quarta-feira, 1 de julho de 2015

ENTREVISTA COM OSWALDO 'ROCK' VECCHIONE - MADE IN BRAZIL (20/06/15)




 O bom de se conversar com quem tem história é que os assuntos vão se entrelaçando e a pauta que era rápida e pequena se torna super extensa e detalhada.
  Já tinha entrevistado Oswaldo 'Rock' Vecchione umas outras vezes e isso sempre se repete, porque ele TEM histórias para contar de sobra, sendo ele quem é, o mentor da primeira grande banda de ROCK AND ROLL do Brasil e a mais antiga em atividade ininterrupta, sim, o MADE IN BRAZIL, os assuntos nunca cessam, mas dessa vez garanto que me segurei pra não estender muito o papo afinal, a banda ainda tinha que passar o som depois da entrevista. E mesmo assim surgiram assuntos que não estavam na pauta, como a perna recém operada de Oswaldo que insiste em tocar com a perna quebrada e as versões de músicas de bandas internacionais que a banda fez ao longo de sua discografia, culminando numa polêmica que você lê à seguir somente aqui na TOCA DO SHARK.
  Põe o vinil pra rodar e boa leitura!


TOCA DO SHARK – Oswaldo, vamos começar falando sobre o momento atual da banda e o lançamento do álbum “Massacre” em vinil. Ele era pra ter sido lançado em 1977 originalmente, foi censurado pela ditadura militar, finalmente foi lançado em CD em 2005 e agora, 38 anos depois ele saiu no formado que deveria em LP. Como está a aceitação?
OSWALDO ROCK VECCHIONE – O “Massacre” foi uma surpresa. Na verdade a gente inicialmente fez uma tiragem pequena que já se esgotou. As críticas foram bem favoráveis, não vi nenhuma falando mal, mas é o momento político também, pois ele foi uma das vítimas da ditadura que prejudicou todo terreno artístico desse país, não só a música, mas o teatro, filmes, literatura, poesia e afins. Está nos planos fazer um “Volume II” até, com muita coisa que não entrou nesse volume. No meu acervo encontrei muitas gravações da época em K7, fita de rolo e VHS. Eu encontrei um show inteiro da turnê “Massacre” de 1977 no Teatro Tereza Rachel do RJ que tinha eu no baixo, meu irmão Celso, Tony Babalú e Wander Taffo nas 3 guitarras, Juba (que depois foi pra BLITZ) na bateria e o Percy nos vocais, talvez a gente aproveite 18 minutos desse show no lado B e o restante do material não aproveitado será o lado A desse segundo volume do disco “Massacre”.

T.S. – Então podemos esperar com total certeza um segundo volume desse disco?
O.V. – Sim. Na verdade eu fiz um acordo com o pessoal da Mafer Records de São Paulo, que já lançou outros títulos em vinil no país, eles fazem uma tiragem limitada de 300 LP’s, só pra colecionador. O Danilo da Mafer me falou que vendeu quase tudo já que ficou com ele na loja e que pretende re-lançar esse volume I mas só daqui uns dois ou três anos. Mas ainda nesse ano, entre outubro e novembro sai o segundo volume. E também estou negociando um tributo ao Cornélius Lúcifer, com material ao vivo que tenho em meu acervo. Ainda estou selecionando o que pode ou não entrar pra gente lançar um LP bacana em tributo ao cara, que ele merece.

T.S. – Aproveitando o gancho, esse disco, o “Massacre” já tem dois integrantes que não estão mais entre nós, que é o guitarrista Wander Taffo que nos deixou há 7 anos e o vocal Percy Weiss que nos deixou há pouco mais de 2 meses, além do citado Cornélius Lúcifer que se foi há pouco menos de 2 anos. Amanhã vai ter um grande show em homenagem aos dois vocalistas na Virada Cultural de SP com alguns convidados e eu gostaria que você falasse mais sobre esse show.
O.V. – O show da Virada seria um tributo somente ao Cornélius, o Percy estava ‘costurando’ esse show todo junto à organização da Virada, ele iria participar inclusive, cantando com uns convidados, mas ele acabou falecendo antes e então eu resolvi propor à direção da Virada estender essa homenagem também ao Percy.
  O lance seria somente o repertório do primeiro disco que o Cornélius gravou, o “Made in Brazil” (1974) também conhecido como “disco da Banana”, como o pessoal da Virada aprovou minha ideia, iremos tocar cinco músicas do “Banana” e mais cinco do “Jack, o Estripador” (1975) que o Percy gravou conosco. Os convidados são Simbas (ex-CASA DAS MÁQUINAS), Pompeu do KORZUS, Dino Linardi que cantou na última formação do GOLPE DE ESTADO e Paulão de Carvalho das VELHAS VIRGENS.

