sábado, 8 de agosto de 2015

“DIFUSÃO ANTIFACISTA” 02/08/15 – Rota Beer 25, Mogi Guaçu/SP



  Há um bom tempo Mogi Guaçú não via um evento legitimamente Punk e beneficente na sua cena. Até agora, quando o pessoal das bandas ERA SUBURBANA e GROTESQUE resolveram arregaçar as mangas para ajudar um abrigo infantil da periferia da cidade com mantimentos e chamando outras bandas Punks de fora, como CONDUTA CRIMINAL, DESACATO CIVIL e GARRAFA VAZIA.
  Infelizmente o HIPPIES NOT DEAD que estão no cartaz não puderam comparecer, mas a festa seguiu naturalmente com o CONDUTA CRIMINAL começando com seu mix de Punk/Hardcore e Thrash fazendo os punks que compareceram tocarem o terror em rodas monstruosas, tendo até que Treisnota, vocalista e guitarrista da ERA SUBURBANA pedir um pouco de cautela pro público não destruir os equipamentos do DJ Ed Padovan que fez uma discotecagem Punk nos intervalos, só com pérolas e B-Sides.
D.K. na Pick-Up!
  E foi justamente o ERA SUBURBANA que entrou em seguida com músicas que foram escritas há 10 anos atrás ou mais, afinal de contas essa banda é atemporal, um trio de irmãos de longa data que se reúnem ocasionalmente para fazer um som. Com uma levada mais tradicional do Punk clássico apresentaram ‘Garrafa Térmica’, ‘Desordem ou Progresso’ e ‘Grandes Idiotas’ e até ‘Canivetes, Corações e Despedidas’ do WANDER WILDNER.
  Entre um vinil e outro a galera ia interagindo, uma grande celebração entre velhos amigos que se reencontravam e novos que fizeram, altos papos construtivos, crianças correndo, filosofias voando no vento e observações sarcásticas eram comum.
ERA SUBURBANA e Régis (GROTESQUE)
com os herdeiros da cena.
Trilha sonora de ouro vindo das pick-ups de Ed Padovan, muita conversa fiada e piadas entre os velhos punks, visitas curiosas dos moradores do bairro, lembrando que o evento se deu num quintal de um estabelecimento comercial na periferia com portão aberto, afinal, mesmo pedindo 1 kg de alimento como ingresso, a filosofia punk jamais permitiria barrar a entrada de alguém ali, por mais desagradável que fosse, como foi o caso de uns dois ou três ‘fascistas’ que tentaram ficar presentes durante o show da banda GROTESQUE que prontamente deixou bem claro aos microfones que aquele evento era feito por Antifacistas e nacionalistas não seriam bem recebidos, apesar dos portões abertos...enfim, continuando a festa veio o pessoal do DESACATO CIVIL de São Paulo/SP com uma velocidade incrível em seu som, desgraçadamente desagradável aos incautos e mesmo assim víamos algumas ‘tiazinhas’ de idade avançada bailando no recinto e crianças batendo cabeça seguramente pra trás deixando a roda punk comer o cimento do chão em sons como ‘Internet’, ‘Mídia Nostra’ entre outras...foi foda!

  Agora era hora das prata da casa GROTESQUE que tem o público na palma da mão com sons que já viraram clássicos regionais, como ‘Cabeça de Pano’, ‘O Metaleiro’, ‘Silas Malafaia’ entre outros, e sim, durante o show deles ocorreu aquele fato desagradável que já comentei acima, nada demais e nada que eles não dessem conta de explicitar nos microfones, prontamente refletido no público.

GROTESQUE
  Com a festa instalada e sem volta, o GARRAFA VAZIA adentrou o palco já de noite para encerrar o bailão, como eles mesmo definem com seu Punk do Mato, já que a banda é de Rio Claro, interior de SP também.
  Foi uma sucessão de (s)hits como ‘Carol Caraia’, ‘Hard Rock no Pesqueiro’, ‘Eu não vou’ e ‘Eterno Desempregado’. Com a galera já arriada e o relógio perto das 22 batidas a festa foi encerrada com 2 versões monstruosas á pedido de um dos responsáveis pela festa, Régis (baixo) do GROTESQUE que pediu STOOGES e eles num misto das duas bandas mandaram ‘I Wanna be Your Dog’ e até um G.G. ALLIN deu tempo.


