocionais, um cara que tem bagagem de sobra pra escrever as poesias mais recheadas de conteúdo 'do-contra' que já conheci, uma agitador cultural de qualidades mil e capacidades ímpares de 'se virar' nessa vida sem regras.    Comecei a escrever no site dele depois de uma conversa numa mesa de bar de pouco mais de meia hora, há 12 ou 13 anos e assim nasceu a TOCA DO SHARK em sua primeira versão, como uma coluna de tema livre, com nome inspirado também numa coluna do site dele que era a Toca da Barata ou algo assim. Tenho uma dívida moral com ele que jamais pagarei, sendo assim abro espaço pra ele conversar com os internautas da Toca explicando melhor quem ele é... ou não.

TOCA DO SHARK - Primeiramente, diga-nos quem ou o quê te levou para o mundo da poesia e quando começou?
LUIZ CARLOS BARATA CICHETTO - Bien... O que me levou à poesia não foi a poesia..rs... mas o Rock. Eu comecei a escutar muito Rock, desde os 11, 12 anos. Sempre gostei de ler, de escrever, mas eram pequenas histórias, contos. Mas, por volta de 1974, 75, descobri o trabalho de um sujeito chamado LOU REED. Li numa revista a tradução de umas letras dele logo depois e aí meu amigo, aí a coisa pegou. Eu tinha dezesseis, dezessete anos e tinha acabado também de descobriu a Boca do Lixo de São Paulo, as putas, os puteiros... E esse coquetel fez com que eu quisesse ser igual a ele. Cortei o cabelo curto, comprei óculos escuros. Não tinha grana, então improvisava no visual. E foi ai que comecei a escrever poesia. Que durante muito tempo para mim nem eram poemas, mas letras de musica. Imaginava que chegaria alguém e pudesse transformar tudo aquilo em musica. Nunca tive paciência para aprender nenhum instrumento musical. Bem depois, quatro ou cinco anos depois - lembre-se que não havia Internet e o acesso a informação era muito restrito, até por que vivíamos na época do Regime Militar, com uma censura braba -, foi que comecei a ler de fato os poetas. Descobri primeiramente Augusto dos Anjos e na sequencia Baudelaire. Isso veio a sedimentar mais ainda essa veia.

T.S. - Pra você, quem são os nomes mais importantes da literatura em geral?
BARATA - De uma forma geral, incluindo poesia e prosa, meu destaque sempre vai para escritores como os que citei acima, além de Bukowski (a prosa, que a poesia dele eu não gosto), Aldous Huxley, George Orwell, que aliás nasceu no mesmo dia que eu, Henri Miller, Adelaide Carraro, que foi minha escritora preferida na época que andava pela Boca. Em termos de literatura, sou do tipo que lê até bula de remédio, se tiver uma certa estética,  rsss. Há alguns anos, descobri uma escritora que mudou muito a minha maneira de pensar o mundo, que creio ser uma das maiores funções da arte. Ayn Rand é a escritora. Uma russa naturalizada americana, que tem uma filosofia absurdamente perturbadora sobre o que é individualismo. Uma critica ferrenha aos falsos coletivismos. Gosto muito de biografias, também. 

T.S. - Durante a sua carreira você tentou lançar livros da maneira convencional, ou seja, patrocinado por editoras ou caiu de cabeça logo de cara no underground?
BARATA - Alexandre, eu fiz um circulo completo nessa questão. Em 1976/77, comecei a fazer "jornalzinho", como a gente chamava, antes do termo "fanzine" aparecer por aqui. Em 1981 lancei um livro de poesia chamado "Arquíloco".Tinha quase 100 páginas e era mimeografado, em mimeógrafo à álcool. Fiquei uns anos, em função de filhos pequenos praticamente sem escrever. Depois tentei por algum tempo editoras, concursos literários, esses caminhos que qualquer escritor busca. Nunca obtive sucesso. Em 2011 um editora do Rio se propôs a editar um livro meu, mas não me deu o menor apoio ou divulgação, e ao que sei, devem ter feito uns 50 exemplares do livro. Em 2010, quando eu e AMYR CANTUSIO JR (nota da redação: exímio instrumentista reconhecido mundo afora com mais de 40 anos de carreira nos teclados, natural do Brasil mas ignorado aqui no país, como sempre) criamos "Vitória", eu precisava lançar o libreto. E foi assim que nasceu a ideia da Editor'A Barata Artesanal, pela qual já lancei cerca de 60 títulos, entre meus e de outros autores.