T.S. – E falando em vocalistas do MADE IN BRAZIL, o que aconteceu com o Caio Flávio?
O.V. – Ele trabalhou muitos anos com a orquestra do Silvio Santos e atualmente trabalha com o Zezé de Camargo & Luciano há uns 15 anos.

T.S. – E sobre essas duas turnês que o MADE planejou para esse ano, “Massacre” e “Combate Rock”...
O.V. – ...a turnê desse ano é a “Combate Rock”. Esses shows especiais que nós montamos, tipo o de amanhã na Virada, o “Massacre” e o “Jack...” que a gente tinha combinado com o Percy, logicamente iremos fazer ainda, mas com algum convidado no lugar dele, temos vários shows montados, mas o que a gente excursiona pelo país é o “Combate Rock” que tem um repertório que passa por todos discos que nós gravamos.

T.S. – E aquela turnê que teriam standarts do Rock and Roll e do Blues mundial?
O.V. – Era a turnê que durou até o ano passado, durou um ano e meio, o “Rock Tributo” onde a gente misturava umas versões dos clássicos do Blues e do Rock mundial ao nosso repertório. Agora a gente mudou o set e mudamos o nome do show. Esse atual tem mais os sucessos, aquele tinha mais Blues, versões que fizemos de clássicos que gravamos nos discos oficiais da banda.

T.S. – Pegando esse gancho, o MADE tem algumas versões em português gravadas em seus discos, de bandas como T.REX, MUDDY WATERS, AC/DC...
O.V. – Isso, FREDDIE KING, alguns números que foram versões como ‘Mickey Mouse, a Gata e eu'...

T.S. – E a ‘Minha Vida é Rock and Roll’?
O.V. – Não, ‘Minha Vida é Rock and Roll’ não é versão. Algumas pessoas cismaram que a música parece um som do BOB SEGER (N.E.: a música se chama ‘Old Time Rock’n’Roll’), mas a nossa composição é anterior à dele. Essa música era pra ter entrado no disco “Paulicéia Desvairada”, que é de 1978, (N.E.: curiosamente o mesmo ano em que saiu o disco do BOB SEGER  “Stranger in Town”), mas é uma música que escrevi em 1977, assim que gravamos o “Massacre” eu escrevi ela. O Caio Flávio que era nosso vocalista cismou com essa música e não gravamos naquele ano. Daí saiu no disco de mesmo nome em 1981. Eu tenho esse disco do BOB SEGER, a música é muito boa, o jeito de cantar o refrão que é muito parecido, mas comprei ele uns três anos depois. Admito que temos muitas versões, mas ‘Minha Vida é Rock and Roll’ não é uma versão.

T.S. – Sobre a relação da banda com a Internet, como é? Falaram tanto que o mercado musical seria assassinado pelo Napster, mas uma das coisas que faz o Rock independente sobreviver em muitos casos é a relação da banda com a Internet, pois aproxima mais o artista de seus fãs sem intermediários...
O.V. – A única coisa que a Internet prejudicou aqui no Brasil foi a venda de discos, com o lance da pirataria e outro as gravadoras sempre cobravam preços absurdos aqui por um disco. Atualmente é mais barato você comprar um disco importado que tem uma qualidade superior do que um feito aqui no Brasil. Sai mais barato. Os caras (gravadoras) aqui não querem ganhar pouco não, querem muito. Acho até legal eles tomarem esse tombo pra ver se eles repensem os preços que praticam aqui no Brasil.
  Pro MADE isso não tem muita importância porque a banda há muitos anos é Underground. O disco que mais vendeu da banda foi “Jack, o Estripador”, segundo a gravadora, pois o disco não era numerado então eles pagavam o quanto eles queriam pro artista. Dizem que foram 87 mil discos e o “Banana” 80 mil. Era razoável, mas seguramente passou dos 100 mil discos os dois, porque até hoje vem gente trazer uma cópia pra gente autografar... Mas a Internet não nos atrapalha, pois não estamos mais numa multinacional como nos dois primeiros discos, os últimos seis discos foram produções independentes com tiragem de 2000 cópias, no máximo 5000 cópias, isso a gente vende fácil nas poucas lojas que ainda resistem, pela própria Internet e nos shows principalmente, onde montamos uma lojinha e vendemos Brasil afora.
Conforme dito acima, Oswaldo autografando...

