sexta-feira, 11 de dezembro de 2015

EDGAR FRANCO, O CIBERPAJÉ: ARTE, AUTO-REVOLUÇÃO & INTEGRALIDADE.


 TOCA DO SHARK: Conte-nos quem é EDGAR FRANCO antes de ser o CIBERPAJÉ.
EDGAR FRANCO: Sou um ser em evolução, na busca pela transcendência, pela reconexão com minha essência cósmica. A mistura estranha de um menino cheio de pureza e admiração diante da vida, com um Lobo Selvagem ancestral que já enfrentou milênios de tempestade, dor, e lambeu suas feridas até torná-las belas cicatrizes de batalha. Um ser nascido no umbigo do mundo, o Cerrado Brasileiro, área primeva mais antiga do planeta, onde a vida floresceu e a espécie humana surgiu nesse nosso multiverso. Desde o início dessa minha nova jornada no Século XXI escolhi a arte como minha forma de magia e transmutação da realidade, e as narrativas visuais são meus rituais de mutação e transubstanciação, a arte é uma ferramenta para minha autocura. Para respaldar minha existência material nessa jornada foi necessário escolher um caminho pragmático que permitisse a continuidade de meus rituais artísticos de transmutação e escolhi a chamada “carreira acadêmica”, tornando-me um pesquisador e professor das artes visuais. Para isso busquei as credenciais do “vaidoso e pedante universo da academia” e realizai um mestrado em multimeios na Unicamp, um doutorado em artes na USP, e um pós-doutorado em arte e tecnociência na UnB. Hoje sou considerado um artista transmídia, que utilizo o meu universo ficcional e magístico chamado “ Aurora Pós-humana” para realizar criações artísticas nas múltiplas mídias como histórias em quadrinhos, ilustrações, desenhos, pinturas, contos, poemas, aforismos, HQtrônicas, animações, web arte, instalações interativas, videoclipes, música e performances com minha banda POSTHUMAN TANTRA. Também oriento pesquisas de mestrado e doutorado no Programa de Pós-graduação em Arte e Cultura Visual da Universidade Federal de Goiás.
 
Edgar Franco (a.k.a. Ciberpajé)
T.S.: Como nasceu o CIBERPAJÉ?
E.F.: O Ciberpajé é o meu novo nome de ser renascido, um título auto declarado. Eu criei o processo ritualístico de transmutação que me tornou Ciberpajé durante uma profunda crise espiritual que vivi no ano de 2011, deflagrada inicialmente por uma impactante experiência com o enteógeno Psilocybe Cubensis que causou uma revisão de muitos dos valores pessoais que ainda regiam minha vida naquele momento. A crise levou-me à percepção da absoluta podridão, todas as máscaras do mundo esfacelaram-se diante de mim e vi tudo muito claramente, com uma limpidez absoluta. Toda a imundície em sua forma mais obtusa e ao mesmo tempo toda a infinita beleza dos multiversos, percebi não existir nenhuma paradoxo entre esses extremos. A dicotomia do mundo, os maniqueísmos da cultura, os dogmatismos de nossa espécie, que já eram por mim repudiados, tornaram-se percepções abjetas da imundície, mas que também são minhas constituintes como a imagem holográfica de minha espécie e do cosmos que sou. Vislumbrei o infinito da existência e criei o ritual de transmutação desenvolvido em 10 passos, e 10 chaves, 10 dias de meditação e criação artística em que defini os valores que me guiariam a partir do meu renascimento. O décimo dia foi meu aniversário de 40 anos de idade nessa existência, e fechei o ritual gravando em único take a música ‘Ciberpajé’, minha declaração de ser renascido. O Ciberpajé não é um guru, ou criador de seita, a única cura que procuro é a minha cura. A busca dessa cura que consiste na completa aceitação do que sou, na conquista de minha integralidade, eventualmente poderá inspirar outras pessoas. Sou um artista magista criador de mundos ficcionais que utiliza essas criações para a modificação de minha realidade, sou o Ciberpajé.

Ciberpajé


T.S.: Do que se trata o seu projeto musical POSTHUMAN TANTRA?
E.F.: O POSTHUMAN TANTRA é meu projeto musical transmídia, nasceu em 2004 como mais uma das formas de expressar-me no contexto de meu universo ficcional, como uma trilha sonora da “Aurora Pós-humana”. Nos primeiros anos era uma one-man-band de estúdio, através da qual eu desenvolvia meus experimentos ritualísticos sonoros num estilo que eu defini como Sci-fi Ambient Experimental (ambiente sonoro experimental de ficção científica). A “Aurora Pós-humana” é uma ficção científica através da qual realizo um deslocamento conceitual acelerando todos os avanços da tecnociência contemporânea nos campos da nanoengenharia, biotecnologia, robótica e telemática, para discutir seus impactos no humano, destacando o papel da transcendência e tecnognose nesse futuro possível. Cada CD traz narrativas musicais diferentes ambientadas nesse universo. De 2004 até hoje (2015), já lancei 4 álbuns oficiais por selos da Suíça e Brasil, 8 split-CD’s por gravadoras da França, Japão e Inglaterra, várias boxes e inúmeras participações em compilações nos 5 continentes do planeta. Em 2010 iniciei as apresentações ao vivo do POSTHUMAN TANTRA que no palco é uma banda mesmo, com músicos e performers convidados que integram o grupo de pesquisa CRIA_CIBER que coordeno.