T.S. - De 1 a 100% qual o grau de influência do ROCK AND ROLL no seu trabalho?
BARATA - Hummm, difícil...rs... Essa influência existe, claro, conforme relatei. Foi por causa do Rock que comecei a escrever. Ainda hoje, muitas coisas minhas são direta ou indiretamente influenciadas pelo Rock. Mas, sou um sujeito ligado nas coisas da mente, das perturbações do ser humano, na filosofia, enfim. Mas como tua pergunta gira em torno de percentual, eu diria que a coisa é dividida assim: trinta por cento é Rock.

T.S. - Li muitos de seus relatos desde seu site 'A Barata.com - Liberdade de Expressão e Expressão de Liberdade' e sempre você contava suas particularidades com a cultura underground paulista, de shows de Rock à bordéis, passando por botecos enfumaçados. Gostaria que elucidasse melhor essa sua literatura que mais se parece com músicas do VELVET UNDERGROUND ou NEW YORK DOLLS, é tudo baseado em fatos reais ou tem um alto grau de ficção nela?
BARATA - Bom, creio que a maior parte da sua pergunta eu já adiantei na resposta da primeira pergunta. Fica apenas a questão da factibilidade do que escrevo. Qualquer escritor é autobiográfico, alguém já disse. E absolutamente tudo que escrevo tem a ver com minha vivência, com acontecimentos que presenciei, com pessoas - principalmente - que conheci, etc. Claro que tem o necessário componente ficcional agregado, afinal o que escrevo é basicamente poesia e crônica, e sem esse componente, jamais se consegue boa literatura. Mas, mesmo em poesia, nunca descrevo uma experiência que não tive, um pensamento não experimentado. As personagens, pode acreditar, todas elas existiram e existem de fato.

T.S. - Você trabalhou alguns anos com a PATRULHA DO ESPAÇO desenvolvendo o site deles e também acompanhando eles numa turnê pelos idos de 2003, relatando tudo num de seus livros. Gostaria de saber se antes você já tinha trabalhando tão intimamente com uma banda de ROCK ou se ainda gostaria de repetir essa experiência?
BARATA - O trabalho com a PATRULHA DO ESPAÇO foi entre 2002 e 2004. Quatro anos completos, que terminaram com a dissolução da formação iniciada em 1999. Nessa época eu viajava com a banda, fazia o site, vendia shows. Fui também o idealizador de um dos discos, o ".ComPacto". foi uma época fantástica, de muito aprendizado, não apenas do que é o mundo de uma banda de Rock, como pelo aspecto de relações humanas. Um aprendizado de vida, enfim. Acontecia de tudo nessas viagens, era pura adrenalina, puro tesão. Nunca tinha trabalhado diretamente com uma banda, e não creio que gostaria de voltar a fazer. Na vida temos que dar passos adiante, criar experiências novas. Ademais, estou com 57 anos e não tenho mais o pique para encarar, por exemplo, 25 horas de viagem dentro de um ônibus velho, que pode parar na estrada, enfrentar donos de bares caloteiros, enfim, as coisas inerentes a chamada Estrada do Rock. Underground no Brasil.

T.S. - Agora sua nova investida (desde o ano passado) é a revista independente "Gatos & Alfaces", primeiro, de onde veio esse nome e o que ele quer dizer?
BARATA - Fiz inúmeras publicações independentes, sempre no formato fanzine, mas queria algo mais sólido, mais com cara de revista, mesmo. Por outro lado, queria criar uma revista de Rock, mas não da forma que sempre se fez, com entrevistas, biografias, essas coisas. Tudo isso hoje está na Internet, e não queria uma revista nesses moldes. Queria algo que fizesse as pessoas pensarem, que abordasse determinadas coisas de Rock sob um outro prisma, que tivesse pessoas que não seriam as costumeiramente e necessariamente ligadas ao meio. Convidei alguns amigos, como o Genecy Souza e o Jorge Bandeira, de Manaus, que foram colabores fixos, participando em todos os números, com seus textos. Genecy é um aficionado por Rock, mas não tem nenhuma atividade ligada ao meio, o que faz com que seus textos, sempre lúcidos e ácidos, não tenham nenhum tipo de amarra. Já o Jorge é um agitador cultural, diretor de teatro e dono de um espaço cultural em Manaus, além de ser escritor, e tinha uma coisa fantástica que era uma espécie de biografia de um determinado artista de Rock em cordel. Não tenho conhecimento de ninguém que tenha feito nada assim antes. Rock e Cordel parece ser uma mistura que não agrada a nenhum lado, nem a turma do Rock, nem a turma do Cordel. Mas, é uma coisa sensacional, que garanto que surpreendia positivamente os leitores da revista. Com relação ao nome, a história é a seguinte: Um amigo de Facebook, o André Luiz Leite, postou uma chamada, em tom de brincadeira, usando uma charge. O tema era: "Vamos fazer um fanzine?". E daí a conversa desandou, com a Gigi Jardim, uma outra amiga já de algum tempo, sempre ligada nas coisas do Rock, botando pilha. Num determinado momento, a coisa debandou para as pessoas começarem a falar de gatos, e por algum motivo que não  lembro, alfaces. Então me deu um estalo: então aqui todo mundo gosta de gatos e de alfaces... Então esse será o nome da revista. E assim ficou. O gato sempre foi o símbolo da revista, e até a penúltima edição era pintado manualmente, um a um, pela minha mulher, cada edição de uma cor diferente.