 ...o disco da banda que mais vendeu.
T.S. – O MADE IN BRAZIL tem uma vantagem de ser uma banda pioneira no Brasil e ainda atrair público, o que não acontece com várias bandas, que tiveram uma queda brusca em matéria de público devido à ‘preguiça digital’ conforme vemos há tempos. As pessoas não saem mais de casa pra ver show, ficam esperando cair no youtube... O GOLPE DE ESTADO e a PATRULHA DO ESPAÇO mesmo recentemente publicaram notas na Internet falando sobre esse assunto que estão parando de produzir shows.
O.V. – Eu produzi muitos shows entre 60% e 70% dos shows que fizemos de 1975 até 1989. Daí então dei uma parada porque não estava compensando mais, então começamos a fazer somente shows com cachê fechado. Por exemplo, eu queria tocar em Campinas ou Porto Alegre, eu tentava vender o show. Se eu não conseguisse, eu mesmo alugava o local e bancava o show com equipamento, luz e tudo mais com meu dinheiro.... Imagina você encher um ônibus com músicos mais um caminhão com equipamentos e ir até Porto Alegre ou Salvador sem garantia nenhuma de que o público vá aparecer? Numa sequência pelo interior de SP eu vendia três shows e produzia dois, a agenda de shows era muito maior que hoje, mas era muito desgastante e eu sinto falta de produzir, mas os riscos financeiros são muito grandes.
Mesmo sentado, ainda na ativa!

T.S. – Recentemente você apareceu nos shows com a perna direita engessada e continua fazendo shows, inclusive o de hoje e o de amanhã serão com sua perna imobilizada, nos fale sobre isso.
O.V. – Eu estava fazendo uma trilha ali perto de onde moro atualmente, no Pico do Jaraguá, entrada de São Paulo e cai num barranco de uns 7 metros e tive a infelicidade de tirar o calcanhar do lugar e quebrar o tornozelo, tive duas fraturas. Tive que me submeter a uma cirurgia, fiz show com a perna quebrada ainda antes da cirurgia, fiquei 10 dias internado e eles não me operavam, pedi para sair, fui ensaiar e fazer o show do lançamento do “Massacre” no SESC Belenzinho. Agora hoje e amanhã na Virada é diferente, eu já operei, ainda dói um pouco, ainda estou proibido de botar o pé no chão, só daqui uns 40 ou 50 dias que vou ter alta pra poder pisar com o pé direito, até lá to fazendo fisioterapia e fazendo shows, o Rock não para, o que vai acontecer é que vou tocar sentado, só isso...

T.S. – Uma coisa que você já fez na época em que o MADE fez os shows acústicos né?
O.V. – Sim, mas na época eu fiz uma cirurgia e tive que refazer, ou seja, operei duas vezes seguida de uma hérnia que eu tive na virilha.

T.S. – Bem, vamos encerrar com o espaço aberto para suas considerações aos fãs.
O.V. – Eu quero divulgar nossa página no Facebook, uma página atualizada diariamente, o endereço é https://www.facebook.com/madeinbrazilbanda?fref=ts . Nosso site esta desatualizado, mas em breve vamos dar um jeito nisso. Então o contato atual mesmo é o Facebook. O MADE continua na estrada, acabamos de lançar uma revista pôster, o vinil do “Massacre”, daqui á mais ou menos um mês será relançado o disco “Sexo, Blues e Rock and Roll” em digipack com bônus ao vivo e logo mais vai sair o “Rock de Verdade” e o “Massacre” em digipack também. É isso, obrigado venham aos shows e fiquem à vontade para conversar com a banda toda!


Os dois maiores responsáveis por ainda existir
Rock and Roll no Brasil,
Oswaldo 'Rock' Vecchione e Celso 'Kim' Vecchione
a.k.a. MADE IN BRAZIL

Agradecimentos ao Samuel Profeta da casa O Profeta Pub Rock de Mogi Guaçú/SP.

segunda-feira, 29 de junho de 2015

ANIMAL HOUSE ressurge com novo EP - "Limbo"


ANIMAL HOUSE
DISCO : “Limbo”
FAIXAS:
1.  Last Great Hero
2.  Monochromatic
3.  New Age Messiah
4.  Middle Finger Blues (Live Unplugged)
ANO: 2015
SELO: RED FOOT CLAN
  E depois de muita história e muitas atribulações eis que ressurgem do limbo (por isso o nome do EP) a força paranaense ANIMAL HOUSE que nas pessoas de seu fundador Mutley Animal cantando e tocando bateria e Paulo On tocando guitarra e baixo lançam um EP chamado “Limbo” com 4 faixas, 3 de estúdio e uma ao vivo em formato acústico.
  O som deles é meio complicado de ser inserido em algum estilo, mas adianto que pende para o lado Stoner de ser e tem em alguns momentos vislumbres de BLACK LABEL SOCIETY e CHROME DIVISION entre outros assim...
  O vocal de Mutley é rasgadão, mas grave, uma coisa bem tensa, a bateria direta e profunda, sem espaço para invencionices estapafúrdias e as linhas de guitarra são esmeradas e virtuosas sem ser chatas.
  Peso de sobra logo na primeira faixa ‘Last Great Hero’ que é cadenciada na medida para esmagar o que estiver pela frente.
  ‘Monochromatic’ vem com tudo, derrubando paredes e massacrando pescoços, impiedosa!
  ‘New Age Messiah’ parece que contem a mão de Zakk Wylde e que sua voz irá entrar a qualquer hora... Cascuda pra caramba e aí sim a bateria tá trampadona nos pratos, mas nada que comprometa a categoria do EP. O solo de guitarra chega a cortar o ar de tão pequeno e afiado!
  De brinde veio uma faixa marota ao vivo e acústica, bem classuda mesmo, coisa fina e com um singelo título de ‘Middle Finger Blues’, imagina a letra!