T.S.: E os Aforismos e HQforismos?
E.F.: Os aforismos do Ciberpajé surgiram como uma forma de expressar minhas experiências de vida, reflexões (a)morais sobre minha vivência no mundo, sobre aquilo que experiencio em minha vida ordinária, no dia a dia, na convivência com nossa espécie e as demais espécies gaianas. Também sobre minhas experiências multidimensionais e trato com outras espécies não gaianas. Não são sentenças dogmáticas ou derivadas de teorias e experiências alheias, são uma forma de eu fixar minhas experiências e seu sentido profundo para mim. Comecei a publicá-los nas redes sociais e muitas pessoas despertaram seu interesse por eles e muitos desdobramentos surgiram. Fui convidado a manter uma coluna semanal de aforismos no “Jornal do Pontal” , publicado em minha cidade natal Ituiutaba, mas que também circula no triângulo mineiro. A coluna já está a 90 semanas sendo publicada. A pesquisadora de minha obra, a IV Sacerdotisa da Aurora Pós-humana, Danielle Barros, está organizando um livro com meus aforismos, que em breve alcançarão o número de 2 mil e também mantém a página no Facebook “Aforismos do Ciberpajé”, atualizada diariamente com novos aforismos e já com mais de 2500 seguidores. Em 2014 recebi um convite da gravadora Lunare Music para realizar um projeto musical com o nome “ Ciberpajé” constituindo-se basicamente da musicalização de meus aforismos recitados por mim, desde então já foram lançados dois EP's do projeto: “ A Invocação da Serpente”, parceria com a banda EACH SECOND (SP); e “ Lua Divinal”, parceria com a banda GORIUM (MT). E esse ano, numa parceria com o lendário poeta Barata Cichetto e a revista “Gatos & Alfaces” lançamos o CD “Ciberpajé: Egrégora”, com 21 bandas de 5 países musicando aforismos gravados por mim.
Edição especial da "Gatos & Alfaces com
o CD "Egrégora" encartado.
  Os HQforismos são um desdobramento natural de minha atuação como quadrinhista, sou inclusive apontado como um dos pioneiros brasileiros do gênero poético-filosófico dos quadrinhos no Brasil. Os HQforismos nasceram como a mistura entre HQ e aforismo, ou seja são HQs aforísticas compostas de um breve texto aforismo e uma imagem, um sub-genêro dos quadrinhos poético-filosóficos, assim batizado por mim e pela pesquisadora e artista Danielle Barros. Eles nasceram também nas redes sociais, mas já migraram para revistas em quadrinhos e fanzines.

T.S.: Seu trabalho gráfico é ímpar, todo confeccionado pelas suas próprias mãos, como se deu o seu início nas artes visuais?
E.F.: Como revelei ao pesquisador e pós-doutor Elydio dos Santos Neto em entrevista para o livro que escreveu sobre minha obra  - “ Os Quadrinhos poético-filosóficos de Edgar Franco” – Editora Marca de Fantasia, desde a mais tenra idade eu já criava narrativas visuais. Fui incentivado por meu pai, Dimas Franco, a ser um leitor desde os 2 anos de idade. Ele comprava semanalmente gibis para mim, isso fez com que eu aprendesse a ler com apenas 5 anos. O fascínio pelos quadrinhos persistiu mesmo após meu encontro com a literatura e aos 12 anos publiquei minha primeira HQ em um fanzine. Na década de 1990 tornei-me assíduo criador de quadrinhos e ilustrações publicadas em centenas de fanzines do Brasil e exterior, também passei a criar inúmeras artes para capas de demo, camisetas, LP’s e CD’s de bandas do Brasil e exterior, essa foi minha escola como artista visual autodidata. Com 19 anos entrei para a faculdade de Arquitetura e Urbanismo da UnB, e foi um período importante para a ampliação e conhecimento de novas técnicas artísticas. O reconhecimento da unicidade de minhas narrativas visuais veio a partir do ano 2000, com premiações nacionais como o “Troféu Bigorna” de melhor revista em quadrinhos de aventura e FC para minha revista “Artlectos e Pós-humanos”, indicações ao “Troféu HQmix”, e também 2 livros acadêmicos escritos sobre minha obra, e mais de uma dezena de artigos sobre minha arte escritos por pesquisadores de áreas diversas como filosofia, educação, comunicação, biologia, história e  artes. Sigo com muito entusiasmo minhas criações artísticas, sempre pronto a experimentar novas formas expressivas. Como criador do POSTHUMAN TANTRA, propus a mim mesmo o desafio de desenvolver todos os aspectos visuais que envolvem a banda, assim, sou o criador de todas as artes de capa e encartes dos CD’s, o que me dá muito prazer.


Dois belos exemplos de seus traços

T.S.: Qual a filosofia por trás de todo seu trabalho transmídia como CIBERPAJÉ?
E.F.: A minha filosofia é a do autoconhecimento e da auto-revolução!   Todas as revoluções planetárias fracassaram, seguimos como espécie odiando-nos, criando dogmas ideológicos, culturais e religiosos que nos dividem, geram intolerância, ódio e sofrimento. Continuamos devastando insanamente Gaia e todas as espécies irmãs que conviveram por milênios conosco. As religiões que poderiam mudar o mundo são apenas antros de líderes hipócritas ávidos por lucro, pregando preceitos morais arcaicos, iludindo com promessas de paraíso, discursos calvinistas de enriquecimento, e preceitos de ódio ao diferente.
  As multinacionais comandam o globo, lideradas por 66 hiper milionários que detêm mais de 50% das ditas “riquezas” do planeta e não estão satisfeitos, seguem devastando e pilhando em nome do lucro. Idiotas fanáticos em possuir coisas que consideram ouro e diamantes “riquezas”. Os políticos são apenas marionetes bem pagas comandadas pelos 66. As massas seguem controladas e robotizadas por oferta crescente de entretenimento enebriante e alienante, programadas pelos magos obscuros da publicidade que lhes ensinam a falsa “felicidade” do ter, adictos de compras intermináveis programadas pelo sistema da obsolescência programada. Lutar diretamente contra esses poderes maléficos é morte certa. Por isso a revolução possível é a individual, a tomada de consciência do ser, de suas responsabilidades para com a nossa espécie, para com as outras espécies, o mergulho em si mesmo em busca do autoconhecimento que pode nos libertar de todos os apegos e do vício por prazeres voláteis. O amor não existe mais no planeta, é tão raro quanto os Mamutes, pois o amor sob vontade é livre de apegos, incondicional, aberto às diferenças e complexidades do outro, a mídia transformou o conceito de amor no veneno obtuso da paixão, um lixo imbecil elevado como sentimento supremo. Nossa espécie caminha a passos largos para o fim, conclamo a todos que busquem sua integralidade, revolucionem-se enquanto ainda é tempo. A arte é minha forma de autoconhecimento e auto-revolução, minha panaceia de cura no processo de integralidade e transcendência.

T.S.: Você conta com alguns integrantes convidados nas apresentações ao vivo do POSTHUMAN TANTRA?
E.F.: Nas performances ao vivo do POSTHUMAN TANTRA tenho ao meu lado, como integrante oficial, minha esposa Rose Franco, a I Sacerdotisa da Aurora Pós-humana, ela atua como musicista e performer. Além dela temos trabalhado com muitos performers, assistentes de palco e VJ’s convidados. Desde 2010 mais de 15 integrantes passaram pela banda como convidados, todos eles eram, ou ainda são integrantes do grupo de pesquisa CRIA_CIBER, que eu coordeno na UFG. As performances do POSTHUMAN TANTRA utilizam múltiplos efeitos multimídia, somos a primeira banda brasileira a usar efeitos computacionais de realidade aumentada (RA) no palco, também utilizamos interação com vídeo, ações teatrais e mágica eletrônica. Conto com o auxílio desses parceiros convidados para que as performances aconteçam como deve ser. No momento o POSTHUMAN TANTRA ao vivo é composto por mim, pela I Sacerdotisa, pelo figurinista e performer Luiz Fers e pelo VJ Lucas Dal Berto.