GARRAFA VAZIA
    Sim, foi uma puta festa Punk, com vários kilos de alimentos não perecível arrecadados para as crianças carentes e por cerca de 7 horas direto a galera interagiu entre punks e headbangers, populares e curiosos sem interferência da polícia (!), pasmem, sem tretas nem depredações, ou seja uma legítima FESTA PUNK. E com promessa de outra dose em alguns meses. Que venha!




Fotos do acervo do Tubarão Millares, ERA SUBURBANA e GROTESQUE, tiradas por uma porrada de presentes.

ERA SUBURBANA/GARRAFA VAZIA/GROTESQUE
GARRAFA VAZIA sendo GARRAFA VAZIA!

Kimba, o contador de histórias e recepcionista da festa.
Uma parte do público nas internas...

Marlos (GROTESQUE)

sábado, 1 de agosto de 2015

COSMO DRAH - Transcendendo toda psicodelia nacional!



COSMO DRAH
“Cosmo Drah” – (2015)
Selo Melômano Discos (www.melomano.com.br )

FAIXAS:
1.   Labirinto/
2.   Hospício/
3.   O Poder/
4.   Subversão/
5.   Cosmo Drah/
6.   Caos/
7.   Nova Estação/
8.   Salamandrah/
9.   Velhos Mestres/
10.       Mágica do Tempo/
11.       Roedor Renegado/

  Eis que a nossa cena tão rica e talentosa nos presenteia com mais uma banda talentosíssima e cheia de detalhes que devem ser devorados incessantemente!
  Com um disco muitíssimo bem elaborado e produzido, eis que vem à luz do mundo COSMO DRAH, uma força psicodélica, esmerada, viajandona e inteligente sem ser maçante.
  Sabe quando você entra nas águas do mar e dá aquela mergulhada na sua cabeça com águas poderosas que você jamais imaginou por onde passaram? Pois foi assim que me senti quando ouvi esse disco pela primeira vez.
  Sem nenhum ranço nostálgico, você se depara com uma banda que tem de tudo dentro do seu caldeirão sonoro, tudo de bom, vale ressaltar, desde aquele BLACK SABBATH psicodélico, passando pelos hermanos do AEROBLUS e desbundando aqui na nossa terrinha com nomes do calibre de SECOS & MOLHADOS, SOM NOSSO DE CADA DIA e PATRULHA DO ESPAÇO (principalmente a fase anos 2000, a voz do cantor Ruben Yannelli lembra muito Rodrigo Hid). Também percebe-se pitadas de TUTTI-FRUTTI, JETHRO TULL, GRAND FUNK RAILROAD, OS MUTANTES (fase progressiva), PAPPO, DUST, PESCADO RABIOSO entre outros...
  Essa banda, ladeada aos já experientes TOMADA, PEDRA e KLATU dão um bom caldo na cena nacional.

  Costumo destacar faixas, mas não há como fazer isso com esse disco sem ser injusto com as outras faixas não citadas. Mas posso tentar falar sobre ‘Subversão’ que é bem solta, assim como aquelas faixas mais jazzísticas do BLACK SABBATH original (sinto total presença de Bill Ward ali nas batidas livres do baterista Renato Amorim). ‘Labirinto’ e ‘Hospício’ que abrem muitíssimo bem o disco. Na faixa título ‘Cosmo Drah’ vejo um trabalho de cordas muito precioso, com o baixo de Elton Amorim passeando fácil e a guitarra de Anderson Ziemmer voando alto no wah-wah (santo HENDRIX, olha o cheiro de ‘doce’ no ar!)
  Pra parar de ficar dissecando as faixas injustamente vou direto à última ‘Roedor Renegado’ que tem uma letra de cunho social apuradíssima sem ser politicamente chata, aqui é tudo viajem!
  Enfim, se você procura uma banda para ‘abstrair’, para ‘viajar sem hora pra voltar’ ou é um tiozão saudoso querendo reviver as bandas setentistas ou é um ávido caçador do Underground nacional, sinta-se em casa, essa é a COSMO DRAH!