Algumas edições da revista
"Gatos & Alfaces"
T.S. - Agora sim, fale mais sobre essa revista, venda o seu peixe.
BARATA - Não seria o caso de vender o peixe, mas sim o gato... rsrsrsrs. Mas como dizia minha avó, a gente tem que estar sempre com um olho no gato e outro no peixe... E edição seis da revista está a venda, e traz entre outras coisas, um CD com 21 faixas chamado Ciberpajé - Egrégora, idealizado pelo mestre Edgar Franco, um artista multi-mídia, professor da Universidade Federal de Goiás. O disco tem bandas de seis países e se trata de uma interpretação por parte de cada banda ou artista de um aforismo escrito e interpretado pelo Edgar. Ademais, como nem só de Gatos e de Alfaces se vive, o meu peixe mais fresco é o livro de poesia "Troco Poesia Por Dinamite" e um que, sinceramente não sei classificar, que tem o titulo de "Manual do Adultério Moderno". Esse deve ser lançado ainda em Outubro, e a ideia é que o evento de lançamento seja feito num puteiro no centro de São Paulo.

T.S. - E a festa "ROCK IN POETRY" que já teve 3 edições, servindo de plataforma para lançar alguma edição da revista e algum livro novo seu, fale mais sobre a festa e sua equipe?
BARATA - "Rock In Poetry" é uma ideia que sempre procurei colocar em prática desde quando comecei a organizar eventos, ainda nos primeiros anos da década passada. Misturar Rock com poesia, basicamente, além de outras formas de arte, sempre foi o objetivo, mesmo que não tivesse esse titulo. Nesta era, a primeira edição eu fiz praticamente sem nenhuma ajuda, apenas com a Gigi, que deu uma força na produção. Na segunda tive o apoio do Jones Senoj, que começou também a colaborar na parte comercial da revista. E na terceira, os dois. A primeira edição, da Galeria Olido foi fantástica, com poucos problemas e boa afluência de publico e uma repercussão muito boa. Nessa edição, além das apresentações das bandas KAMBOJA e BLUES RIDERS, aconteceu um fato histórico, que foi a apresentação da banda PSYCHOTIC EYES, mostrando algo totalmente inusitado, que foi o primeiro show de Death Metal Acústico. A repercussão disso foi até em sites do exterior, fazendo com que a banda se animasse a gravar o primeiro trabalho do gênero: um CD Acústico, com apenas dois violões, de uma banda desse estilo. A segunda, feita no Bar do Aranha, que infelizmente recentemente fechou as portas, teve um resultado bem mais modesto, embora tivesse contado com bandas muito boas, como a POOLSAR e a VENTO MOTIVO, que tem entre os músicos o lendário Kim Kehl e a poesia poderosa do Fernando Ceah. Agora, a terceira edição, embora tenha voltado à Olido com muito mais garra e organização, fatores externos, como shows internacionais acontecendo no mesmo dia na cidade, fizeram com que o publico fosse menor. Além disso, uma das bandas anunciadas cancelou a apresentação quinze minutos antes. Mas, por outro lado, a apresentação de AMYR CANTÚSIO JR foi impecável, com sua erudição e maestria ao interpretar Rock Progressivo, além da banda MUQUETA NA OREIA, que tem uma pegada muito forte, com letras muito foda e faz uma pancadaria sonora no palco. 