Gravação do CD "Lúcifer Transgênico" do
POSTHUMAN TANTRA

T.S.: Recentemente o POSTHUMAN TANTRA sofreu uma espécie de censura por parte de um conselho de uma universidade na qual se apresentou ao vivo, como foi o episódio?
E.F.: Sim, uma grave censura em pleno Século XXI, atitude medíocre e dogmática de seres ridículos que se dizem professores de uma universidade. Vou reproduzir aqui parte do texto denuncia usado nas redes sociais no dia seguinte à censura:
“Em 22 de outubro de 2013 tivemos nossa performance interrompida na quarta música (de 8 programadas) durante o “Congresso Internacional de Pesquisa, Ensino e Extensão da UniEvangélica de Anápolis/GO”. Ao final do quarto ato, intitulado "Iniciação sexual com um robô multifuncional", a organização do evento acendeu as luzes do auditório e numa atitude de explícita censura bradou do fundo do auditório que a apresentação estava encerrada, causando enorme constrangimento em toda a equipe do POSTHUMAN TANTRA. O tempo da apresentação tinha sido combinado previamente com a organização e teríamos ainda mais de 25 minutos, o que daria para completar o set. Após a atitude inquisitória de censura explícita, tentei ponderar, mas não fui ouvido e declarei então para todos os presentes que estávamos sendo censurados, tudo está registrado em vídeo que pode ser visto no canal do POSTHUMAN TANTRA no Youtube. O POSTHUMAN TANTRA foi convidado pela organização do evento, que ao realizar o convite deveria saber do que se trata nossa performance artística - existem vídeos, fotos e detalhes sobre ela em nosso canal do Youtube, Myspace e Facebook. A apresentação foi programada com os mesmos atos que têm sido apresentados em 4 regiões brasileiras, em eventos nacionais e internacionais de pesquisa. Inclusive , no dia 20 de setembro de 2013, realizamos uma apresentação na UEG (Universidade Estadual de Goiás) em Anápolis com excelente recepção e resposta do público presente. Não bastasse o ato de censura e todo o constrangimento que passamos ainda ocorreu uma pressão para que deixássemos o palco o mais rápido possível. O POSTHUMAN TANTRA é uma ação artística que integra as investigações do grupo de pesquisa CRIA_CIBER, cadastrado no CNPq e ligado ao Programa de Pós-graduação (mestrado e doutorado) da Faculdade de Artes Visuais da Universidade Federal de Goiás, do qual sou professor permanente. Todos os integrantes presentes no palco eram pesquisadores do grupo de pesquisa. Um episódio triste, que denota uma atitude discriminatória e arcaica de uma instituição universitária diante de uma apresentação de caráter artístico que se propõe a gerar reflexões e promover diálogos. Uma universidade deve estar aberta à "diversidade", ao "universo de saberes possíveis". Esclareço que o POSTHUMAN TANTRA não se liga a nenhum dogma e continuaremos nossa saga ainda com mais entusiasmo e energia! Destaco ainda que no dia 5 de novembro de 2013 foi enviada - pela coordenação do Programa de Pós-graduação em Arte e Cultura Visual, da FAV/UFG, uma moção de repúdio à censura ao POSTHUMAN TANTRA que aconteceu durante o Congresso Internacional de Pesquisa, Ensino e Extensão da UniEvangélica de Anápolis/GO. A Moção foi encaminhada aos coordenadores do evento que assinaram o convite impresso feito à Edgar Franco e equipe, sendo eles: o Reitor da UniEvangélica, o Prof. Msc. Carlos Hassel Mendes da Silva; o Prof. Dr. Francisco Itami Campos, Pró-reitor de Pós-graduação, Pesquisa, Extensão e Ação Comunitária; o Chanceler da UniEvangélica, o Sr. Geraldo Henrique Espíndola; e o Pró-reitor Acadêmico Prof. Ms. Marcelo Mello Barbosa. Nunca obtivemos nenhuma resposta à essa moção de repúdio e nenhum esclarecimento daquela instituição. Quanto a ser ofensivo, acredito que o que assustou os organizadores foi sua mentalidade medieval e despreparada que não teve o mínimo cuidado de tentar compreender o contexto de nossa performance e as reflexões críticas sobre as relações entre homem e tecnologia. Para mentes tacanhas representamos uma iconoclastia profunda, somos os arautos da dúvida que abalam as estruturas dos dogmas, que ameaçam tirar os incautos de seus úteros acolhedores, das mentiras seguras em que estão mergulhados. Muitas pessoas saem impactadas de nossas performances e a recepção é sempre extremista, ou gostam muito ou odeiam, e as duas reações nos interessam. Esse ato de censura foi uma prova para nós de que o que fazemos tem relevância, não criamos arte para entreter idiotas, criamos arte para nos expressarmos diante das mazelas desse mundo, assim é, assim será.”
 
O TRIBUTO
T.S.: Em compensação o POSTHUMAN TANTRA também foi alvo de um disco tributo organizado na Europa, correto?
E.F.: Sim fui honrado com esse convite para a comemoração em grande estilo de uma década de existência da banda. Em 2014 o POSTHUMAN TANTRA completou 10 anos de estrada e a gravadora inglesa 412 Recordings propôs o lançamento de um álbum duplo tributo à banda, uma forma digna e bela de comemorar os 10 de existência como uma das forças pioneiras do gênero dark ambient no Brasil. O selo me deu completa liberdade para escolher e convidar as 14 bandas, de 4 países, que integram o tributo. O álbum duplo veio em uma embalagem especial de DVD com cards exclusivos criados pelo artista Jorge Del Bianco e ainda um chaveiro como brinde para as 100 primeiras unidades. A variedade musical do tributo é incrível, temos o Avantgarde Metal do SCIBEX (Brasil), o Death Ambient experimental do BLAKR (Inglaterra), o Dark Ambient do EACH SECOND (Brasil) e do NIX`S EYES (Brasil), o Noise Extremo do GOD PUSSY (Brasil), o Ambient atmosférico do DATHURA SUAVOLENS (Brasil), o Death Industrial do MELEK-THA (França), o Black Metal técnico e melódico do HIDDEN IN PLAIN SIGHT (projeto de membros da lendária banda black metal MURDER RAPE), o Black Metal ríspido do LUXÚRIA DE LILITH (Brasil), o Ritual Ambient do EMME YA (Colômbia), o Dark Ambient do GORIUM (Brasil), o Noise Ambient do XA-MUL (Inglaterra), o Black Ambient do ALDFRITH (Brasil) e o Progressivo Experimental do ALPHA III (Brasil).