  

sexta-feira, 26 de junho de 2015

ARANDU ARAKUAA lança novo single e video clipe de 'Hêwaka Waktû'







  E a banda de Metal indígena ARANDU ARAKUAA acaba de lançar seu novo single/clipe 'Hêwaka Waktû' (Nuvem Negra no idioma Akwẽ Xerente), que precede o próximo disco Wdê Nnãkrda” (tronco de árvore na língua Akwẽ Xerente).

  A música foi composta quando o guitarrista Zândhio visitava amigos numa aldeia no estado do Tocantins.
  Parte do vídeo clip foi gravado no dia do índio na Aldeia Bananal (Santuário dos Pajés)-DF em um ritual de homenagem a um ano da morte de seu líder.
  Nessa música a banda faz uso da flauta Enawenê-nawê utilizada estritamente em rituais pelos Enawenê-nawê e alguns outros Povos do Xingu, dando a dica que o disco irá mais fundo na música e idiomas indígenas.
Wdê Nnãkrda” foi produzido, mixado e masterizado no Broadband Studio em Brasília por Caio Duarte (DYNAHEAD), e será lançado de forma independente no Brasil em agosto de 2015.
ARANDU ARAKUAA NAS REDES SOCIAIS:

CONTATO PARA SHOWS:

terça-feira, 23 de junho de 2015

70 ANOS DE RAUL SEIXAS


  Daqui 5 dias RAUL SEIXAS completaria 70 primaveras e eu não poderia deixar de homenageá-lo aqui na Toca, afinal, ele foi um dos dois pilares fundamentais da minha entrada de cabeça nessa vida de Rock And Roll. Obrigado Raulzito!


  Quando eu nasci, Raul dos Santos Seixas tinha a idade que tenho agora, 35 anos, já tinha uma carreira de mais de 6 anos como artista solo, grandes álbuns lançados, muita história pra contar e alguns hits nas paradas com o disco “Abre-te Sésamo”.
  Na minha casa sempre rolou muita música boa, Jovem Guarda, Rock And Roll, TIM MAIA e RAUL SEIXAS não estavam fora desse caldeirão de sons e ritmos.
  Meu pai era baiano, minha mãe alagoana e eu um caçula de 4 filhos, 3 homens e 1 mulher, ou seja, ambiente propício e eu absorvia tudo que vinha dos meus irmãos mais velhos e uma dessas era a cultura Raulseixista que andava em alta graças ao especial global "Plunct-Plact-Zum!" onde RAUL SEIXAS era destaque máximo com a anárquica 'Carimbador Maluco', a maneira pela qual ele conseguiu usar o sistema contra si mesmo, anarquizando as cabeçinhas das crianças. 

Adorava cantar bem alto ‘Capim Guiné’ acompanhando uma fita K7 de um dos meus irmãos no 3 em 1 Phillips da sala e quando meu irmão do meio encanou de decorar a letra de ‘Ouro de Tolo’ que ele a escreveu todinha no caderno no esquema play/pause/rew/play/pause ad infinitum... não teve jeito, decorei com ele.
  Ainda me lembro como se fosse ontem aquele fatídico dia no final do mês de agosto de 1989 quando anunciaram na Rádio que nosso Maluco tinha nos deixado, eu ouvia a FM junto com meu irmão no quarto e a notícia nos caiu feito uma bomba, perdemos um ente bem próximo naquela hora, eu tinha apenas 9 anos.
  Quando comecei a ‘andar com as próprias pernas’ financeiramente, comecei a consumir tudo que podia sobre Raulzito, de revistas e livrinhos que a Editora Sampa lançava nas bancas de jornal até livros de verdade de livrarias e as fitas K7, sim eram os tempos das fitas piratas, que meu salário de Office boy podia pagar.
Pedacinho do meu acervo.
  Me lembro que minha primeira camiseta preta de Rock foi uma do Raul que comprei com uma grana que meu irmão me deu num Natal qualquer.
  Passei minha adolescência devorando tudo que dizia respeito ao Raul e a sua filosofia de vida, Sociedade Alternativa, O Livro da Lei, menos os livros de Paulo Coelho, bem que tentei ler ‘O Alquimista’ aos 14 anos quando o encontrei na biblioteca da escola (sempre fui rato de banca de jornal e biblioteca), mas não rolou, não cheguei à metade do livro, mas reconheço seu valor na carreira de Raul, foi ele um componente muito importante na formação da personagem mística que Raul criou em volta de si mesmo, além das letras brilhantes que ‘Dom Paulete’ lhe forneceu.