Há 3 edições a revista passou a encartar CD's
de bandas independentes.
T.S. - Como é a última pergunta, eu não pergunto nada, fale o que você quiser:
BARATA - Primeiramente, claro, agradecendo pelo espaço na Toca do Shark, que é parceiro e amigo há muito tempo. E lembrando que continuo com meu programa na webradio Stay Rock Brazil, todas as segundas-feiras as 22:00 com duas horas de Rock In Poetry e Fuck'n'Roll. Além disso, quero falar que estou, mais uma vez com AMYR CANTÚSIO JR, compondo uma nova Opera Rock, nossa terceira em cinco anos. Desta feita estamos contando com um reforço maravilhoso de uma cantora de Minas Gerais chamada Liz Franco, que além de uma voz maravilhosa é também poeta e tem criado as melodias para as faixas de sua participação. Possivelmente em novembro a obra estará a venda, e o tema é bem mais pesado que das outras, falando sobre a Síndrome de Cotard, também conhecida como "Síndrome do Morto-vivo". Aguardem e ouvirão um trabalho de ponta, como nunca se fez no Brasil, é isso. 
Abraço, Alexandre e todos os amigos da Toca do Shark. 
Amizade que não é de hoje...

CONTATOS:
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http://baratacichetto.blogspot.com.br/

quarta-feira, 26 de agosto de 2015

ROCK IN POETRY 3 – Lançamento da revista ‘Gatos & Alfaces #6’




  Há uns 15 anos atrás peguei nojo da palavra ‘Underground’ devido ao seu mal uso por parte de uns cabeça-oca filhinhos de papai da minha cidade que tomaram para si o uso desta palavra como se fosse um slogan, mas, passados 15 anos como eu bem disse, centenas de shows (sim, centenas), milhares de quilômetros rodados nesse Brasil afora e umas 4 ou 5 centenas de CD’s, discos, fanzines, K7s etc... de bandas autorais brasileiras depois posso me dar ao luxo de dizer que sei muitíssimo bem o que quer dizer essa palavra feia que a muitos assustam e a outros tantos que a fazem de chacota. Pois bem, outro cara que sim pode-se valer do bom uso dessa palavra é o agitador cultural e ativista ferrenho das boas artes marginais Luiz Carlos Barata Cichetto. Esse idealizador da revista ‘Gatos & Alfaces’ e do evento ‘Rock in Poetry’ que chega a sua terceira edição voltando para a Galeria Olido, no centro-velho clássico, sujo e marginal da maior megalópole sulamericana, a capital cultural brasileira onde todos os tons e sotaques se misturam, São Paulo/SP.

Nova edição da Gatos & Alfaces com capa e arte de
Edgar Franco, o Ciberpagé.
   E, como bom evento Underground que se preze atravessou alguns infortúnios mas mesmo assim ocorreu bravamente até o final programado para as 21hs.

  A festa que estava programada para se iniciar às 18hs na Vitrine de Dança da Galeria Olido teve um atraso na montagem dos equipos, e o primeiro artista escalado pra festa, o tecladista veterano AMYR CANTÚSIO JR. do projeto ALPHA III (de Campinas/SP) começou por volta das 18:40 seu set de improvisos instrumentais ao lado do também tecladista Paulo Beto da ANVIL FX. Juntos tocaram por cerca de 40 ou 50 minutos um set composto por improvisos baseados em Kraut-Rock e sons espaciais, como trilhas de filmes de ficção científica, uma verdadeira viagem experimental curiosamente acompanhada pela platéia que estava presente em número modesto, devido ao outro evento que acontecia noutra sala da mesma galeria com o veterano artista EDY STAR com seu show ‘O Baú do Raul Revirado’.
Amyr Cantúsio Jr. (ALPHA III)

Paulo Beto (ANVIL FX)

Amyr Cantúsio Jr. e Paulo Beto
Amyr sob um ponto de vista alternativo.
Os populares que estavam de passagem pelo calçadão paravam para assistir através da vitrine pixada da galeria.
Quer mais Underground que isso?
  Durante o show de AMYR e após Luiz Barata foi ao microfone recitar alguns de seus poemas presentes no livro ‘Troco Poesia por Dinamite’ à venda na festa ao lado das revistas ‘Gatos & Alfaces’ #5 ainda disponível e a #6 que estava sendo lançada naquela noite acompanhada por um CD “Ciberpajé – Egrégora” do artista transmídia Edgar Franco, que conta com 21 aforismos musicados por bandas do Brasil, Suíça, Inglaterra, Colômbia e França.