Anderson Ziemmer (g), Elton Amorim (bx/t), Ruben Yannelli (v), Renato Amorim (bt)

  Arte de capa e encarte por conta de Diogo Oliveira, o mesmo que trabalhou com as bandas VENTO MOTIVO, PEDRA, BARANGA entre outras.

BANDA NICOTINES lança EP "A Mil por Hora"



NICOTINES
“A Mil por Hora” (2015)
Independente.
FAIXAS:
1.  A Mil por Hora/
2.  Rock Brasileiro/
3.  Rosa Junkie/
4.  Óculos Rayban/
5.  O Velho Rockstar/
  Juntamente com a quinta edição da revista independente Gatos & Alfaces que nessa edição trouxe uma discussão saudável sobre a existência do Underground no século XXI, veio encartado um CD da banda manauara NICOTINES, na verdade um EP com cinco belas faixas chamado “A Mil por Hora” nome da primeira faixa que já vem com tudo dizendo literalmente ao quê a banda veio.
  Com uma guitarrêra cortante (cortesia de David Henrique) e letra fatal veio a segunda faixa, de longe a melhor pra mim, ‘Rock Brasileiro’ mostra toda indignação dos verdadeiros fãs do nosso ROQUENROU na letra cantada por Sandro Nine, citando a ignorância dos ditos ‘rockeiros de fim de semana’ que não sabem quem foram/são ARNALDO BAPTISTA, HELCIO AGUIRRA, REDSON POSI entre outros dos nossos heróis. Ainda vale ressaltar as citações do clássico livro de Legs McNeil “Mate-me Por Favor” (que conta a história da cena entorno do bar CBGB) no refrão e um finalzinho à lá OS MUTANTES.
Israel Perera (baixo)
  ‘Rosa Junkie’ é uma linda e bucólica balada, não melosa e sim tristemente romântica citando JANIS JOPLIN.
  Pra finalizar bem esse EP temos dois Rocks dos bons, ‘Óculos Rayban’ conta com riqueza de detalhes a anatomia de um velho junkie que, bem provavelmente é ou foi conhecido dos caras da banda, mas que tem em todas as partes do mundo. Aquele tipo autodestrutivo que leva a tríade ‘sexo-drogas&Rock’n’Roll’ a sério. Citações ao T REX, NEW YORK DOLLS, SYD VICIOUS etc... tem aos montes, ótima!

  E ‘O Velho Rockstar’ com uma levada concisa e segura da cozinha composta por Israel Perera (baixo) e Lauro Henrique (bateria), mostra na letra ‘o saco-cheio’ de um velho Rocker que não tem mais paciência pros mimimi’s da cena. Bem oportuna a letra. Com um solo encharcado de wah-wah de David Henrique (ouço HENDRIX pra todo lado) o EP se encerra deixando um gosto de quero mais na audiência.
  Ouça no Soundcloud oficial e procure a banda pra descolar o seu e fortalecer o Underground.




Sandro Nine (v), Lauro Henrique (bt) e David Henrique (g)


segunda-feira, 27 de julho de 2015

TOMADA lança álbum digital autointitulado e invade a web em várias plataformas diferentes!



  Como todos já sabem (se não sabiam ficarão sabendo agora) a banda TOMADA​ acaba de lançar um álbum digital chamado "Tomada" e 'De Verdade' é uma das faixas de trabalho do álbum.

Segue abaixo alguns links para quem quiser conhecer melhor esse trabalho.

Rdio: http://rd.io/x/Rl1X6pg-CqeU/ 

Spotify: http://spoti.fi/1GtvOzZ 

Google Play: http://bit.ly/1TOWLY8 

Napster: http://bit.ly/1TOX19w 

Amazon.com: http://amzn.to/1f5JCKD 

Deezer: http://bit.ly/1JZ5SzQ 

iTunes: Versão #DELUXE http://apple.co/1CuLgzD 


E aqui o link para o outro vídeo clipe 'Ela não tem Medo'

https://www.youtube.com/watch?v=dLoFqAVclcc 






domingo, 19 de julho de 2015

SERGUEI: DIVINO DO ROCK OU ANJO MALDITO DO ROCK BRASILEIRO?