  Enfim, ele faria 70 anos esse ano e não posso deixar passar batido, afinal 70% ou mais de tudo que aprendi sobre filosofia, anarquia, vida, religião e etc... foi com ele, até minha mãe gostava de ouvir suas músicas pela casa, e olha que a dona é ranzinza e religiosa. Certa vez falávamos sobre os conteúdos de suas letras e eu disse à ela que toda criança deveria ouvir Raul Seixas em seu dia a dia para se tornar um ser humano melhor e, pra minha surpresa, ela concordou... hehehehe
  De família cristã, quando criança fui forçado a fazer o tal catecismo, tardiamente mas fiz e anos depois percebi que aprendi mais sobre religiões com Raulzito do que no catecismo propriamente, afinal lá eu ia à contra gosto e não absorvia nadinha, já do Raul...

  Quando fiz 18 anos tinha que me desligar do escritório em que trabalhava exercendo a função de Office-Boy por questões de contrato de jovem aprendiz e tudo o mais. No dia da minha dispensa, meu patrão fez o filho dele que trabalhava conosco ir comprar um presente pra mim e eis que chega ele com uma camiseta branca do Raul Seixas com uma cartola e um baita charutão na boca, imagina minha alegria, afinal o filho do meu tal patrão que me emprestou sua fitinha do disco “Sociedade da Grã-Ordem Kavernista Apresenta Sessão das 10” que eu há anos procurava e aquela estampa da camiseta era coincidentemente (se é que tal coisa exista) a mesma foto que estampava a capinha da minha primeira fitinha K7 pirateada que comprei numa feira livre...
  Nesse mesmo ano comecei a trabalhar como radialista e ali foi meu deleite, trabalhar numa emissora de Rádio FM com um arquivo enorme, ali encontrei muita coisa de Raulzito pra tocar e tocava viu, como eu tocava Raul naquela programação!
  Fiz alguns especiais sobre ele, muito elogiados devido ao montante de detalhes e informações e por não tocar sempre as mesmas canções. Bons anos aqueles em que FM ainda tinha uma programação respeitável e um público inteligente.

  Em 2009, devido aos 20 anos da passagem de Raul, a Virada Cultural de SP teve um palco especial chamado ‘Toca Raul’ onde passei várias horas vendo os vários artistas rememorando sua obra e o momento mais marcante foi quando ÂNGELO TAVARES e a BANDA KRIG-HÁ! tocava ‘Que Luz é Essa’ exatamente quando o sol começou a dar as caras por detrás do palco exatamente montado na clássica Estação da Luz, era muita luz pro momento, e ao meu lado um morador de rua, cabeludo e barbudão rodopiava seu cobertor ‘Paraíba’ no ar subindo e descendo ao ritmo nordestino da música que Raul gravou com Gilberto Gil na viola! É esse tipo de coisa que desperta a ‘nordestinidade’ que temos dentro de nós.


   Pois é, cada dia vejo que aprendi mais e mais com Raulzito ao longo dos anos, vejo uma citação histórica num documentário e já rememoro alguma canção dele, alguma citação religiosa num filme e opa! Raul de novo, alguma frase ou preceito de Anarquia e filosofia, tá ele lá na minha ‘cachola’ de novo e como diria Zeca Baleiro na letra/tributo de ‘Toca Raul’: “...Como é poderoso esse Raulzito 
Puxa vida esse cara é mesmo um mito...”


  As pessoas deveriam procurar entender melhor as mensagens que Raul deixou na terra, as mensagens que ele gravou ao lado de seus parceiros Paul Coelho, Marcelo Motta, Cláudio Roberto, Oscar Rasmussen, Kika Seixas e Marcelo Nova entre outros menos cotados. Leia nas entrelinhas.
  Enfim, é muita informação pra descrever, a importância deste senhor de agora 10.070 anos para a música, filosofia, psicologia, religiosidade e conteúdo da música realmente popular brasileira, é de uma dimensão sem fim. E eu só tenho a agradecê-lo por ter feito tanto por nós.

TOCA RAULLLLLLLLLLLLLLL!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
Raulzito e Marceleza na última turnê em 1989

Também de 1989 a última vez que Raul se encontrou com Dom Paulete.

sábado, 23 de maio de 2015

Coletânea "Independente ou Morte" da Nave dos Deuses traz 12 bandas em bom português!