T.S.: Pra finalizar, nos deixe todas as formas de contato com sua obra.
E.F.: Agradeço o generoso espaço no já lendário TOCA DO SHARK! Abraço cósmico do Ciberpajé.
Para saberem mais sobre o meu trabalho, visitem os links:

Blog “A Arte do Ciberpajé Edgar Franco”, atualizado semanalmente com minha produção nas múltiplas mídias:  http://ciberpaje.blogspot.com.br

Loja da “ Aurora Pós-humana”, loja virtual, onde é possível adquirir com cartão de crédito ou boleto bancário meus CD’s, álbuns de quadrinhos, fanzines e outros itens: http://www.elo7.com.br/auroraposhumana

Página “Aforismos do Ciberpajé”, atualizada diariamente com meus aforismos, HQforismos e fotoforismos:

Canal do POSTHUMAN TANTRA no youtube com videoclipes da banda e trechos de performances ao vivo:

Projeto musical Ciberpajé – ouça na íntegra o primeiro EP  “A Invocação da Serpente" https://lunarelabel.bandcamp.com/album/ciberpaj-invoca-o-da-serpente

Projeto Ciberpajé – Ouça na íntegra o EP “Lua Divinal”:


FOTOS: Gentilmente cedidas por Edgar Franco.


Single "A Invocação da Serpente"

sábado, 21 de novembro de 2015

MAQUINÁRIOS “Intacto” (2015) - Surge mais um grande nome no sul do país!


BANDA: MAQUINÁRIOS
DISCO: “Intacto”
ANO: 2015
SELO: Independente
FAIXAS:
1 – Um Grito na Noite/
2 – Desgovernado/
3 – Além da Estrada/
4 – Veneno, Sangue e Destroços/
5 – Ignição/
6 – Vulto Negro/
7 – Anjo ou Réu/
8 – Seis Milhas para o Inferno/
9 – Intacto/

  MAQUINÁRIOS é um nome que tem que ser guardado aí nas suas anotações mentais, eu aposto na grandiosidade deles no Underground e rezo para que cresçam além das amarras da nossa cena, que sejam alavancados pro mundo, levando em sua obra a nossa língua, pois sim, o som pesado feito em bom português vem crescendo vertiginosamente nos últimos 15 anos de uma maneira sem igual. As pessoas perderam a vergonha da sua língua-pátria e as letras são muito inteligentes, inteligentes o suficiente para cantar em alto e bom som!
  O vocalista e guitarrista Watson Silva nasceu em Brasília (DF), começou a banda em Palmas (TO) e em 2014 desceu o mapa d’uma vez até chegar em Chapecó (SC) e encontrar lá as outras duas máquinas necessárias para essa engrenagem musical funcionar, Matheus Andrighi (bx/v) e Diego Massola (bt) e desde então trabalham duro para moldar o som do MAQUINÁRIOS que é bem calcado no Stoner Metal com um vocal super particular de timbre agudo e um instrumental rebuscado e áspero.
  Finalmente em outubro de 2014 rumaram para São Paulo, estacionando no renomado estúdio Mr. Som dos KORZUS Pompeu & Heros para darem luz à esse début maravilhoso de nome “Intacto” com uma capa igualmente marcante do artista francês Olivier DZO Ducuing.
Diego Massola (bt), Watson Silva (g/v), Matheus Andrighi (bx/v)

  O som é encharcado de influências refinadas como CORROSION OF CONFORMITY, RED FANG, BLACK SABBATH (claro, né?), CARRO BOMBA, PATRULHA DO ESPAÇO aqui e ali entre tantos outros. Sem dúvidas a ‘hand of doom sabbáthica' nas 6 cordas é claramente identificada em todo canto, destacar sons aqui é um feito hercúleo, mas a faixa de trabalho/clipe ‘Um Grito na Noite’ ao lado de ‘Veneno, Sangue e Destroços’ (que tem aquela pegada à lá CARRO BOMBA), ‘Ignição’ (seria um misto de BLACK LABEL SOCIETY com PANTERA, DOWN e até MEGADETH) e ‘Além da Estrada’ dão um bom exemplo do quê essa banda tem a oferecer.
  Procure sem preguiça, eles merecem e você mais ainda.

  Os canais são esses:
Clipe ("Um Grito na Noite") - https://www.youtube.com/watch?v=9R8n6VwlIbo
 Links:


Fone: (49) 9901-7753 (Chapecó/SC)

Assessoria – ASE Music: www.asepress.com.br

domingo, 15 de novembro de 2015

MAD DRAGZTER – Entrevista com o vocalista e guitarrista TIAGO TORRES


  Em meados dos anos 2000 uma das grandes revelações da cena nacional atendia pelo nome de MAD DRAGZTER e assim seguiu por alguns anos até sumirem de repente com grande futuro pela frente. Durante alguns anos as pessoas me perguntavam por onde andavam os caras da banda e nem eu sabia responder, pois eis que alguns meses atrás recebi uma mensagem do meu camarada Roque (da banda guaçuana D.O.R.) me oferecendo uma cópia do novo disco do MAD DRAZTER. Mas como assim, eles voltaram? Fui buscar meu CD com o Roque e ele me contou que os caras estavam de volta com a faca nos dentes e distribuindo gratuitamente o novo trabalho. Quando eu ouvi, que soco na cara... tratei de entrar em contato com a banda o mais depressa possível para botar tudo em panos limpos e à seguir você descobre tudo que aconteceu com a banda nos últimos 7 anos e ainda por cima, como descolar sua cópia do novo play da banda. Com vocês o MAD DRAZTER! 

TOCA DO SHARK -  A banda MAD DRAGZTER tem uma história no undeground da década passada com dois discos lançados de grande exposição, mas, em determinado momento na metade da década a banda sumiu, conte-nos o que aconteceu na época?

