quarta-feira, 25 de setembro de 2013

Entrevista coletiva com Eric Singer (KISS) em 15 de Maio de 2003 - São Paulo/SP


  15/05/2003, uma quinta-feira tranquila para os reles mortais não envolvidos com Rock and Roll na capital paulista, mas para nós que corremos atrás do que há de melhor, foi interessantíssima! Faltando um dia para acontecer a primeira edição da “KISS Expo” no Brasil (rolou dia 16 em Curitiba/PR e 17 em Limeira/SP) aconteceu a entrevista coletiva no Conservatório Souza Lima em Sampa com a estrela do evento, Eric Singer, baterista de renome mundial que tem em seu currículo bandas de expressão como LITA FORD, BLACK SABBATH, BADLANDS, ALICE COOPER, AVANTASIA e KISS, é claro...
  Com alguns contatos que tinha na época, através dos antigos grupos do Yahoo (bem antes do Orkut ser realidade, tínhamos esses grupos que serviam de rede social antes dessa expressão existir), descobri que o Eric Singer que na época não estava mais no KISS e sim com ALICE COOPER excursionando, viria ao Brasil para ser a estrela principal da primeira convenção de fãs da banda por aqui. Logo tratei de enviar um pedido de credenciamento para eu cobrir o evento relatando que eu era radialista e estava envolvido com os sites Choose Your Side e o programa de rádio Coda On Line que estava fora do ar, mas ainda na web. Pois bem, entraram no site do Coda, pegaram o telefone de contato, que seria do mentor Eduardo Maia e o ligaram falando meu nome e nos convidando a ir na entrevista coletiva em São Paulo. Eduardo prontamente me ligou passando o recado e o contato da organização à quem eu liguei imediatamente e pedi 3 credenciais que seriam para mim, para o Eduardo e para nosso colaborador/jornalista Vagner Aguiar. Eu como trabalhava somente à noite na rádio estava livre para o evento, Eduardo e Vagner ajustaram seus horários no trabalho e lá fomos para São Paulo. Vale ressaltar que consegui dar um mal jeito no meu pescoço logo de manhã ao voltar da rádio pra casa numa freada brusca do ônibus que estava, indo pra coletiva de pescoço duro, ficando lá o dia todo e voltando pra casa à noite, quase na hora de voltar pra rádio. Só fui no médico no dia seguinte.Cada coisa que a gente faz em nome do Rock and Roll, hehehehe.
Credencial para a KISS Expo 2003 dia 17 de Maio.

Ingresso para a KISS Expo
  Logo de cara, ao chegar no Conservatório Souza Lima, renomada escola de música de São Paulo nos deparamos com as figuras já conhecidas nossas dos irmãos Andria e Ivan Busic do DR. SIN que estavam saindo da escola onde davam aula. Mais adiante encontramos Clemente dos INOCENTES ( tanto o DR. SIN quanto os INOCENTES já haviam tocado nas festas do Coda On Line poucos anos antes) que além de ser professor do Conservatório também seria o mestre de cerimônia da “KISS Expo” dali 2 dias em Limeira, interior de SP. E pra quem está se perguntando já adianto, sim Clemente também gosta do KISS.

Clemente (INOCENTES) apresentando a KISS Expo em Limeira/SP

  Pois bem, devidamente recebidos pelo Antônio, ou Tutú Simmons, cover de Gene Simmons da DESTROYER KISS COVER que seria um dos responsáveis pela entrevista, nos foram entregues as credenciais e entramos no auditório nos fundos da escola onde aconteceu a entrevista coletiva.
  Vale ressaltar alguns detalhes: No dia 12 de maio, ou seja 3 dias antes foi aniversário de Eric Singer e por esta causa, após a coletiva todos os presentes foram convidados a uma espécie de coquetel ali mesmo na área de convivência do conservatório, onde trouxeram um bolo de aniversário e todos cantaram parabéns ao Eric.
  Eric Singer, não é uma pessoa muito sociável ele deixou demonstrar isso algumas vezes nesses dois dias com os fãs, com exceção das mulheres brasileiras, ele não se mostrava muito feliz em tirar fotos com os fãs do sexo masculino e não distribuiu muitos autógrafos, à não ser na convenção, afinal lá ele estava sendo PAGO para atender TODOS os fãs e mesmo assim chegou a perder a paciência em alguns momentos visíveis, nada demais, apenas fadiga talvez. Também dificultou o trabalho dos fotógrafos de plantão não posando para as fotos, parecia incomodado com tantos flashes, algo estranho pra quem tocou com KISS e ALICE COOPER. Nos demais momentos tudo correu bem, principalmente na entrevista coletiva à seguir:
Cortando seu bolo de aniversário

  De onde surgiu a idéia do projeto ESP e ele terá uma seqüência no futuro?
Eric Singer: Bem, nunca tive a intenção de tranformar aquele lance numa banda, foi apenas um disco feito por diversão e não existe a idéia de dar seqüência ao projeto
.
Quais foram os bateristas que mais te inspiraram?
ES: A minha maior influência com certeza foi BUDDY RICH e aquelas Big Bands americanas, mas também admiro muito os bateristas dos anos 70 como John Bonham do LED ZEPPELIN, Ian Paice do DEEP PURPLE, Denny Carmassi, Carmine Appice, Mitch Mitchell da JIMI HENDRIX EXPERIENCE e tantos outros...