DISCO “Independente ou Morte”
Vários Artistas
Selo: Independente (www.navedosdeuses.com.br )
FAIXAS:
1.   PEDRA – Pra Não Voltar/
2.   TOMADA – Catarina/
3.   MAMUTES – A Dama de Branco/
4.   KRIAS DE KAFKA – O Amor é Fudido/
5.   AMÁKINA – Meu Lar é o Bar/
6.   KLATU – Não Cante Essa Música/
7.   INSONES – Guarda-Chuva/
8.   INTRÍNSECO – Fogo/
9.   TEORIAS DO AMOR MODERNO – Do Avesso/
10.       MANDACHUVA – Incapaz/
11.       LADRÕES DE VINIL – Cidadão Comum/
12.       BLUES RIDERS – O Bluesman/

Em uma grande iniciativa do site Nave dos Deuses (www.navedosdeuses.com.br ) em parceria com a produtora LadoB surgiu essa bela coletânea com 12 bandas ímpares na cena ‘nova’ daquilo que eu chamo de ROQUENROU, ou seja, o NOSSO Rock de verdade, cascudo, com peso e inteligência, além de muito talento, mas ainda desconhecido, coloquei a palavra nova entre aspas porque aqui temos bandas com mais de décadas de estrada, mas que surgiram numa época em que Rock não valia mais nada pra mídia e ficaram relegadas ao Underground. Muitas delas já passaram aqui pela TOCA DO SHARK e vivem aparecendo na nossa página do Facebook também.
  A coletânea começa com uma pérola do PEDRA que, na voz de Xando Zupo, interpretaram ‘Pra não Voltar’ que expele muito talento nas cordas e backing vocals afinadíssimos.
  Na sequência temos outro grande nome da capital paulista, TOMADA com a maravilhosa ‘Catarina’, uma das mais diferentes e melhores canções dessa banda que tem uma década e meia de produtividade.
TOMADA (Foto: Victor Daguano)
  Três bandas que eu não conhecia surgem então, MAMUTES, KRIAS DE KAFKA e AMÁKINA, cada uma no seu nicho fazendo um bom Rock. O que salta aos ouvidos é a proposta de todas as bandas dessa coletânea cantarem em bom português, isso é louvável e mais louvável ainda é o intuito, afinal essa coletânea foi fabricada em formato físico com capinha tipo envelope de papelão grosso e colorido, com encarte também colorido, escala industrial e para ser distribuído gratuitamente, além do download também na faixa disponível no site da Nave dos Deuses, ou seja, a intenção aqui é só uma, difundir mais e mais as bandas que produzem Rock de qualidade no nosso país... existe a intenção de se lançar uma outra coletânea dessas em breve com bandas de som mais pesado, aguardemos de dedos cruzados!
  KLATU é outra da leva ‘diferente de tudo’, brincam com o rótulo de ‘Rock Infinito’ e se apresentam com ‘Não cante essa música’ que tem na voz de Carol Arantes lembranças da clássica e mutântica RITA LEE.
  INSONES botam peso e urgência nesse bolo, com uma guitarra garageira e uma voz com pitadas de desiquilíbrio psíquico apresentam ‘Guarda-Chuva’ ao vivo. Outra semelhante é o INTRINSECO com ‘Fogo’ que tem uns efeitos de baixo creio eu que deram um gostinho diferente ao som e TEORIAS DO AMOR MODERNO tem um nome estranho mas um som dos bons com vocal feminino fugindo dos ‘padrões Pitty de ser’ mandando ‘Do Avesso’, legal que todas tem ótimas letras que chamam o ouvinte a pensar no cotidiano, na vida e seus sabores e dissabores.
LADRÕES DE VINIL (Foto: Arthur Garcia)
  Rockão pra cima e com um pé fincado no punkão tipo INOCENTES é o MANDACHUVA com a faixa ‘Incapaz’
  Outra que tem um rockão pra cima e garageiro, à lá antigo AUTORAMAS é o LADRÕES DE VINIL que vem com um baita som legal e dançante chamado ‘Cidadão Comum’ com uma letra muito divertida que você quer acompanhar logo de cara.
  E pra fechar nada melhor que um bluesão cheio de feeling da banda veterana BLUES RIDERS com mais de 20 anos de estrada (entendeu as aspas lá do começo do texto agora?) eles fecham com chave de ouro a coletânea com a faixa ‘O Bluesman’, o creme do milho!
BLUES RIDERS BAND (divulgação)
  Sem mais espero que corram atrás, baixem, entrem em contato com o site Nave dos Deuses, procurem conhecer melhor os discos dessas bandas fora de série e espalhem pros amigos e amigas, hoje tá fácil isso tudo, ah....não se esqueçam de comparecerem aos shows e adquirirem os materiais das bandas, só assim a cena sobrevive!
  Agora se você quiser participar do sorteio da Toca e concorrer à esse biscoito em formato físico basta curtir a nossa página no Facebook (https://www.facebook.com/toca.do.shark?fref=ts ), compartilhar esse texto no Facebook e clicar em (https://www.facebook.com/toca.do.shark?sk=app_154246121296652&app_data=%7B%22id%22%3A457826%7D )
Boa Sorte! 