ARTISTA: SERGUEI
DVD: “O Anjo Maldito do Rock Brasileiro”
DIRETOR: Márcio Baraldi
ANO: 2015

  Fale rápido, uma música do SERGUEI? Nada?
  Cante um pedacinho se não souber o nome? Nada também?
  Putz... e como você conhece o SERGUEI?
  A primeira coisa que vem à sua cabeça é que ‘ele comeu a JANIS JOPLIN’, certo? As entrevistas dele na TV sempre hilárias... e por ai vai... Bem, pois é, agora me explique, como um cara que não tem nenhum grande hino no ROCK AND ROLL BR pode ser um ícone tão grande e conhecido nos quatro cantos do país sem nenhum disco que tenha tocado exaustivamente nas rádios e TV’s nos últimos 60 anos? Pois é justamente isso que o grande cartunista e fã de SERGUEI Márcio Baraldi quis desvendar produzindo esse DVD documental duplo sobre o mito SERGUEI, ao lado do documentarista Marcelo Rossi (também conhecido como ‘Reverendo’, o baixista e vocalista da banda EXXÓTICA) e com uma ajuda de Luiz Calanca da loja/selo Baratos Afins.
Edy Star, Luiz Calanca, Marcio Baraldi e SERGUEI

  Neste DVD que acaba de ser lançado, com uma tarde de autógrafos disputada na Loja Baratos Afins da Galeria do Rock em SP, numa tarde de sábado que abrigaria ainda a Virada Cultural na qual SERGUEI se apresentaria há Meia-Noite ao lado de EDY STAR aos 82 anos.... cara, é muita coisa pra um senhor dessa idade, mas ele tem uma energia que só os Deuses pra explicar de onde vem e sempre foi assim. No documentário vários ex-garotos dos anos 80, como George Israel (KID ABELHA), Toni Platão (HOJERIZAH) e João Barone (OS PARALAMAS DO SUCESSO) entre outros contam como conheceram essa figura fácil do RJ que desde os anos 60, antes da Jovem Guarda já vinha aprontando mil-e-umas por aí e vivendo literalmente o estilo de vida ROCK AND ROLL, um cara que foi comissário de bordo das respeitáveis empresas aéreas PAN-AM e VARIG e largou tudo isso após uma situação peculiar que ele viveu em Madri (ESP) em 1955 quando farreou com a famosa atriz Gina Lollobrigida . O primeiro cara que usou lentes de contato abaixo da linha do Equador, um cara que viajou o mundo, viveu nos EUA da Paz-&-Amor, conheceu, HENDRIX, MORRISON e sim JANIS JOPLIN, um cara que foi pioneiro de tudo no Brasil, teve uma carreira errática fonograficamente falando, com poucos compactos lançados no decorrer de seis décadas e um único álbum full-lenght, ainda sim conseguiu subir ao palco principal do Rock in Rio II pra um show completo no ano de 1991 aos 57 anos de idade com energia de 25.
  No DVD tem toda sua estória contada pelos moradores de Saquarema/RJ onde ele vive a maior parte da vida e sedia o ‘Museu do Rock’, também tem várias imagens de incontáveis programas de TV e entrevistas as quais ele desmistifica essa história de ter transado com uma árvore, conta fatos desconhecidos de sua vida ao lado de Jô Soares, RITA LEE, ensina Caetano Veloso, Maria Rita e alguns ex-TITÃS como se deve portar um artista íntegro e fiel aos seus princípios em 2010 (aquela cena, que puta lição!) entre outras raridades, muitas fotos, toda sua discografia esmiuçada pela sumidade no assunto, Luiz Calanca, dono da loja/selo Baratos Afins que lançou uma coletânea em CD com quase todos os seus singles gravados e que tem histórias impagáveis sobre SERGUEI também.
Marcio Baraldi e SERGUEI no lançamento do DVD