  A próxima banda programada para se apresentar seria a genial FLORES DO FOGO natural do RS atualmente radicada em Barueri/SP, mas, pouco antes da festa começar recebemos uma ligação do vocalista Ricardo, informando que o baterista tinha sido hospitalizado e que a banda não poderia de forma alguma se apresentar naquela tarde, aguardamos mais notícias e que não seja nada tão grave.

  Veio então a banda de Metal de Embu das Artes/SP, velha conhecida dos que acompanham a Toca do Shark, MUQUETA NA OREIA.

MUQUETA NA OREIA
  Eles que também participaram do projeto “Egrégora” iniciaram o show com o aforismo gravado pro CD, uma composição macabra, soturna e sinuosa, uma verdadeira peça de arte obscura para servir como introdução de um show violento e pesado como o deles.

  Dali em diante o coro comeu solto com vários sons conhecidos dos fãs (que marcaram presença) como ‘Cabeça Vazia’ e ‘Primogênito de uma Meretriz’. Ai era hora de chamarem o Barata para recitar mais um de seus poemas e vieram com outra novidade, a versão que fizeram para o clássico ‘Bomba’ da PATRULHA DO ESPAÇO que sairá no “Tributo à PERCY WEISS”, meu, versão mais pesada impossível, que bomba!

Ramirez (v) não parava quieto, decolava em seus pulos e ia pra platéia.

Cris (bx/v) e Bruno (g) - MUQUETA NA OREIA
  Depois da faixa do primeiro álbum ‘Lobisomem em Lua Cheia’ a banda presta um tributo ao Metal Nacional com um mix de riffs e frases de vários clássicos do SEPULTURA e emendam com ‘Exu Caveira’ com o vocalista Ramirez dando uma mãozinha na percussão. Aliás, banda afiadíssima, destaque pra todos os quatro, a guitarra de Bruno poderosa, assim como a bateria do descomunal Henry aliada ao baixo de Cris que ainda dá uma bela força nos vocais.

  ‘Imortal’ fecharia o set, mas após umas considerações finais do Barata e sua equipe, os fãs pediram mais uma e a banda veio logo com duas pedradas finais, o já hino da banda ‘Hardware, Software e Tupperware’ e ‘Opalão’, que acabou queimando um ampli que lá estava em uso, afinal, fest underground que se preze tem que ter um ampli queimado pra fechar o prejuízo da noite.
  (N.R.: Veja como foi o show dos MUQUETAs na filmagem da Cátia -do Casal Rock-: https://www.youtube.com/watch?v=qDIIdJpbF3A )

  Enfim, falar que é Underground é bem fácil, principalmente hoje em dia, pela web, pelos bares de bandas covers ou pelas ruas usando camisetas de shopping, difícil é sair de casa pra fazer um evento dessa magnitude sem cobrar um centavo de entrada tendo que arcar com os dividendos finais.

Underground é isso!
  Mais uma vez a Toca do Shark está aí louvando a loucura e coragem de Luiz Carlos Barata Cichetto e toda sua equipe.
  Menção honrosa ao novo parceiro da empreitada Jones Senoj, a presença das equipes das rádios Stay Rock Brazil e Rock Nation, ao veterano Luiz Domingues (baixista que já tocou com LÍNGUA DE TRAPO, A CHAVE DO SOL, PATRULHA DO ESPAÇO, PEDRA...) que escreve sempre na revista, à vocalista Tibet (AJNA), idealista do projeto de conscientização ‘Quem Sabe Faz Autoral’ (https://www.facebook.com/groups/quemsabefazautoral/?fref=ts ) e da dupla de documentaristas Bolívia e Cátia (Casal Rock).

  Qualquer desses materiais citados nesta matéria podem ser adquiridos através do canal https://www.facebook.com/gatosealfaces?fref=ts e pelo email contato@gatosealfaces.com.br .
Barata e Amyr Cantusio Jr.





Ramirez (MUQUETA) dando um rolezinho na platéia

Cumprimentando Ramirez pela performance

Barata lendo um poema musicado pela dupla.

Fotos by: Alexandre Wildshark e Bolívia & Cátia (as indicadas).