TIAGO TORRES - Sem dúvida. Lançamos nossa demo “New Times” em 2001, o “Strong Mind” em 2003 e o “Killing the Devil Inside” em 2006 e todos tiveram ótima repercussão. Mas eu, Tiago,  não fiquei contente com o direcionamento e resultado final do “Killing...” (hoje, para falar a verdade, gosto dele bem mais do que quando saiu). O disco ficou muito melódico e musical para meu gosto. E isso foi o fator da banda praticamente acabar no começo de 2007. Depois disso comecei a compor material novo, que a princípio seria um disco solo, mas que depois de mostrar para todos se transformou no terceiro play do MADZ. Então em meados de 2008 começamos a gravar as primeiras demos do “Master of Space and Time”, até seu lançamento em Setembro de 2015.

 TOCA – E a banda retornou com a mesmíssima formação da época em que pararam?

TIAGO - Sim. Voltamos com a mesma formação que está junta desde 2004.
 
Tiago Torres (g/v), Gabriel Spazziani (g), Eric Claros (bt) e Armando Benedetti (bt).

TOCA - Agora vamos falar sobre o novo disco. Como foi a concepção dessa obra?

TIAGO - Tive a ideia do nome do disco em meados de 2008 e a primeira letra escrita foi a ‘Master of Space and Time’. A primeira música inteira composta do disco foi a ‘Megiddo’ e à partir desse tema inicial fomos desenrolando e contando faixa a faixa quem é o Mestre do Espaço e do Tempo o que fez, o que faz e o que fará. Aliás, falamos bastante de passado, presente e futuro no disco.

TOCA - Ele veio, a meu ver, trazendo uma sonoridade mais trabalhada e adulta que as anteriores, com mais nuances e influências de fora do Thrash Metal usual de outrora, me corrijam se estiver errado.

TIAGO - Acreditamos e também temos ouvido bastante gente afirmar que é nosso melhor e mais maduro disco. As influências não-Metal sempre estiveram no nosso som, principalmente porque o Gabriel Spazziani (que além de ser o guitarrista solo também produziu o disco) é um cara muito eclético e gosta de misturar elementos nos climas e solos. Então o reggae, baião, melodias, entre outras elementos, já viraram características bem marcantes do som do MADZ. E ao mesmo tempo acho o “Master...” mais agressivo e rápido que os anteriores. No final, nesse play, quando é Thrash é Thrash, quando não é, não é...ahahahahahahahaha

TOCA - A capa é uma obra à parte, qual o conceito por detrás dela e quem fez a arte?

TIAGO - A capa foi criada a partir da passagem bíblica de Apocalipse 19:11. O Artista que criou a capa é o Sérgio Cariello, brasileiro radicado nos EUA há muitos anos que desenha para Marvel, DC Comics, entre outras. Bem conhecido por lá e por aqui também. E sem dúvida a capa ficou Matadora!!!!!

TOCA - Porque escolheram lançar o disco em formato físico e distribuí-lo gratuitamente?

TIAGO - Porque acreditamos ser a melhor maneira de uma banda pequena, parada há quase 10 anos divulgar seu novo trabalho. E um trabalho que depois de pronto nos surpreendeu pelo potencial. Então optamos por fazer 7000 cópias em formato bem simples e distribuir gratuitamente. Os fãs de Metal ainda gostam do CD físico e isso foi decisivo também. Também estamos distribuindo online em várias plataformas com muitos downloads. E pelo que temos ouvido da galera acertamos em cheio no formato. Os CD’s já estão quase esgotados com apenas dois meses de distribuição. 

TOCA - Esse projeto é caro, todos sabem e como foi custeado, teve patrocínios?

TIAGO - Foi custeado apenas pelos membros da banda e teve um grande subsidio por parte do Estúdio Casa da Lua, onde todo o disco foi gravado, que foi um grande parceiro nessa empreitada.

TOCA - Agora a banda voltou pra valer mesmo e recuperar seu espaço de direito na cena nacional?

TIAGO - Com certeza!!!! Voltamos para ficar e não parar mais!!! Ninguém segura o Dragzter Furioso!!!

TOCA - Quais os planos para 2016? Há datas marcadas já? Vão arriscar uma turnê gringa ou algo assim?

TIAGO - Nossa sequência é bem pé no chão! Primeiro vamos lançar o site novo, depois o primeiro clipe, após isso o Vinil Duplo. Quando isso for realizado virá o show de lançamento e uma possível tour. Que pode ser nacional e também gringa. Temos tido vários convites tanto no Brasil como fora. Mas como não vivemos da banda, temos empregos "normais", temos que conciliar a agenda de todos. Esperamos tocar o máximo possível. E sim, agendar um tour gringa!!

TOCA - Pra quem tiver interesse nesse novo trabalho da banda, quais os canais devem usar para conhecer o disco ou até descolar uma cópia física?

TIAGO - O Disco está sendo distribuído gratuitamente. Para quem mora em SP Capital ainda é possível encontrar o play na Die Hard, na Galeria do Rock. Para quem está fora de SP Capital ainda dá para pedir por email, no vendas@maddragzter.com.br . Nos demais pontos de distribuição o CD já está esgotado. Para baixar o CD Online: https://onerpm.com.br/album/935170912 

TOCA - Espaço final, digam o que quiserem.


TIAGO - Alexandre e Toca do Shark MUITO OBRIGADO PELO ESPAÇO E PELA FORÇA!!!! Estamos de volta!!!!! STAY THRASH!! STAY MADZ!!!!
www.maddragzter.com.br  
fotos by Renan Facciolo 

domingo, 18 de outubro de 2015

ROCK SOLIDÁRIO NO WAVE'S BAR (11/10/15) - Guaratuba/PR


  Pela primeira vez fui conferir de perto um evento da R.F. Produções Underground do litoral paranaense e justamente de frente pra praia maravilhosa do Brejatuba, a Praia Brava (nome sugestivo) no paraíso litorâneo de Guaratuba/PR
  Lá no Wave's Bar (uma espécie de contêiner transformado em um baitacão com quintal de fronte ao mar e à uma famosa casa de espetáculos da área) a produção do evento resolveu reunir grandes nomes do Hardcore Underground do Paraná para arrecadar mantimentos para os mais necessitados e mesmo sendo feriado prolongado não deu um público grande afinal, a chuva assolava a cidade à mais de duas semanas sem dar trégua e sendo um domingão preguiçoso, natural que o pessoal estivesse debaixo dos cobertores, mas, mesmo assim o saldo foi positivo, com mais de 130 kg de alimentos arrecadados e uma festa generalizada, conforme eu pude conferir de perto nos shows das 3 bandas (das 8 que iriam se apresentar) que presenciei e é sobre elas que vou falar agora.
E.G.M. (a.k.a. Emílio Garrastazu Médici)