  Não há quem fale mal desse cara, da pureza humana e quase infantil que vive no coração dele como ser humano, como Sérgio Bustamante ou como SERGUEI, os irmãos VECCHIONE do MADE IN BRAZIL, RITCHIE, membros do BARÃO VERMELHO e da banda HERVA DOCE com outras tantas histórias de como a JANIS JOPLIN quase fez um show a céu aberto no RJ em 1970 ao lado dele, enfim, história não falta, testemunhas delas também não.
  De quebra tem um belo pôster do Anjo Maldito e um DVD bônus que contém preciosas apresentações de SERGUEI através dos anos, como em 1982 ao lado de CELSO BLUES BOY, no Jô Soares do SBT em 1990, na festa de aniversário da Baratos Afins tocando músicas suas em 2003, uma ponta surpresa no Rock in Rio III ao lado de SYLVINHO BLAU-BLAU e culminando na festa da Baratos Afins de 2013 com SALÁRIO MÍNIMO e GOLPE DE ESTADO.

  Esse DVD contem muitas lições de vida nas entrelinhas e se você quiser adquirir essa pérola da nossa história basta entrar em contato pelos Facebook:
ou no site da Baratos Afins: http://www.baratosafins.com.br/

    Agradecimentos especiais ao responsável por tudo isso ter se concretizado Marcio Baraldi.

  Fotos Bolívia & Cátia Rock

sexta-feira, 17 de julho de 2015

VOODOOPRIEST - Moralizando os indígenas com o lançamento de "Mandu"!



BANDA: VOODOOPRIEST
DISCO: “Mandu”
ANO: 2014
SELO: Die Hard (www.diehard.com.br )
FAIXAS:
1.   Dominate and Kill/
2.   Religion in Flames/
3.   Warrior/
4.   Eye for an Eye/
5.   Trail of Blood/
6.   Mandu/
7.   Warpath/
8.   Swallowed by Waters/
9.   We Shall Rise/

  Esse disco é simplesmente histórico!
  Vitor Rodrigues montou em 2012 (quando saiu do TORTURE SQUAD, banda que integrava há 19 anos) um time de peso e técnica ímpares, contando com os veteranos guitarristas César Covero (ENDRAH, ex-NERVOCHAOS) e Renato de Luccas (EXHORTATION), o baixista Bruno Pompeu (AGGRESSION TALES) e o baterista Edu Nicolini (ex-NITROMINDS e ex-MUSICA DIABLO) e logo começou a compor uma histórica incrível e desconhecida (se tratando de Brasil, é tristemente natural a nossa ignorância de tais fatos e feitos históricos). Baseado em profundos estudos indígenas Vitor compôs 9 letras que foram musicadas pela banda como um todo, letras essas que contam a história do guerreiro indígena Mandu Ladino que no século XVIII liderou uma tribo de guerreiros que lutaram contra as forças militares da coroa portuguesa que estava dizimando os indígenas do território que hoje é conhecido como o estado do Piauí. Ele resistiu bravamente por 7 anos a invasão branca que por fim abateu Mandu e seu exército indígena devido à traição, como sempre acontece. Mas, esse disco que leva seu nome é na verdade um álbum conceitual, um relato histórico dos feitos de Mandu desde criança até o seu abate e seguinte legado, contados cronologicamente nas faixas em ordem que nos faz encarar esse disco como um livro de História, onde a gente vibra com cada conquista do herói enquanto canta junto e ‘bangeia’ (sim, eu abrasileirei essa palavra).
Edu (bt), Renato (g), Vitor (v), Covero (g) e Bruno (bx) - VOODOOPRIEST.