Gostaria de saber como se deu a sua entrada no BLACK SABBATH?  Como você chegou até Toni Iommy e como você chegou ao ALICE COOPER também?
ES: Em 1984 eu tocava na banda de LITA FORD que por sua vez era namorada de Toni Iommy que precisava de um baterista. Num dos shows de sua namorada ele me viu tocar e me convidou para gravar um disco solo com ele que acabou se tornando o “Seventh Star” e levou o nome do BLACK SABBATH. Já com ALICE COOPER, eu, na época tocava com uma banda chamada BADLANDS, eu tinha acabado de sair dela e procurava uma banda pra tocar, o segurança que trabalhava com o BADLANDS, também trabalhava com várias outras bandas como GUNS’N’ROSES e ALICE COOPER, ele me apresentou ao Alice, fiz um teste e fui aprovado passando assim a integrar a banda.

Com relação ao KISS, antes de você entrar para a banda, você já tinha gravado algumas demos em 88 para o disco “Hot in the Shade”, eu gostaria de saber quais foram e se alguma delas foi aproveitada no disco?
ES: Eu fiz umas 2 ou 3 demos, mas que nunca foram aproveitadas, nem me lembro os nomes delas, mas eu sei que pelo menos 2 eu gravei sim.

Quando você entrou no KISS, você procurou tocar igual aos bateristas anteriores ou você deu a sua cara para os sons antigos?
ES: Bem, quando eu entrei para a banda, eu fazia um som muito complexo, bem diferente do KISS original, mas, com o passar do tempo, principalmente na época do “MTV Unplugged” eu fui simplificando mais a minha pegada. E na última turnê ano passado no Japão e na Austrália eu simplifiquei mais ainda, deixando bem mais próximo do original.

Considerando que foi você quem gravou com o KISS a faixa ‘Do You Remember Rock And Roll Radio’ para o tributo aos RAMONES (veja mais em: http://www.tocadoshark.blogspot.com.br/2013/03/were-happy-family-tribute-to-ramones-10.html), eu gostaria de saber se você tem idéia de como surgiu essa idéia de o KISS participar do tributo, levando em consideração que, apesar de serem duas bandas com propostas bem próximas de Rock and Roll e diversão, ninguém nunca imaginaria isso?
ES: Sim, foi eu mesmo que gravei, juntamente de Gene no baixo e vocais, e Paul Stanley fazendo as guitarras e os vocais, Ace não participou desta gravação, fomos só nós três mesmo. Eu fiquei surpreso com isso também , já que Gene e Paul não são fãs de RAMONES, mas eles viram que seria legal o KISS participar deste projeto que estava reunindo grandes nomes como RED HOT CHILLI PEPPERS, U2, METALLICA, enfim... é isso aí!
O tributo aos RAMONES que Eric participou com o KISS (2003)
Mas você gostou?
ES: Sim, é fácil, legal, Punk Rock e também porque tivemos a participação do saxofonista Scott Pager que já tocou com o PINK FLOYD! Além do quê, tocar com Gene e Paul sempre é legal, pois eu sei bem o que eles esperam de um baterista, de um som de bateria. Musicalmente nós nos entendemos muito bem mesmo.

O que você anda fazendo atualmente no campo profissional e quais são seus planos futuros?
ES: Eu tenho estado muito ocupado ultimamente. De setembro à dezembro do ano passado estive em turnê com ALICE COOPER, esse ano estive em Londres tocando com Roger Taylor e Brian May do QUEEN, toquei ainda com RONNIE MONTROSE e semana passada terminei de gravar o novo disco de ALICE COOPER. Eu vivo um dia por vez, tipo, hoje estou aqui no Brasil, este fim de semana estarei com vocês nas duas edições da Expo, semana que vem estarei voltando para ALICE COOPER e farei a tour de verão (no hemisfério norte) com eles.

Como rolou a sua participação no projeto AVANTASIA? Eles te mandaram as fitas ou você gravou jutamente com os outros artistas em estúdio?
ES: Tobias Samet do EDGUY me mandou as fitas pelo correio com a música que eu teria de gravar, eu gostei, gravei e devolví, e foi só!