  O E.G.M. foi a segunda banda do evento e a primeira autoral e a primeira que conferi naturalmente, com 3 anos de estrada essa banda de Punk Rock de Curitiba faz aquele punkão cara-de-pau, curto e grosso, sem firulas, é 'pá-cum-pá-pá-cum-pá' com pitadas de surf music nas guitarras e o coro come, grandes letras e muita empolgação em faixas como 'Skatológica', 'Bad Trip' e Pão Quente' entre outras igualmente empolgantes, a galera ia à loucura em cada faixa, mostrando conhecimento de causa e descompromisso com o mundo exterior, ali era PunkRockHardCore e nada mais.
SICK SICK SINNERS

  Em seguida veio a maior banda do cast, a sensação do Psychobilly paranaense SICK SICK SINNERS, um power trio super equipado que veio com 'jogo-ganho', 10 anos de estrada, sendo 8 rodando o mundo, 3 álbuns na praça, sendo 1 EP, 2 CDs full lenght, incluindo uma versão em vinil do mais recente "Unfuckinstoppable" que saiu no final de 2014, a banda arrumou uma brecha na sua agenda internacional para fazer um show caótico e empolgante na praia por uma boa causa e seu séquito estava presente, grandes sons à base de baixolão, guitarra Gretsch e bateria, o psychobilly envenenado deles despejou clássicos do underground como 'Coffee Freak', 'Hospital Hell', 'We Wanna Drink Some More', 'Beer and Flesh Meat' e 'Curitiba Rotterdam Psycho' que virou 'Caiçara Guaratuba Psycho' pra fechar a festa num pandemônio sem precedentes!
MUSTAPHORIUS (numa tentativa de foto)

  Com 5 anos de estrada a banda também curitibana MUSTAPHORIUS trouxe um misto de H.C. com Grind e pitadas de SUICIDAL TENDENCIES mantendo o clima lá em cima com suas canções como, 'Cuzido e Solitário', 'O M do Mundo', 'República Federativa da Ofensa Brasileira', 'Sangue Suga' e 'Virou Canhão' além da versão pro clássico do R.D.P. 'Beber até Morrer' que reuniu a banda com o vocalista do E.G.M., Topeira e alguns fãs alucinados em cima do palco, uma puta festa e mais um show destruidor!
  Eu, precisei sair e perdi os próximos shows que contariam com as bandas GRADE, ALUCINADOS, OS SOBREVIVENTES e BORDINÁRIOS.
MUSTAPHORIUS
  Mais uma vez meus parabéns à todos envolvidos na organização deste evento R.F. Produções Underground, Wave's Bar e as bandas que tocaram, além, claro, do mais importante, o público que se fez presente que, mesmo debaixo de chuva e frio, foram pra beira mar agitar um Punk Rock!
  Fotos Alexandre WildShark.

MUSTAPHORIUS no momento 'juntatribo'

SICK SICK SINNERS

MUSTAPHORIUS

E.G.M.






quarta-feira, 7 de outubro de 2015

Arandu Arakuaa - Padi (Official Lyric Video) HD






"A banda Arandu Arakuaa lançou seu segundo full length “Wdê Nnãkrda” (tronco de árvore na língua indígena Akwẽ Xerente).
O disco conta com cinco músicas no idioma Akwẽ Xerente, três em Tupi, duas em Xavante e uma em Português. A diversidade de idiomas indígenas busca chamar atenção para preservamos as riquezas que ainda temos, dentre elas as línguas indígenas brasileiras que ainda resistem e as que carecem serem preservadas.


Wdê Nnãkrda” foi produzido, mixado e masterizado no Broadband Studio em Brasília por Caio Duarte (Dynahead), e lançado de forma independente no Brasil em 05/10/2015.
Confira vídeos e áudios oficiais

ARANDU ARAKUAA NAS REDES SOCIAIS:

CONTATO PARA SHOWS:

domingo, 27 de setembro de 2015

ENTREVISTA COM LUIZ CARLOS BARATA CICHETTO


  São Paulo é uma selva cultural sem precedentes, sem contra-indicações nem prescrições médicas. Uma megalópole multi-cultural, miscigenada, globalizada, marginalizada, corrompida e sem paradigmas ou dogmas que a cerceie. E lá se encontra as mais variadas espécimes de artistas, dos mais letrados e formados multi-mídias do mundo, aos mais despreparados e infantis. Mas, os que mais se identificam com a cidade são os undergrounds, os marginais, os escrotos pluralistas poluídos e contaminados com as loucuras mil de uma vivência aprofundada no submundo da sociedade que a novela mostra. Dentre esses personagens interessantíssimos da capital paulista, encontrei há mais de uma década o Barata, sim, simples assim, aquele ser que sobrevive à tudo (reza a lenda que até a bomba atômica), aos altos e baixos financeiros e emocionais, um cara que tem bagagem de sobra pra escrever as poesias mais recheadas de conteúdo 'do-contra' que já conheci, uma agitador cultural de qualidades mil e capacidades ímpares de 'se virar' nessa vida sem regras.    Comecei a escrever no site dele depois de uma conversa numa mesa de bar de pouco mais de meia hora, há 12 ou 13 anos e assim nasceu a TOCA DO SHARK em sua primeira versão, como uma coluna de tema livre, com nome inspirado também numa coluna do site dele que era a Toca da Barata ou algo assim. Tenho uma dívida moral com ele que jamais pagarei, sendo assim abro espaço pra ele conversar com os internautas da Toca explicando melhor quem ele é... ou não.