  As guitarras são afiadas, feito armas brancas empunhadas para a guerra, o baixo e a bateria aceleradas tornam a toada mais excitante ainda, ouça sozinho esse disco, com fones e encarte nas mãos, acompanhando as letras, uma experiência completa no universo legitimamente nativo-brasileiro, com riqueza de detalhes, como os nomes das tribos envolvidas, as localizações dos feitos e até nomes de jesuítas envolvidos. Enfim, pra quem gosta de discos conceituais, histórias de guerra, Thrash Metal curto, grosso e direto na cara deve adquirir esse disco sem esmorecer, principalmente pra quem tá de saco cheio de ouvir histórias idolatrando ídolos de outros países e histórias folclóricas que nada tem a ver com nosso sangue indígena, sim, porque se você é brasileiro e se acha sangue puro meu filho, ta redondamente alienado em seu mundo de bardos nórdicos que ficam lindos em gravuras e pôsteres, mas não condizem com sua realidade em nada, menos ainda em suas raízes.
  Só mais uma coisinha, perguntarão o porquê das letras serem em inglês e não em português. Isso a banda explica melhor que eu que estou aqui apenas dando meu relato do disco, mas, eu acho válido nesse caso, muito válido, pois, assim como anteriormente foi feito pelo SEPULTURA e o ANGRA, eles estão contando ao mundo uma história legitimamente brasileira, história essa que deveria ser de nosso conhecimento como nativos dessa terra, mas não é por inúmeras razões. E graças a essa ‘levantada de bola’ da banda, podemos agora nos sacudir e procurar saber mais sobre nossas origens. Menos preguiça e mais curiosidade, por favor, menos mi-mi-mi e mais atitude, mais respeito e acima de tudo, mais orgulho dos seus.

  Para mais infos segue acima os links de onde encontrar o disco e a banda.
  E mais alguns para conhecer melhor a banda e sua obra:

Esse seguinte link é de um vídeo feito por um fã no show da Virada Cultural deste ano, o som tá estourando, mas vale pela explicação de Vítor Rodrigues no comecinho do vídeo, se liguem: https://www.youtube.com/watch?v=6-_L4xtnXY8

quarta-feira, 15 de julho de 2015

MARCIO BARALDI - O CARTUNISTA MAIS ROCK AND ROLL DA AMÉRICA LATINA!



  Quando eu tinha 16 anos e era assinante da tradicional revista Rock Brigade conheci o trabalho de um cartunista 100% genial, o nome dele é Marcio Baraldi, que neste mesmo ano se associou ao Rock and Roll no Brasil trabalhando nesta revista. Este desenhista maluco, que já desenhava em várias publicações há um bom tempo, entrou de sola na cena Rocker brasileira com os personagens Roko-Loko e sua ‘affair’ Adrina-Lina, duas figuráças que passaram a ser referência do público Rocker mensalmente nas últimas páginas desta revista vivendo aventuras e desventuras hilárias com personas gratas do Rock mundial.


    O resultado de tudo isso foi sucesso absoluto, o que o levou à outra publicação do gênero no Brasil, a revista MetalHead que neste mesmo ano criou a primeira publicação sobre tatuagem do Brasil, a MetalHead Tattoo, que precisava de um personagem próprio para ela, e foi aí que o Baraldi entrou, trazendo consigo o Tattoo Zinho, um Tatu tatuador, Rocker e politicamente brasileiro, que se tornou o primeiro personagem tatuador dos quadrinhos brasileiros (ou,quem sabe, do Mundo)!
    Este personagem rendeu um belíssimo livro que saiu em 2005 pela Opera Graphica Editora e é o primeiro nesta categoria artística (tatuagem) retratado dessa forma (quadrinhos) e está completando 10 anos!

    São exatas 42 aventuras vivenciadas por Zinho (e seu parceiro Podrão) que retratam o cotidiano de um tatuador no Brasil, mas não é só isso, pois em vários momentos o assunto principal não é a tatuagem em si e sim, política, higiene, George Bush (que na época era Presidente dos EUA) e suas estúpidas guerras pelo mundo afora, ecologia e o que não poderia faltar, muito Rock and Roll.
  As participações especiais nas histórias ficam por conta de uma gama de celebridades que incluem: Capitão Gancho, Eddie (IRON MAIDEN), Popeye, Papai Noel, Wolverine, Alien, Hulk, Zorro e até Deus e o próprio Planeta Terra, entre outros.
    Nos prefácios e citações de capa e contracapa temos César Nemitz (editor da MetalHead), Ayrton Mugnaini Jr.), Reverendo 
Marcelo Rossi (EXXÓTICA), Paulão e Cavalo (VELHAS VIRGENS), Mauro (GAROTOS PODRES e parceiro de Zinho) além de tatuadores renomados como Zero, Tita, Zuba, Osmar e George (ex-KÃES VADIUS).
O criador e sua obra!