Com Antonio - Tutú Simmons (DESTROYER KISS COVER)
Gostaria de saber de quem você gosta mais, Gene ou Paul? (N do R: nessa hora todos começaram a rir da pergunta feita por um dos fãs presentes... acabou descontraindo bem a coletiva....)
ES: Eu gosto do Antônio! (N do R: mais risos pois Antônio a que ele se referiu é o Tutú Simmons da banda DESTROYER KISS COVER, que organizou todo esse evento.)   Falando sério, todo mundo tem defeitos e qualidades e com Gene e Paul não é diferente. O que eu gosto mais neles é que eles trabalham muito, o tempo todo, mas tem coisas que sinceramente eu não concordo!

Eric, o que você tem ouvido recentemente?
ES: Gosto muito de QUEENS OF THE STONE AGE, FOO FIGHTERS, AUDIOSLAVE também é legal, independente se ser Heavy Metal ou Hard Rock, essas são bandas de Rock and Roll de verdade e eu gosto delas.

Sobre o “Carnival of Souls”, sabemos que você e o Bruce Kulick foram os que mais trabalharam neste disco. Você acha que se Gene e Paul se fizessem mais presentes nele, o disco teria saído com uma sonoridade mais próxima do KISS?
ES: Eu não sei, isso é só especulação, nunca saberemos, pois foram Gene e Paul que escreveram as músicas, mas eles estavam muito preocupados com a turnê de reunião naquela época (1996). Então nunca saberemos o que teria acontecido se eles estivessem lá. Eu não gosto daquele disco, ele nem é ruim.... mas não é KISS!
 
Com o KISS nas sessões de "Carnival of Souls" em 1995
Quais bandas brasileiras você conhece e os bateristas, de qual você gosta mais?
ES: Bem, eu não estou familiarizado com as bandas daqui, mas me lembro vagamente das que abriram o 'Monsters of Rock' em que o KISS tocou em 94 como o ANGRA.

Qual o melhor disco do KISS na sua opinião e qual você mais gostou de gravar com a banda?
ES: Eu adoro o “Revenge” que eu gravei, onde eu pude trabalhar com o produtor Bob Ezrin e o meu favorito mesmo é o “Dressed to Kill”.

Os fãs têm visto com uma certa reserva Tommy Thayer usar a máscara do Ace Frehley. Você sentiu algum problema com o público quando você usou a do Peter?
ES: Uma coisa que aprendi tocando com o KISS é que não há como agradar a todo mundo, sempre existe um que não vai gostar. No caso do Tommy talvez as pessoas não tenham gostado por ele nunca ter estado na banda. Eu não, já que como eu estive na banda um dia então a resposta não foi tão ruim, mas o Tommy apesar de ser um grande músico teve um pouco de problemas a mais. Mas você é livre e pode escolher se gosta ou não e aí não compre, não ouça, faça o que você gosta. KISS é Gene e Paul... Nunca diga nunca quando o assunto é KISS, até eu me surpreendo! (risos)


Você gravaria um tipo de música que você não gosta ou com um artista que você não gosta por dinheiro?
ES: Eu sempre tive a sorte de tocar com artistas que gosto, às vezes toco em tributos com outros artistas, a música pode não ser a que mais gosto, mas mesmo assim eu gravo porque o meu negócio é tocar bateria e tenho sorte de poder ganhar dinheiro tocando com quem gosto!

O que você acha de Neil Peart do RUSH?
ES: Neil Peart é uma lenda viva! Vi-o tocando com o RUSH em 1974, abrindo para o KISS, logo que ele entrou para a banda. Nos anos 70 ele era um Deus e influenciou todo mundo e comigo não foi diferente. Não pensamos em tocar juntos, pois temos carreiras diferentes.

Você gravou algo no disco “Psycho Circus” de 98 com dizem boatos por aí?
ES: Não! Foi um cara chamado Kevin Valentine, que é meu amigo desde o tempo da escola. Ele tocou no disco todo, com exceção de ‘Into The Void’, que foi o Peter Criss quem gravou. (N. do R: na Kiss Expo, Singer afirmou ainda que foi ele quem apresentou Valentine para a banda).

Você tem vontade de voltar a tocar numa banda como membro oficial?
ES: O grande problema de fazer parte de uma banda como membro oficial é o dinheiro. Se você é parte dela, você tem direito a um percentual que ela não está disposta a pagar, então eu sou como uma companhia qualquer, um músico que é pago para tocar, um empregado, mas isso tem aspectos positivos como a liberdade de sair a qualquer momento. Essa liberdade talvez valha mais que qualquer dinheiro!

  (Esta entrevista foi originalmente publicada em 2003 no site Choose Your Side, hoje fora do ar, no site do Coda On Line em www.codaonline.com.br e também fez parte do fanzine brasileiro “KISS World” número 23.)

Na hora do 'Parabéns'


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Simpatia à prova de tudo.

Fotos: Arquivo pessoal e Eduardo Maia - CODA ON LINE
Por: Alexandre WildShark


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