TOCA DO SHARK - Primeiramente, diga-nos quem ou o quê te levou para o mundo da poesia e quando começou?
LUIZ CARLOS BARATA CICHETTO - Bien... O que me levou à poesia não foi a poesia..rs... mas o Rock. Eu comecei a escutar muito Rock, desde os 11, 12 anos. Sempre gostei de ler, de escrever, mas eram pequenas histórias, contos. Mas, por volta de 1974, 75, descobri o trabalho de um sujeito chamado LOU REED. Li numa revista a tradução de umas letras dele logo depois e aí meu amigo, aí a coisa pegou. Eu tinha dezesseis, dezessete anos e tinha acabado também de descobriu a Boca do Lixo de São Paulo, as putas, os puteiros... E esse coquetel fez com que eu quisesse ser igual a ele. Cortei o cabelo curto, comprei óculos escuros. Não tinha grana, então improvisava no visual. E foi ai que comecei a escrever poesia. Que durante muito tempo para mim nem eram poemas, mas letras de musica. Imaginava que chegaria alguém e pudesse transformar tudo aquilo em musica. Nunca tive paciência para aprender nenhum instrumento musical. Bem depois, quatro ou cinco anos depois - lembre-se que não havia Internet e o acesso a informação era muito restrito, até por que vivíamos na época do Regime Militar, com uma censura braba -, foi que comecei a ler de fato os poetas. Descobri primeiramente Augusto dos Anjos e na sequencia Baudelaire. Isso veio a sedimentar mais ainda essa veia.

T.S. - Pra você, quem são os nomes mais importantes da literatura em geral?
BARATA - De uma forma geral, incluindo poesia e prosa, meu destaque sempre vai para escritores como os que citei acima, além de Bukowski (a prosa, que a poesia dele eu não gosto), Aldous Huxley, George Orwell, que aliás nasceu no mesmo dia que eu, Henri Miller, Adelaide Carraro, que foi minha escritora preferida na época que andava pela Boca. Em termos de literatura, sou do tipo que lê até bula de remédio, se tiver uma certa estética,  rsss. Há alguns anos, descobri uma escritora que mudou muito a minha maneira de pensar o mundo, que creio ser uma das maiores funções da arte. Ayn Rand é a escritora. Uma russa naturalizada americana, que tem uma filosofia absurdamente perturbadora sobre o que é individualismo. Uma critica ferrenha aos falsos coletivismos. Gosto muito de biografias, também. 

T.S. - Durante a sua carreira você tentou lançar livros da maneira convencional, ou seja, patrocinado por editoras ou caiu de cabeça logo de cara no underground?
BARATA - Alexandre, eu fiz um circulo completo nessa questão. Em 1976/77, comecei a fazer "jornalzinho", como a gente chamava, antes do termo "fanzine" aparecer por aqui. Em 1981 lancei um livro de poesia chamado "Arquíloco".Tinha quase 100 páginas e era mimeografado, em mimeógrafo à álcool. Fiquei uns anos, em função de filhos pequenos praticamente sem escrever. Depois tentei por algum tempo editoras, concursos literários, esses caminhos que qualquer escritor busca. Nunca obtive sucesso. Em 2011 um editora do Rio se propôs a editar um livro meu, mas não me deu o menor apoio ou divulgação, e ao que sei, devem ter feito uns 50 exemplares do livro. Em 2010, quando eu e AMYR CANTUSIO JR (nota da redação: exímio instrumentista reconhecido mundo afora com mais de 40 anos de carreira nos teclados, natural do Brasil mas ignorado aqui no país, como sempre) criamos "Vitória", eu precisava lançar o libreto. E foi assim que nasceu a ideia da Editor'A Barata Artesanal, pela qual já lancei cerca de 60 títulos, entre meus e de outros autores.

T.S. - De 1 a 100% qual o grau de influência do ROCK AND ROLL no seu trabalho?
BARATA - Hummm, difícil...rs... Essa influência existe, claro, conforme relatei. Foi por causa do Rock que comecei a escrever. Ainda hoje, muitas coisas minhas são direta ou indiretamente influenciadas pelo Rock. Mas, sou um sujeito ligado nas coisas da mente, das perturbações do ser humano, na filosofia, enfim. Mas como tua pergunta gira em torno de percentual, eu diria que a coisa é dividida assim: trinta por cento é Rock.

T.S. - Li muitos de seus relatos desde seu site 'A Barata.com - Liberdade de Expressão e Expressão de Liberdade' e sempre você contava suas particularidades com a cultura underground paulista, de shows de Rock à bordéis, passando por botecos enfumaçados. Gostaria que elucidasse melhor essa sua literatura que mais se parece com músicas do VELVET UNDERGROUND ou NEW YORK DOLLS, é tudo baseado em fatos reais ou tem um alto grau de ficção nela?
BARATA - Bom, creio que a maior parte da sua pergunta eu já adiantei na resposta da primeira pergunta. Fica apenas a questão da factibilidade do que escrevo. Qualquer escritor é autobiográfico, alguém já disse. E absolutamente tudo que escrevo tem a ver com minha vivência, com acontecimentos que presenciei, com pessoas - principalmente - que conheci, etc. Claro que tem o necessário componente ficcional agregado, afinal o que escrevo é basicamente poesia e crônica, e sem esse componente, jamais se consegue boa literatura. Mas, mesmo em poesia, nunca descrevo uma experiência que não tive, um pensamento não experimentado. As personagens, pode acreditar, todas elas existiram e existem de fato.

T.S. - Você trabalhou alguns anos com a PATRULHA DO ESPAÇO desenvolvendo o site deles e também acompanhando eles numa turnê pelos idos de 2003, relatando tudo num de seus livros. Gostaria de saber se antes você já tinha trabalhando tão intimamente com uma banda de ROCK ou se ainda gostaria de repetir essa experiência?
BARATA - O trabalho com a PATRULHA DO ESPAÇO foi entre 2002 e 2004. Quatro anos completos, que terminaram com a dissolução da formação iniciada em 1999. Nessa época eu viajava com a banda, fazia o site, vendia shows. Fui também o idealizador de um dos discos, o ".ComPacto". foi uma época fantástica, de muito aprendizado, não apenas do que é o mundo de uma banda de Rock, como pelo aspecto de relações humanas. Um aprendizado de vida, enfim. Acontecia de tudo nessas viagens, era pura adrenalina, puro tesão. Nunca tinha trabalhado diretamente com uma banda, e não creio que gostaria de voltar a fazer. Na vida temos que dar passos adiante, criar experiências novas. Ademais, estou com 57 anos e não tenho mais o pique para encarar, por exemplo, 25 horas de viagem dentro de um ônibus velho, que pode parar na estrada, enfrentar donos de bares caloteiros, enfim, as coisas inerentes a chamada Estrada do Rock. Underground no Brasil.