  Exatos 2 anos depois, em 2007 Baraldi lançou o livro “HumorTífero” que traz coletado em 50 páginas todas as sátiras que ele lançou através da revista MetalHead até o ano de 2006, são muitas tirações de sarro, muitas referências que só vai entender quem viveu os anos 80 e 90, sem dúvidas, principalmente os anos 90 que foi uma década pronta pro deboche, eram tantas asneiras e bizarrices acontecendo no mundo do Rock e fora dele que o Baraldão se esbaldava. Como na MetalHead ele não trabalhava com nenhum personagem fixo, ele usava seu espaço de uma página na revista (às vezes mais) para sacanear os assuntos do momento. Sendo assim, desde a capa já vemos personagens típicos como Tio Sam, Michael Jackson, James Hetfield e até o Papa Bento (que era chamado de Sebentus), ou Ratzinger que nas mãos dele virou Ratozinger, enfim, tem uma gama de artistas e não artistas famosos nas páginas que englobavam assuntos, como “Almoço com as Estrelas” onde ele zoava a dieta de tipinhos como OZZY (comendo seus morcegos), ALICE COOPER (sendo comido por uma jiboia) e até Sandy & Junior (ou Zandy & Xúnior) com suas mamadeiras...haha

  Michael Jackson, Mick Jagger, João Gordo e Ozzy Osbourne eram apenas alguns dos que apareciam sempre, mas sobrava espaço até para tipinhos como Richard Kleiderman (quem se lembra dele ai?) e Boy George. Várias bandas como KISS, OS MUTANTES, SARCÓFAGO e METALLICA são figuras fáceis nas páginas onde menos que de repente se encontra uma paródia desenhada baseada em letras de clássicos como ‘Surfista Calhorda’ d’OS REPLICANTES, ‘Aluga-se’ de RAUL SEIXAS ou ‘Inútil’ do ULTRAJE À RIGOR.
  Ele também zoava o som de lata que o Lars Ulrich tirava da bateria do METALLICA naquela época, ou a sexualidade de Kirk Hammet. Também sacaneava as lendas de que se tocar um vinil ao contrário você encontraria mensagens subliminares, aliás, o oculto é um tema ótimo pra ele, que fez várias charges sobre as bandas de Black Metal. Também reservava espaço para os nomes nacionais, como MADE IN BRAZIL, ULSTER, OS MUTANTES (que ele misturava aos X-Men), RATOS DE PORÃO (com aquele episódio em que um certo playboy ameaçou o Gordo com uma machadinha no seu extinto programa ao vivo na também extinta MTV). Também encontramos numa página uma homenagem que ele fez à banda de Rockabilly CRAZY LEGS devido aos seus 10 anos que até foi encartada num lançamento da banda em vinil na mesma época.
Uma das melhores páginas,
na minha opinião.
  Chegando mais pro final do livro encontramos umas sagas chamadas “Flagrantes de...” onde ele desenha um tema relacionado à algumas canções da banda em questão, aí temos NIRVANA, BON JOVI, METALLICA (de novo...hehehe), PINK FLOYD, RAIMUNDOS e ELVIS PRESLEY pra fechar o livro.
  De lá pra cá ele continua na ativa ganhando vários prêmios Angelo Agostini que é a honraria máxima que um quadrinista pode receber no Brasil, entre outros.
  Atualmente está mensalmente na revista Roadie Crew sempre homenageando alguma banda e ou artista do Rock nacional, o que é uma honraria disputada a tapa pelas bandas, ser desenhado por ele é um baita presente às bandas, principalmente as novas.
  Esses livros e mais alguns outros itens você encontra à venda baratinho no site do próprio Márcio Baraldi (http://www.marciobaraldi.com.br/ ), onde também poderá encontrar bonecos, camisetas e, o principal, conhecer melhor sua obra. 
  Não perca seu tempo, vá atrás da obra de um dos melhores quadrinistas desse país, ao lado de grandes nomes como Marcatti, Ziraldo, Angeli, Laerte, Glauco, Adão, Gonzales e até Maurício de Souza, porque não?


Miscelânea da cultura pop dos anos 90.

Acima o personagem TattooZinho