sábado, 9 de maio de 2015

IMBYRA “The Newborn Haters” (2014)


FAIXAS:
1. Operation Anonymous/
2. Virus/
3. The Newborn Haters/
4. We Stand/
5. Endless Chapter/
6. Impunity/
7. End of Ares/
8. I’m Your Hell/
9. Buried Hours/
10.    Bleeding Stitches

  Com o passar dos anos as coisas ficaram tão estranhas no underground nacional que nem sei mais o que pensar...
  IMBYRA – uma banda de Thrash Metal não datado formada nos EUA por um brasileiro que era baterista aqui e lá virou guitarrista/vocalista/compositor entre outras coisas.
  A banda já está no segundo disco, esse que eu descrevo aqui, “The Newborn Haters”, lançado ano passado é de uma qualidade sem tamanho, impecabilidade instrumental, lírica e produção cristalina que dão a esse disco independente (?) um lugar de destaque na cena. É sério isso? Claro que não, ao menos a última parte, pois vejamos, nos anos 90, não muito tempo atrás, até o começo dos anos 00 a cena era repleta de excelentes bandas e um público que ainda era ávido por novidades, principalmente no Metal trabalhadão assim e com esse peso todo, certamente cairia no gosto geral dos Headbangers da ‘terra do Sepultura’, então porque, não muito tempo depois, essa banda ainda é novidade pra esmagadora maioria dos ditos headbangers país afora? Porque esse disco é independente? E porque eles não tocam nos picos de respeito e grande visibilidade, como um ‘Palco Sunset’ da vida? Acho que tem MUITA coisa errada na cena e infelizmente não serei eu....um mero blogueiro de baixa audiência que irei enumerar o que tem de errado aqui na ‘terra de Pindorama’, prefiro enumerar as qualidades desse PUTA DISCO que, se fosse nos anos 90 estaria entre os 3 maiores do Metal-BR mundo afora, ombro-a-ombro com SEPULTURA, VIPER entre outros...
Fabrício Ravelli (vocal/guitarra)
  O disco comandado pelo vocalista, guitarrista e compositor Fabrício Ravelli (ex-baterista do HARPPIA e HIRAX) tem um peso monstruoso logo na primeira faixa ‘Operation Anonymous’ que relata na letra as manifestações que assolaram o Brasil nos meses entre Abril e Julho de 2013. Outra que se destaca sozinha é a faixa título onde, segundo Fabrício (leia mais em http://tocadoshark.blogspot.com.br/2015/03/imbyra-impondo-respeito-no-underground.html)  , não somente a letra dessa, mas o tema que permeia pela obra em si é a consciência de que o cidadão tem que ter um posicionamento político seja ele qual for, uma responsabilidade social, afinal, nos dias de hoje é inadmissível aquela mentalidade canhesta de que suas atitudes não influem na vida de quem quer que seja globo afora.
  Os vocais de Fabrício são um ponto de destaque, geralmente agressivo (ao vivo ele se amplifica de uma maneira descomunal!), ele varia e viaja em nuances mais suaves e angustiantes, como em ‘Impunity’ que tem toda uma aura de desgraça, afinal foi baseada num fato real de desgraça social, o assassinato de um jovem de 19 anos, baleado por um menor de idade que está livre e solto na sociedade para repetir a dose quantas vezes quiser, uma realidade cruel vivida em nosso país. Destaque para o solo de guitarra dessa faixa, valendo ressaltar que todos solos de guitarra e baixo desse disco foram gravados por Mauro Juliany que não está na banda. Já as bases, vocais e baterias ficaram à cargo de Fabrício que deixou sua marca bem gravada na bateria de ‘End of Ares’, puta velocidade e pegada louca pra se bater cabeça como se não houvesse amanhã.
Atual line-up do IMBYRA (Anderson, Guilherme, Fabrício e Danilo)

  Em ‘Endless Chapter’ temos um tema com violões, uma coisa bem diferente, um bônus no play que é todo Thrashão, lembrando em algumas faixas o MACHINE HEAD, mas arrisco dizer que esse disco é estilo IMBYRA mesmo.
  O encarte e capa idealizados por Anderson DeFrança (ex-baixista do CHAOSFEAR) que atual como baixista da banda em tempo integral é uma obra prima que completa a obra musical, com ilustrações de vários artistas e capa de André BDois.