T.S. - Agora sua nova investida (desde o ano passado) é a revista independente "Gatos & Alfaces", primeiro, de onde veio esse nome e o que ele quer dizer?
BARATA - Fiz inúmeras publicações independentes, sempre no formato fanzine, mas queria algo mais sólido, mais com cara de revista, mesmo. Por outro lado, queria criar uma revista de Rock, mas não da forma que sempre se fez, com entrevistas, biografias, essas coisas. Tudo isso hoje está na Internet, e não queria uma revista nesses moldes. Queria algo que fizesse as pessoas pensarem, que abordasse determinadas coisas de Rock sob um outro prisma, que tivesse pessoas que não seriam as costumeiramente e necessariamente ligadas ao meio. Convidei alguns amigos, como o Genecy Souza e o Jorge Bandeira, de Manaus, que foram colabores fixos, participando em todos os números, com seus textos. Genecy é um aficionado por Rock, mas não tem nenhuma atividade ligada ao meio, o que faz com que seus textos, sempre lúcidos e ácidos, não tenham nenhum tipo de amarra. Já o Jorge é um agitador cultural, diretor de teatro e dono de um espaço cultural em Manaus, além de ser escritor, e tinha uma coisa fantástica que era uma espécie de biografia de um determinado artista de Rock em cordel. Não tenho conhecimento de ninguém que tenha feito nada assim antes. Rock e Cordel parece ser uma mistura que não agrada a nenhum lado, nem a turma do Rock, nem a turma do Cordel. Mas, é uma coisa sensacional, que garanto que surpreendia positivamente os leitores da revista. Com relação ao nome, a história é a seguinte: Um amigo de Facebook, o André Luiz Leite, postou uma chamada, em tom de brincadeira, usando uma charge. O tema era: "Vamos fazer um fanzine?". E daí a conversa desandou, com a Gigi Jardim, uma outra amiga já de algum tempo, sempre ligada nas coisas do Rock, botando pilha. Num determinado momento, a coisa debandou para as pessoas começarem a falar de gatos, e por algum motivo que não  lembro, alfaces. Então me deu um estalo: então aqui todo mundo gosta de gatos e de alfaces... Então esse será o nome da revista. E assim ficou. O gato sempre foi o símbolo da revista, e até a penúltima edição era pintado manualmente, um a um, pela minha mulher, cada edição de uma cor diferente.

Algumas edições da revista
"Gatos & Alfaces"
T.S. - Agora sim, fale mais sobre essa revista, venda o seu peixe.
BARATA - Não seria o caso de vender o peixe, mas sim o gato... rsrsrsrs. Mas como dizia minha avó, a gente tem que estar sempre com um olho no gato e outro no peixe... E edição seis da revista está a venda, e traz entre outras coisas, um CD com 21 faixas chamado Ciberpajé - Egrégora, idealizado pelo mestre Edgar Franco, um artista multi-mídia, professor da Universidade Federal de Goiás. O disco tem bandas de seis países e se trata de uma interpretação por parte de cada banda ou artista de um aforismo escrito e interpretado pelo Edgar. Ademais, como nem só de Gatos e de Alfaces se vive, o meu peixe mais fresco é o livro de poesia "Troco Poesia Por Dinamite" e um que, sinceramente não sei classificar, que tem o titulo de "Manual do Adultério Moderno". Esse deve ser lançado ainda em Outubro, e a ideia é que o evento de lançamento seja feito num puteiro no centro de São Paulo.

T.S. - E a festa "ROCK IN POETRY" que já teve 3 edições, servindo de plataforma para lançar alguma edição da revista e algum livro novo seu, fale mais sobre a festa e sua equipe?
BARATA - "Rock In Poetry" é uma ideia que sempre procurei colocar em prática desde quando comecei a organizar eventos, ainda nos primeiros anos da década passada. Misturar Rock com poesia, basicamente, além de outras formas de arte, sempre foi o objetivo, mesmo que não tivesse esse titulo. Nesta era, a primeira edição eu fiz praticamente sem nenhuma ajuda, apenas com a Gigi, que deu uma força na produção. Na segunda tive o apoio do Jones Senoj, que começou também a colaborar na parte comercial da revista. E na terceira, os dois. A primeira edição, da Galeria Olido foi fantástica, com poucos problemas e boa afluência de publico e uma repercussão muito boa. Nessa edição, além das apresentações das bandas KAMBOJA e BLUES RIDERS, aconteceu um fato histórico, que foi a apresentação da banda PSYCHOTIC EYES, mostrando algo totalmente inusitado, que foi o primeiro show de Death Metal Acústico. A repercussão disso foi até em sites do exterior, fazendo com que a banda se animasse a gravar o primeiro trabalho do gênero: um CD Acústico, com apenas dois violões, de uma banda desse estilo. A segunda, feita no Bar do Aranha, que infelizmente recentemente fechou as portas, teve um resultado bem mais modesto, embora tivesse contado com bandas muito boas, como a POOLSAR e a VENTO MOTIVO, que tem entre os músicos o lendário Kim Kehl e a poesia poderosa do Fernando Ceah. Agora, a terceira edição, embora tenha voltado à Olido com muito mais garra e organização, fatores externos, como shows internacionais acontecendo no mesmo dia na cidade, fizeram com que o publico fosse menor. Além disso, uma das bandas anunciadas cancelou a apresentação quinze minutos antes. Mas, por outro lado, a apresentação de AMYR CANTÚSIO JR foi impecável, com sua erudição e maestria ao interpretar Rock Progressivo, além da banda MUQUETA NA OREIA, que tem uma pegada muito forte, com letras muito foda e faz uma pancadaria sonora no palco. 

Há 3 edições a revista passou a encartar CD's
de bandas independentes.
T.S. - Como é a última pergunta, eu não pergunto nada, fale o que você quiser:
BARATA - Primeiramente, claro, agradecendo pelo espaço na Toca do Shark, que é parceiro e amigo há muito tempo. E lembrando que continuo com meu programa na webradio Stay Rock Brazil, todas as segundas-feiras as 22:00 com duas horas de Rock In Poetry e Fuck'n'Roll. Além disso, quero falar que estou, mais uma vez com AMYR CANTÚSIO JR, compondo uma nova Opera Rock, nossa terceira em cinco anos. Desta feita estamos contando com um reforço maravilhoso de uma cantora de Minas Gerais chamada Liz Franco, que além de uma voz maravilhosa é também poeta e tem criado as melodias para as faixas de sua participação. Possivelmente em novembro a obra estará a venda, e o tema é bem mais pesado que das outras, falando sobre a Síndrome de Cotard, também conhecida como "Síndrome do Morto-vivo". Aguardem e ouvirão um trabalho de ponta, como nunca se fez no Brasil, é isso. 
Abraço, Alexandre e todos os amigos da Toca do Shark. 
Amizade que não é de hoje...

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