quinta-feira, 27 de junho de 2013

BLUES ETÍLICOS: “Circuito SESC de Artes” – Mogi Guaçu/SP



  Pela primeira vez Mogi Guaçu/SP e Mogi Mirim/SP estão fazendo parte do “Circuito SESC de Artes”, isso é um ótimo sinal, sinal de que a Cultura está cada vez mais frequentando nosso convívio. Após anos de lutas, os apreciadores das artes e boa música na Baixa-Mogiana estão enfrentando uma bela agenda cultural gratuita. Recentemente recebemos a Virada Cultural (na verdade desde 2009) e agora entramos na Rota deste circuito cultural do SESC que, com apenas uma única atração deu um baile na Virada Cultural deste ano e vamos nos ater a essa atração: os BLUES ETÍLICOS que se apresentaram em Mogi Guaçu gratuitamente pela primeira vez numa bela tarde de domingo no espaço conhecido como ‘Campo da Brahma’, um completo de duas enormes praças com amplo espaço, área de exercícios físicos e até pista de skate em área nobre da cidade que comumente é usada por um sem número de desocupados, vagabundos e apreciadores do desserviço à cultura, ou seja, muita gente com funk-carioca e pagode estralando os alto-falantes de seus carros com mulheres rebolando em volta, mas deixemos esses pobres-coitados de lado.

BLUES ETÍLICOS no palco
  No domingo 09 de Junho deste ano corrente, os ônibus do Circuito SESC aportaram logo cedo neste campo livre para montar uma estrutura digna de nota para às 16:30 hs iniciarem suas apresentações livres para todas as idades, começando com o Grupo Circo Caramba de Campinas apresentando às crianças o mini-espetáculo circense ‘Caramba, quanta bobagem!’ por cerca de uma hora divertindo muito todos os presentes que em seguida foram conferir o grupo de dança dirigido por Clarice Lima do estado do Ceará chamado ‘Árvores’ que foi seguido pelo grupo teatral Trupe Olho da Rua de Santos/SP apresentando a peça ‘Arrumadinho’, ácida e crítica ao status-quo e bem divertida, digna de nota.

Grupo Circo Caramba com fãs

  Lá pelas tantas, já havia escurecido e a galera na fissura para curtir o show de Blues mais respeitado do Brasil ainda teve que aguardar mais uns 20 minutos para a intervenção de curta-metragens de Angélica Valente e Jonathan Macías de SP chamada ‘Desligue a Tecla Mute’ com vários curtas e animações do início do século passado, muito legal e intrigante.
  Eis que chega a hora. Por volta das 20:30hs o respeitadíssimo quinteto carioca BLUES ETÍLICOS sobem ao palco para um espetáculo sonoro de extremo bom gosto por mais de uma hora e meia desfilando então canções como ‘3º Whisky’, ‘Cerveja’ (sob a voz suave de Greg Wilson) e ‘Onde Mora o Mar’ apresentada a muito custo pelo tímido baixista Cláudio Bedran (a despeito de sua timidez extrema, foi um dos mais concorridos pelos fãs depois de Flávio Guimarães (voz e harmônica), veja as fotos).
Cláudio Bedran (b) rodeado pelos fãs e amigos de banda Greg e Pedrão
  Em meio a muitos improvisos e verdadeiras aulas de feeling por parte de todos os músicos (completam a banda o guitarrista Otávio Rocha e o baterista Pedrão Strasser), incluindo aí o fenômeno das Harmônicas Flávio Guimarães que em dado momento do show chegou a descer do palco e improvisar em meio aos fãs criando um frenesi sem precedentes, ainda conferimos a versão maravilhosa que a banda fez para ‘Canceriano sem Lar’ do imortal RAUL SEIXAS e mais pro fim do show fomos agraciados com os clássicos ‘Puro Malte’, ‘O Sol Também me Levanta’ e claro, a que não poderia faltar ‘Dente de Ouro’, de longe o maior clássico da história da banda, lançado em 1998 essa música de domínio público se tornou um marco na história do Blues Brasileiro nas mãos hábeis destes honoráveis músicos cariocas, levando todos os poucos (porém loucos) presentes ao êxtase total!
Flávio Guimarães tocando em meio aos fãs
    Ainda após o show, todos os músicos fizeram questão de atender fã por fã que quisesse autógrafos ou fotos com eles, desde as crianças até os mais barbudos.

Otávio Rocha e Cláudio Bedran
  É óbvio e triste constatar que este evento poderia ter reunido um sem número de pessoas naquele complexo de praças enormes mas não o fez por um simples e deprimente motivo: o brasileiro não quer saber de ir atrás da Cultura!
o fã Ed Padovan autografando seus vinís da banda após o show
  Um evento desta magnitude, de graça ao lado de suas casas não foi o suficiente para tirar o cidadão comum de seu deformado sofá defronte à sua pobre TV de baixo nível cultural que assola os domingos melancólicos desta pátria. A gritante maioria do público lá presente era de pessoas que se conhecem à anos, ou décadas, músicos, artistas em geral e seguidores da cultura nacional e mundial, acompanhados de seus pares e filhos, num resumo bem breve, o público lá presente se resumia numa numerosa família que se reuniu em prol da arte ao invés de um churrascão. Por um lado isso é ótimo e traz um clima super intimista e aconchegante, por outro nos deprime ao saber que o brasileiro não detém o hábito cultural mais amplo. Fazer o quê? A cultura está em todo lugar ultimamente, resta ao cidadão ir ao seu encontro.

Fotos: Luciano Santos Maria Clara C Rodrigues e Michele Chianca.

SET LIST:

· Cracatoa/
·  3º Whisky/
·  Cerveja/
·  Na Hora de Atravessar/
·  H2 O/
·  Canceriano Sem Lar/
·  Jako Loco/
·  Saia da Rota/
·  Onde Mora o Mar/
·  Cotidiano Nº2/
·  Me Leva pro Rio/
·  Puro Malte/
·  Espelho Cristalino/
·  O Sol Também Me Levanta/
·  Dente de Ouro/
Pedro Strasser


Otávio Rocha e Cláudio Bedran

Pedro Strasser


Flávio Guimarães (voz e Harmônica)

Greg Wilson e Flávio Guimarães

Otávio Rocha

Flávio atendendo os fãs


Família 'Shark' com o Maior gaitista do Brasil!


Otávio Rocha




O vocalista e guitarrista Greg Wilson em 4 momentos da noite






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