  Em resumo, não sei o que está acontecendo na cabeça dos bangers que ainda não foram atrás desse disco dessa banda, dos shows deles, enfim, uso a internet pra difundir as bandas que conheço palcos Brasil afora e não estou aqui pra doutrinar ninguém pelo computador, até porque ‘banger de web’ não sustenta underground nenhum. Levante da cadeira e vá aos shows do IMBYRA e surpreenda-se!
Anderson DeFrança (bx), Danilo Bonano (g), Fabrício Ravelli (v/g), Guilherme Figueiredo (bt).

terça-feira, 14 de abril de 2015

Morre Percy Weiss (Made in Brazil, Patrulha do Espaço, Harppia, Quarto Crescente)


  Hoje por volta das 17hs recebi a notícia aqui na redação de que o vocalista lendário Percy Weiss tinha sofrido um acidente de carro na Rodovia dos Bandeirantes no interior de São Paulo e que se encontrava em situação de risco de vida.
  Passando menos de 30 minutos correndo atrás de informações com fontes fidedignas recebi a notícia cabal de que Percy tinha realmente nos deixado.
  Percy José Weiss, de 60 anos foi vitimado num acidente de carro na Rodovia dos Bandeirantes entre Jundiaí/SP e Campinas/SP, cidade onde residia há mais de anos com sua atual esposa.
  Percy surgiu na cena no segundo disco da banda MADE IN BRAZIL, "Jack, O Estripador" de 1976 substituindo Cornélius Lúcifer que tinha gravado o primeiro homônimo álbum do MADE.
  Atingiram um sucesso enorme com esse disco que trazia futuros clássicos do ROCK AND ROLL Brasileiro, o que eu costumo chamar carinhosamente de 'ROQUENROU', para diferenciá-lo do que veio depois, clássicos esses como a faixa título, 'Meu Amigo Elvis', 'Tratamento de Choque', 'Vou te Virar de Ponta Cabeça', 'O Rock de São Paulo' entre outros tantos.
  Percy ainda gravaria com o MADE o álbum "Massacre" de 1977, censurado à época pela ditadura vigente no país e que somente viu a luz do dia em 2005 em CD e este ano finalmente em LP conforme foi pensando à época. Inclusive estavam armando uma turnê pelo país afora com sua participação nos principais shows para divulgar esse registro.
  Depois disso Percy ainda apareceu em participações especiais nos vindouros discos "Made Pirata - Ao Vivo" (1986) e "Sexo, Blues e Rock And Roll" de 1999.
Foto Alexandre WildShark 2009

  Durante a década de 80 foi peça fundamental na estruturação da PATRULHA DO ESPAÇO em seus primeiros anos após o desligamento da banda para com o ex-MUTANTES Arnaldo Baptista gravando alguns vocais do primeiro disco da banda "Patrulha do Espaço" de 1980, seguido da sua banda QUARTO CRESCENTE gravando um disco em 1981.
  Em 1987 gravou com o HARPPIA o disco "Sete" muito aclamado pela cena Heavy Metal do Brasil.
  Em 1992 se vê às voltas com a PATRULHA DO ESPAÇO em estúdio para registrar o disco/tributo ao falecido baixista da banda Sergio Santana, digamos que seja o melhor que ele gravou segundo quem vos escreve e que somente saiu em 1994. Em 2004 participou do disco ao vivo da PATRULHA, "Capturados ao vivo no CCSP".
  Nos anos 2000 Percy ressurgiu na cena ativamente com participações mais que especias em shows do MADE e da PATRULHA que tinha muito mais à ver com suas influências, segundo ele próprio. Paralelamente ele desenvolvia uma banda chamada PERCY'S BAND com músicos de Campinas onde residia e São Paulo, inclusive compondo um vindouro álbum de canções inéditas.
Foto Divulgação: 2012

  Quem sabe se veremos esse disco um dia!
  Hoje tinha passado pela Galeria do Rock em SP e assuntado com alguns amigos/lojistas sobre esse futuro lançamento e quando voltava para sua casa na Rodovia dos Bandeirantes sentido interior perdeu o controle de seu carro, e sendo vítima de uma parada cardíaca logo em seguida. Foi socorrido pelos paramédicos locais sem sucesso, infelizmente.
  Agora sua obra está aí eternizada Brasil afora em LP's, K7's, CD's e nos mais diversos formatos.
  Certa vez em 2007 fui recebido em sua casa em Campinas para uma extensa entrevista e digo com todo conhecimento de causa, ele era um cavalheiro de primeira e um artista daqueles difícil de se encontrar.
"♪...voar até não ver mais a Terra
começar de novo...♫"